29 de outubro de 2014

Por quem o sino dobra

Tela: Mädchen als Glöcknerin (1875), Otto Piltz

O sino da matriz
soava ao meio-dia
desde meus 12 anos.
Saudava Maria,
a mãe do Senhor,
e as mudanças no meu
corpo.

Uma solteirona o tocava.

Por anos,
dividiu ao meio o dia:
dava "Até logo"
pra manhã;
dizia "Bem-vinda"
à tarde.

Estava tão acostumada,
que o frenesi da juventude
me fez surda à novidade:
o sino calou.

Hoje,
qualquer dobre me embarga.

Não sei se choro,
porque a solteirona morreu
porque ela não viu o amor
ou porque o silêncio renitente
bate
que aquele tempo passou.


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