19 de novembro de 2014

Ébria

Tela: Bailaora (1914), Joaquín Sorolla y Bastida

Certas são as bailarinas
flamencas
de tapar as pernas:
as passadas denunciam.

Eu, por exemplo:
neste dias pardos
troco a direita
pela esquerda -
desconjuntada feito girafa.

Só que sem o pescoço
comprido
pra alcançar
a melhor parte.

A mim, as jabuticabas
estateladas.
Sobras da árvore
que recolho pra sobrevivência -
sem o bônus do céu
que garantiram a Lázaro.

Triste é cambalear
embriagada de realidade -
se ainda fosse pelo vinho
estaria confortada.

Por isto optei pelo banquinho:
melhor parada na calçada,
que sair por aí
enviesada
inspirando a pena
ou as pedras
de quem passa.

Sim: uma saia comprida
bastava.
Mas não há pano
que chegue
pra ocultar a realidade.


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