8 de agosto de 2014

Duas mineiras a caminho

Foto: Bundesarchiv, Bild 183-M0901-0110 / Raphael (verehel. Grubitzsch), Waltraud / CC-BY-SA

Tem uma aranha nocê. Onde? Aqui. Tira! Tira! Tira! Saiu? Saiu. Aaai. Quê isso? Um confete no seu cabelo. Tirô? Péra. Pronto. Saiu. Saco. O quê? Tem um fio em algum lugar dentro da minha roupa. Saco. Vô ter que tirá a blusa. (Pausa) Aqui, ó: num falei? Pronto. Segura aqui. Por quê? Pr'eu jogá no lixo. Pra quê? Joga no chão mesmo. Não. Num consigo. Vamo? Ai... Tô esqueceno alguma coisa. Eu sei que tô. Só não sei o quê. Batom? Chave? Celular? Documento? Num falei? Pronto. O que era? A Bíblia. O quê? Num saio sem ela. Meu Deus! Carregá um trombolho desse pra pesá a bolsa? Que horas cê vai lê isso? Eu num leio. Então tá levano pra quê? Vai que eu leio. Sei lá. Acho que parei no final do Evangelho de São Mateus... Quê? Vamo saino. (Pausa) Não adianta me pedir: eu não vô segurá sua bolsa. Num tô pedino. Te conheço: na hora de escolhê roupa, vai falá: "Segura pra mim?". Eu não. Você sim. Ó, o ônibus! Segura minha bolsa? Num falei? É rapidinho: meu tênis desamarrô. Anda! Pronto. Oncê tá ino? O ônibus vai pará mais lá atrás, vem! Como é que cê sabe? Anda! Num falei? (Pausa) Aí, não: vai batê sol. Nossa! Cê qué mandá em tudo! Vai, vamo pr'ali. Segura a minha bolsa. Pra quê? Ué, cê mudô de lugá, o sol virô, num quero o sol na minha bolsa. Ô, saco. Saco o quê? Nada. Que calor. É. Que calor...


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