31 de agosto de 2014

Ovelha

Foto de Alice Birkin

Não. Não atenda:
é ele de novo
com palavras horrendas.
Não quero ouvir.
Não há maquiagem
pra tapar desgosto.

Não pus uma pedra:
o cadáver é morno -
perambula por aqui.
É preciso aquietá-lo,
pra conduzi-lo ao fosso.

Deixe tocar:
já acostumei com o sinal -
um ruído a mais
se abafa nos outros.

Quer atender, atenda.
Só não anote recado.
Tudo dele é ruim -
introdução, posfácio, miolo.
Já arde na fogueira
que armei bem ali.

Bom: não atendeu.
Um dia o desprezo
vai provocar que me esqueça.
As chamadas cessarão.
Saltarei sobre a campa -
desgarrada outra vez.


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