3 de junho de 2014

Língua

Tela: The Useless Resistance (1770-73), Jean-Honoré Fragonard

Eu não tenho vergonha
da minha língua.
Tome esta: amor.
E mais esta: poente.
E outra: labareda.
Xeque-mate: cama.

A língua dança
na minha boca
e estala suave
nos dentes,
vestida de vogais,
consoantes,
vírgulas subentendidas,
exclamações ousadas:
"Oh!", "Ah!, "Eia!".

Não é universal,
não é a mais falada,
não precisa de biquinho,
nem na ópera é usada.

Mas é minha.
Com sufixos e flexões
que me embalam.
E que uso feito massa
pro bolo macio
do entendimento,
quando digo:
"Esta hora é sua, cabra".


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