29 de julho de 2013

O Papa VERSUS will.i.am e outros artistas Pop


Papa Francisco veio ao Brasil falar de valores que batem de frente com o que
os jovens do mundo são expostos todos os dias nos videoclipes e nas rádios


Imagem: Papa Francisco participa de inauguração do Polo de Atendimento
a Dependentes Químicos do Hospital São Francisco (Rio de Janeiro, BRASIL) -
24-7-2013 - Fotografia de Tomaz Silva/ Agência Brasil


Acabei de assistir ao trechinho de um videoclipe do cantor norte-americano will.i.am com o canadense Justin Bieber. A letra de That Power fala sobre ter dinheiro, roupas caras e poder. Enfim, sobre ser o Nº 1:

will.i.am performs at Vivid Sydney -
Sydney 2012 -
Fotografia de Eva Rinaldi
Me chamam de Will-A
Fico tão tranquilo, estou relaxado
Já ganhei aquele milhão
Estou a caminho daquele bilhão
Eu tinha um cofrinho
Mas agora tenho um banco maior
Quem, quem se importa com o que os invejosos pensam?
Eles me odeiam porque fazemos o que eles não podem

(...)

Fiz isso por causa da minha mãe
Disse a ela quando era mais jovem
Que eu seria aquele número
Um, sim, serei aquele número um
Vou subir mais alto
E alto, alto e mais alto
Fico e compro aquela roupa
Continuo queimando como aquele fogo...

Ultimamente, os canais de TV a cabo também exibem o videoclipe do norte-americano Pitbull que, junto a Christina Aguilera, canta sobre um "castelo dourado", que um dia ele há de conquistar. Até lá, já vive confortavelmente e, assim como will.i.am, veste-se com roupas caras. Eis trechos da letra de Feel This Moment:

International Planet Pit Tour -
Sydney via AllPhones Arena
at Homebush in Sydney's west -
September 2012 -
Fotografia de Eva Rinaldi
Peça dinheiro e ganhe um conselho
Peça um conselho, ganhe dinheiro em dobro...

(...)

Falando ao vivo dos prédios mais altos de Tóquio
Muito longe das coisas difíceis
(...)
Eu a prendi
Pois ela me viu de terno com a gravata vermelha
Christian Gris, prazer em conhecê-la
Mas tempo é dinheiro
A única diferença é que eu sou o dono
Agora vamos parar o tempo e aproveitar este momento

(...)

Eu vejo o futuro, mas vivo o momento
Faz sentido, não?
Agora ganhe dinheiro; quero dizer, bilhões
Sou um gênio; quero dizer, brilhante
As ruas é que lhe ensinaram
E o tornaram o mais esperto, Rick é o rei
Perdi muita coisa, e aprendi muito
Mas ainda não fui vencido, como Shula
Estou longe de ser barato
Quebro empresas com minhas piscadas
Baby, podemos viajar pelo mundo
E posso lhe dar tudo o que você pode ver
Tempo é dinheiro
A única diferença é que eu sou o dono
Como um cronômetro, vamos parar o tempo
E aproveitar este momento, manda ver...

Desde que Madonna entoou Material Girl em 1985, alguns artistas, sobretudo os norte-americanos, em vez de cantar sobre as dores de amor, preferem fazer rimas com tudo o que os dólares podem comprar. E são esses artistas que são admirados e seguidos pela juventude em todo o mundo, a mesma a que o Papa Francisco se dirigiu na última semana aqui no Brasil, ao longo da 28ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Dinheiro.

Na parte final da entrevista exclusiva que o sucessor de São Pedro deu ao repórter Gerson Camarotti da Globo News durante a sua visita ao Brasil, que foi ao ar na noite desse domingo, 28 de julho, no programa Fantástico da Rede Globo de Televisão, ele frisou o que as 3 canções mencionadas acima (That Power, Feel This Moment e Material Girl) indicam: que o mundo inteirinho, infelizmente, está rendido ao dinheiro. Aqui, o trecho que destaquei:

Festa da Acolhida, na orla de Copacabana (Rio de Janeiro, BRASIL) -
25-7-13 - Fotografia de Fernando Frazão/ Agência Brasil

Público que deve chegar a 3 milhões, segundo a Prefeitura do Rio,
assiste ao Papa Francisco celebrar a Missa de Envio pela 28ª JMJ,
na praia de Copacabana - 28-7-2013 - Fotografia de Tânia Rêgo/ ABr

Público que deve chegar a 3 milhões, segundo a Prefeitura do Rio,
assiste ao Papa Francisco celebrar a Santa Missa pela 28ª JMJ,
na praia de Copacabana (BRASIL) - 28-7-2013 - Tânia Rêgo/ ABr

Este mundo atual, em que vivemos, tinha caído na feroz idolatria do dinheiro. E há uma política mundial, mundial, muito impregnada pelo protagonismo do dinheiro.

Quem manda hoje é o dinheiro.

