9 de novembro de 2015

Cortinas

Foto: Venetian blind, detail - No machine-readable author provided

Mamãe tinha uma cortina longa de pano
em que frequentemente eu me metia:
ora era um vestido de princesa
ora um castelo meio mole
ou uma floresta que eu percorria.
Também era um balé a que eu assistia
toda vez que o vento batia:
levantava e baixava feroz
ou inchava e murchava tranquila.

Lembrei a cortina, que no trilho corria,
porque a persiana de alumínio (que eu tenho agora)
recomeçou na janela sua latomia:
Téim, Téim, Téim.

Meu filho de joelhos na cama
às vezes põe entre os dentes uma das lâminas:
é James Dean ou Marlon Brando com arma branca
ou apenas seu inconsciente devorando
uma cortina com pouca chance pra fantasia.

O vento bate
e não é vestido, castelo, floresta nem bailarina:
só uma cantora - e como desafina!


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