24 de outubro de 2014

Ira santa

Foto de Hansueli Krapf

Não dou as costas
quando Deus zanga:
fico de frente
pra ouvir Seu sermão.

Bota carranca,
tosse, pigarreia, bufa.
Rasga o céu
com espadas.

Chuta o balde
e molha tudo:
curvas, becos, atalhos.

Como é linda
a ira santa!

Torço em segredo
pra elevar o tom:
merecemos,
aprontamos tanto!

Sei
que depois do castigo
sob marquises e lajes,
Pai arrependido,
nos consola
com presentinhos caros:

veludo negro, brilhantes
e um imenso broche de prata.


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