4 de julho de 2014

Estátua de Sal

Imagem de Aleposta

Minha pálpebra
tem um movimento
de fechar, quando quero ver,
e de abrir, quando não.
Achei que músculo
com vontade
fosse só o coração.
Agora tenho que suportar
um olho que pisca
sem que gato
passe por mim.

Minhas palpitações
ganharam companhia:
um olho trêmulo.
Se desistir de ver,
furo o outro também:
avistei o futuro,
e ele não sorriu.

Cara feia, malandro,
só a minha.

Viro estátua de sal
sem piscar -
me volto pra trás
sempre que posso.
O passado não desaponta:
foi como deveria ter
sido.
E fim.


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