10 de março de 2014

Das 9 às 23

Tela: Baum und Haus (1919), Amedeo Modigliani

A casa tinha uma
forma.
A criança nasce,
a criança chega, fica
disforme.
A casa se
transforma.

A criança é toda
pra fora.
Se abre
pro mundo:
mexerica
gostosa.

Eu não.

Como manga
passada,
não me dou
a consumo.
Não presto pra
nada:
moro na
casca.

A criança
se atira.
(Tem rede
na janela.)

Monologa
com avião,
helicóptero,
sol,
lua (sobretudo).
A árvore.
O passarinho.
O cão.
Ela cantarola.
Não se cala.

Já eu,
cada vez
mais plantada,
parada,
ganho tez
do taco,
cor
da fórmica.
Quadrada,
ríspida...

... Me contento
no fluxo da luz,
no desgaste dos troços,
na criança mexer.

Na casa a mudar.

The house with cracked walls (1892-94), Paul Cézanne


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