15 de maio de 2014

Líquida e certa

Tela: The nightingale's song (1904), Robert Walker Macbeth

Todos os dias,
ao pé da minha janela,
tem barulho de água
derramando.
Passaria despercebida,
se não escorresse
à noite, no escuro,
enquanto sigo pensando.

Alguém verte uma bacia?
Sacode sobras da mangueira?
Não sei.

Ela cai na mesma hora.
Líquida e certa,
como o sino da igreja.

Suja? Limpa?
Que importa?

Eis o meu privilégio:
mais uma companhia,
que assiste comigo
ao nascer da madrugada.

Além das chaves que tilintam,
motores que rosnam,
estouros isolados e
cães que ladram,
a água que estala
e em seguida some
silenciosa no chão.

Tela: Die Sentimentale (cerca de 1846), Johann Peter Hasenclever


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Um comentário:

  1. Linda, linda poesia da agua, sua companheira!

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