8 de maio de 2014

Minhas boias vermelhas

Tela: In Gopsmor (1905), Anders Zorn

Algumas palavras
querem pingar.
Suspendo a caneta
e deixo:
lona, piscina,
arrepio.

Nas coxas,
o sol
que atravessava
o vidro
batia e ouriçava
os pelinhos.

No ar,
o cheiro de plástico
da bolsa
amarela de zíper,
com alças brancas.

Um gosto
de sorvete de
flocos.
Meus pés no chão.
O cabelo molhado,
grudado nas costas.

Mamãe me ensinou
a mergulhar.
Parei de súbito:
meu sutiã
saía do lugar.

Hoje,
não há marquinhas
no meu corpo claro.
Nem cloro,
toalha ensopada,
dedo enrugado.

Tenho esta
saudade das
boias vermelhas
que punha
nos braços -
não encontro
mais nada
que não me deixe
afogar.

Tela: Wet (1910), Anders Zorn


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