13 de junho de 2014

Súplica ao santo

Tela: The Silk Merchant, Japan (1892), Robert Frederick Blum

O que guarda sob
esses panos?
Camadas
de mesuras, conveniências,
discrepâncias, desajuste.
Se seus nervos
estão à flor da pele,
imagine-os
sob os panos.

Ah, os panos.

Quantas retas,
lombadas, metros,
morros, declives
e poeira terei de
comer
até ver seus dedos
desabotoarem
essa camisa colorida?

Quantos silêncios
terei suportado?

Sou como o menino
que pula no lado de
fora,
tentando segurar
no ar
a vista do que vai
dentro.

Não sou beija-flor.

Cá no escuro,
onde não pode
me ver,
sua luz alcança
do topo do Itacolomi
à Mina de Chico Rei.
Me perco
nas coisas belas.

É pecado,
meu Deus,
barganhar com santo
pra ser notada?

Não sou cruel:
não arranco Jesus Cristinho
do colo de Fernando.
Mas beijo sua
tonsura
(que é dia dele)
e imploro:
"Traga-o pra mim!
Mesmo com nervos.
Mesmo cheio de panos!".


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