19 de setembro de 2014

A amante

Tela: Salome (Sem Data), Juana Romani (1869-1924)

Ele acha que me conhece.

Que eu sou mansa,
que meu pelo é liso.
Que fico em casa
e sou previsível.
Que falo muito
e exponho tudo.
Que ando pouco,
não sei de nada.
Que sou pequena,
ocupo uma quadra.
Que durmo pesado,
não abstraio.
Que de unha curta
eu não agarro.
Por coisa à toa
faço alarde.
Que me isolo,
não tomo parte.

Não sabe minhas medidas -
por isso erra na dose.

Sob disfarce de gente
a pelagem é crespa
caminho em bando
uivo alto
e todo dia, de hora em hora,
eu salto cercas.


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2 comentários:

  1. Olá Ana Paula,o comprometimento é tão burocrático, já sinta ser um ser especial isso é mais democrático e trás a leveza tão presente na sua poesia, que ousei estender mais minhas palavras como se já te conhece-se,encontro de versos é assim simples, só se ouve o coração. Abçs e sucesso.

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    Respostas
    1. Olá, Iatamyra:
      Saudações de BH!!

      Que palavras gentis e delicadas!!

      Obrigada por sua sensibilidade! Por haver se tocado com os versos que escrevi.

      Quem tem tempo pra poesia pode tudo,
      porque se abre para ver além. E quem vê além, já está lá.
      É o seu caso!...

      Fique com Deus!!
      Saúde e Paz!!

      ~~~

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