5 de abril de 2014

José Wilker foi embora

Foto: José Wilker em 2006 - Autor: Wilson Dias/ ABr

Eu não sabia que considerava o Zé Wilker uma pessoa tão próxima. Foi hoje, quase agora, com a notícia de que partiu. Acho a coisa mais esquisita: eu pus o Zé na categoria Imortal. Personalidade marcante, conversa agradável, cheio de vida. Estava ali. No Recife, no Rio de Janeiro, numa rua em Nova York, mas aqui.

Primeiro (e antes de tudo), o Zé era atraente. Aquelas sobrancelhas, aquele sorriso, aquele porte, aquela voz. A quantos e quantos documentários brasileiros eu assisti, tendo como condutora a sua narração. O seu falar tinha mãos, que nos pegavam delicadamente, pra nos levar aonde deveríamos chegar. E eu chegava.

Neste momento, pela Globo News, atores dizem tanto sobre a sua trajetória - Paulo Betti, Tony Ramos, Ary Fontoura e José de Abreu especialmente.

A TV não vai me ligar, porque não o conheci cara a cara. Então, uso este espaço pra registrar que acreditei em tudo o que o Zé falou pelas suas personagens. Pra dizer que quando ele entrava em cena, nas séries (JK) e nas novelas (Roque Santeiro; Senhora do Destino; Amor à Vida), eu não me levantava pra tomar água nem pra ir ao banheiro. Eu ficava.

Porque, para mim, deleite maior não há do que um homem bonito, interessante e inteligente falar de corpo e de alma coisas que queremos saber. (Ouvi dizer que não gostava do Doutor Herbert, porém me convenceu. E foi o meu ator favorito naquela trama insossa e polêmica.)

Encerro este texto breve me lembrando da mamãe (que não gosta de novelas), contando às pessoas que começou a ver Roque Santeiro justo quando o Zé Wilker chega de carro, sob chuva torrencial, à cidade de Asa Branca: Estou de volta pro meu aconchego.... Um príncipe de chapéu Panamá num carrão conversível branco, que roubaria o coração da Viúva Porcina, a ponto do autor Dias Gomes pensar em mudar o final da história.

Ator brilhante, diretor e cinéfilo, ele chega ao outro lado no susto - aposto. Por isso, Zé, meu conselho: recorde quando chegou ao Rio vindo do Nordeste. Seus amigos "em cana", você sozinho, dormindo dentro de ônibus, na praia. E achou um barato. Faça como fez: ache a felicidade aí onde está. Nesse novo Rio de Janeiro: a Vida Eterna. Saudades.


P.S. Morre no Rio ator José Wilker - ESTADÃO/ Cultura
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