21 de fevereiro de 2016

Quatro segundos

Tela: Esther (1865), John Everett Millais

Meu cabelo vive caindo -
não sei qual a surpresa.
Mas às vezes um fio
- um só -
salta sozinho do monte
e cai em meu braço
(perto do ombro)
tão cheio de propósito,
que por um instante
eu olho pra trás,
como se tivesse sido
cutucada por alguém.
E num segundo ainda mais
infinitesimal
- talvez embalada pelo susto -
posso jurar
que são as pontas
de seus dedos compridos
querendo um segundo
da minha atenção.
E quando em outro centésimo
de segundo
é minha vez de cair (em mim)
e me dar conta
de que não havia ponta
nem dedo
nem membro,
mas só um fio pesado,
despropositado,
por outro segundo
a minha casa se torna
o lugar mais ermo do mundo.


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