17 de março de 2014

Sob o céu branco, nublado

Tela: Segler bei stürmischer See
Em alemão: Marinheiros em mares tempestuosos - 1898 - Andreas Achenbach

O mar
é refrigerante
sem tampa,
que retém gás:
não para de espumar.

Refrigerante
com cor de garapa.

Garapa suja,
antes de filtrar,
antes de perder
os fios da cana -
pronta pra tomar.

Mas mar
não se bebe.
Mar se
derrama na praia
e recua
pro fundo de si,
pra de novo
escaldar.

Swinemünde (1922), Willi Stöwer

O mar
dos meus sonhos
é escuro
sob céu branco,
nublado,
com ondas
que se atiram
e desistem:
bem suaves.
Nada iguais.

Pra mim,
mar e chuva
têm rima -
se um quiosque me abrigar.

Se o mar
não é verde esmeralda,
pra quê
melhor clima?

Pra quê
céu azul
pra ficar assistindo
à maré avançar,
soterrar a canela
do vovô esquecido,
apagando
vestígios
de quem se pôs
a andar?

O mar
é refrigerante
espalhado.
Nesse tempo
fechado,
traz cor de garapa.
Alga seca,
estrela tonta,
concha quebrada.

Não ligo:
apenas olho,
respiro.
E me ponho
a pensar...

Seascape with Distant Lighthouse, Atlantic City, New Jersey (1873), William Trost Richards

Importante:

Todos os Poemas escritos e publicados no Blog acatolica.com
são sistematicamente registrados
junto ao Escritório de Direitos Autorais (EDA)
da Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro (BRASIL).

Nenhum comentário:

Postar um comentário