21 de março de 2014

Aquele homem no alto

Swedish author Viktor Rydberg reading a book in his rocking-chair - 19th century - Anders Zorn

Onde você está?
Sei da sua
profissão.
Sei onde mora -
num ponto
alto, de nome
poético,
por onde quase
não vou.

O que você faz?
Vejo-o nítido,
uma janela atrás,
sentado na cadeira,
as duas mãos postas
na sua oração
preferida:
ouvir e pensar.

Vejo sua rotina:
igual à de todos
nós.
Chegando de elevador,
dizendo: "Bom dia".
"Você, como vai?"

Sua cabeça,
também a conheço:
panela que pela,
dourando
bacon e ovos,
fritando ideias.

Você caminha
pr'um lado e pro outro
acima de todos, acima de
nós.

Não podemos tocá-lo:
você é pipa no céu.

Pra comovê-lo
e trazê-lo
à terra é preciso
beleza e grandeza -
desfalques meus.

Você está longe,
mas boia na mente.
Sentado
na cadeira que gira,
com seu olhar grave,
seu sorriso
curto.

Sei que está
bem. Que está vivo.
Sei também
meu devido lugar.
Sei que andará
seu caminho
justinho assim:
além de todos. Além de
nós.

Algeron Moses Marsden (1877), James Tissot


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