3 de junho de 2014

Luz do sol

Tela: Sunset over Waterloo Bridge (1916), Emile Claus

Tem coisa mais gostosa
que o sol do fim de tarde?
Parece um abraço.
Um afago no pescoço.
É um sol que prenuncia:
haja o que houver,
não estamos fritos.

É um sol que prolifera
uma preguiça absurda.
Tudo em slow motion:
o catador,
o cara com a pasta,
o vira-lata,
táxis que não passam.

Não é o do meio-dia,
mas prejudica os olhos.
Luz que força as pálpebras,
lacrimeja.
Faz sonhar
com bolada, busto,
olhar vidrado.

É duro quando se vai
e a última sombra
acaba.
E com o médio
capturo a lágrima
que não escorreu,
não secou.
Ficou parada.


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