8 de junho de 2014

Pequena lição da almôndega

Tela: La Tailleuse de Soupe (1933), François Barraud

A almôndega que mamãe me trouxe me fez pensar um bocado.
Porque não comi. Não comi, porque não tive vontade. Outro veio e comeu.
Perdi.
Só me dei por isso depois, quando quis comer, e ela não existia.
E que ânsia eu tinha! Tarde demais.

Deveria eu ter comido mesmo sem apetite?
Ou só poderia ter feito o que fiz: arriscado a perdê-la até o desejo surgir?

Enquanto a água escorria, fui lembrando tanta coisa que preteri,
e depois me arrependi.
E o que parecia dispensável no momento, agora é tão essencial. (Saudade.)

Lição que fica: comer, viver, mesmo sem vontade. Saciando agora,
no presente, uma fome que existirá no futuro. Porque ela vem. Sempre virá.
(Junto a um coração apertado, lágrimas frias e pasmo.)


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