27 de novembro de 2015

Cortante

Imagem de Tim Houlihan

A cantoria das cigarras corta o espaço.
Rasga o entardecer em mil tiras:
ficam no chão, os retalhos
que a noite os recolhe em seguida.

Ela seduz a chuva, rejeita o sol.
E o faz vulgarmente, na rua
nos troncos, nos galhos.

Sem pudor, deixa um coração como o meu
em frangalhos.
Os trapos também ficam no chão:
o amanhã os remenda. (É tardo, mas não falho.)


Importante:

Todos os Poemas escritos e publicados no Blog acatolica.com
são sistematicamente registrados
junto ao Escritório de Direitos Autorais (EDA)
da Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro (BRASIL).

Nenhum comentário:

Postar um comentário