25 de fevereiro de 2014

Starry, Starry Night

The Starry Night (A Noite Estrelada) - 1889 - Van Gogh

Que surpresa descobrir, aos 9 anos de idade, que o céu é tão povoado! Estrelas, pra mim, eram como gatos pingados. Sobre o morrinho vermelho, cercada da mata escura, apontei o queixo pra cima e me assustei com a luz. No meio do povaréu, a lua se mostrou recatada! Espetáculo vulgar: o firmamento, antes tão tenebroso, reunia agora um elenco histérico e caudaloso. "Brilho, eu!" "Não, brilho eu!"

Voltei meu olhar para a mata. Folhagem sem graça de dia, verde-garrafa de tarde, à noite definiu sua forma e me conquistou. Apagada como o céu da cidade, desejei - e não pude - me embrenhar: palpite que me aceitaria, me envolveria e me daria um presente. Por que no claro é tão feia, e no breu, beleza pura?

Starry Night (1850-65) by Jean-François Millet

Aqui e ali vaga-lumes piscavam. Odor da terra vermelha, barulhinho de grilos secos, a lua inerte no alto. Era um tempo sem grades, nem sequestro-relâmpago. A metros do corpo franzino, a casinha rota que só dali a 10, 15 anos ganharia um segundo andar. Dentro dela, abrigados, escondidos, 2 avós que se foram, 2 padrinhos tão longe e meus trecos de menina, que hoje (existência franzina) não me cabem mais.

Starry night over the Rhône (1888), Van Gogh


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