6 de junho de 2014

Bruxa preta

Tela: Flowers (cerca de 1780), Jan van Os

Nosso engano é achar
que ninguém vai notar.
Somos calados,
retraídos,
educados, mas não
invisíveis.
Nossa alma gorda
não passa despercebida.

Foi o que a bruxa pensou
ao pousar
no azulejo da área.

Preta e impassível,
asas estendidas,
tomando banho de sereno
na luz apagada.

"Parada assim,
quem vai me ver
e espantar?"

Eu vi.
(Como não,
com aquela largura
na pequena área?)

Ri por dentro:
ela achava
que me enganava.

Depois parei:
vida afora,
acreditei também
que fazendo o mesmo
me dava bem.


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