6 de agosto de 2014

O Aprendizado

Tela: Die Dorfschule (1845), Johann Peter Hasenclever

Aprendemos de maneira
muito sutil.

Pobre do professor
que vacilando entre o calcanhar
e a ponta do pé
acredita
que o que grita
com peito, braços
e dedos
ficará com seus alunos.

O jeito de ajeitar
os óculos
que lhe escorregam
pelo nariz suado

A blusa,
que como lona de circo
com lotação esgotada,
repuxa
pra agonia de linhas
e botões

Os pelos
que lhe saltam de tudo,
menos dos cotovelos

E como ele sorriu
quando bateram
na porta da sala
(enquanto ele pensava),
e era engano -

isso fica.

A mãe
que custosamente orienta
o filho
(pra deleite das visitas)
a dar Bom Dia,
e depois
lhe apressa o passo
pra subir as escadas
(só porque a porta
vizinha rangeu),
sutilmente ensina
que de gente se foge
como de bicho.


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