Isso significa uma política mundial economicista, sem qualquer controle ético, um economicismo autossuficiente e que vai arrumando os grupos sociais de acordo com essa conveniência.

O que acontece então?

Quando reina este mundo da feroz idolatria do dinheiro, se concentra muito no centro. E as pontas da sociedade, os extremos, são mal atendidos, não são cuidados, e são descartados.

Até agora, vimos claramente como se descartam os idosos. Há toda uma filosofia para descartar os idosos. Não servem. Não produzem. Os jovens também não produzem muito. É uma carga que precisa ser formada.

O que estamos vendo agora é que a outra ponta, a dos jovens, está em vias de ser descartada. O alto percentual de desemprego entre os jovens da Europa é alarmante. Nós vemos um fenômeno de jovens descartados.

Então, para sustentar esse modelo político mundial, estamos descartando os extremos. Curiosamente, os que são promessa para o futuro. Porque o futuro quem nos vai dar são os jovens, que seguirão adiante, e os idosos, que precisam transferir sabedoria aos jovens. Descartando os dois, o mundo desaba.

Papa Francisco chega à Basílica de Aparecida (BRASIL) - 24-7-13 -
Fotografia de Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Francisco entre peregrinos argentinos durante a JMJ 2013
- 25-7-2013 - Fotografia da Agência Brasil

Hoje, há crianças que não têm o que comer no mundo.

Crianças que morrem de fome, de desnutrição, basta ver fotografias de alguns lugares do mundo. Há doentes que não têm acesso a tratamento. Há homens e mulheres que são mendigos de rua e morrem de frio no inverno. Há crianças que não têm educação. Nada disso é notícia.

Mas quando as bolsas de algumas capitais caem 3 ou 4 pontos, isso é tratado como uma grande catástrofe mundial.

Esse é o drama desse humanismo desumano que estamos vivendo. Por isso é preciso recuperar os extremos, crianças e jovens. E não cair numa globalização da indiferença, em relação a esses dois extremos que são o futuro da população.


Após essas palavras do Papa, voltemos ao início deste Post do Blog A Católica.

Falar de solidariedade, simplicidade e humildade para uma juventude que liga o rádio ou se conecta à Internet e ouve e assiste massivamente a artistas Pop como Lady Gaga vestirem-se de grifes caras, dirigirem carrões, exibirem o último modelo de iPod e de iPhone e dizerem como é bom ser o Nº 1 é, no mínimo, louco. Sim, louco.

No mundo de hoje, em que 99% dos Blogs de maior audiência são aqueles nos quais as meninas ricas postam as comidas caras que andaram consumindo, os lugares paradisíacos que andaram visitando e as roupas caras que vestiram no dia de ontem...

Em que os artistas aparecem nas revistas de celebridades mostrando suas casas luxuosas, cuidadosamente decoradas; em que pessoas como o empresário Eike Batista, que só pensam em expandir investimentos e multiplicar dinheiro, são exaltadas como "deuses" a serem cultuados e exemplos a serem seguidos, falar de "pensar no outro", "ir ao encontro do necessitado", "manter a esperança, que a realidade pode mudar"...

... Parecem colocações de alguém desatento ou fora de si.

O materialismo está tão disseminado, que durante a homilia da missa desse domingo, 28 de julho, o pároco da Igreja de Bom Jesus, aqui em Belo Horizonte, contou que durante uma visita sua a São Paulo, uma senhora se aproximou dele "desesperada", porque a situação financeira da família está "tão apertada", que ela não vai poder trocar de carro (!!).

Ou seja: o desespero não era por não ter o que comer. Não era pela falta de dinheiro para pagar a conta de luz ou de condomínio, mas simplesmente por continuar em 2013 com um carro do ano de 2012. Muitos de nós perdemos a noção. Nossos valores estão como cartas de baralho depois de um jogo atribulado: misturados, esparramados, caídos no chão.

E aí surge o Papa Francisco para nos lembrar a todos, católicos ou não, jovens ou nem tanto, que Cristo na cruz é o Norte. Nada aquém. Nada além. Tremenda loucura. Mas essa é a proposta que ele foi desdobrando em cada um de seus discursos no Rio de Janeiro e na cidade de Aparecida. Nós temos que aceitar e pôr em prática.

O que mais me instigou ante tudo o que aconteceu na última semana não foi o tremendo carisma do Sumo Pontífice argentino. Eu já sabia que ele era assim (vide o Post do Blog Fratello, hermano: o novo Papa e Francisco de Assis). O que me desperta e me comove, me paralisa e me consome, é se eu, você, é se nós vamos conseguir trabalhar e nadar contra essa corrente brava da idolatria do materialismo e do dinheiro. É "pagar" pra ver...

Papa Francisco participa de inauguração do Polo de Atendimento
a Dependentes Químicos do Hospital São Francisco (Rio de Janeiro, BRASIL).
O Santo Padre abraça jovem em recuperação, depois do depoimento dele
- 24-7-2013 - Fotografia de Tomaz Silva/ Agência Brasil

P.S. Para assistir à entrevista completa, acesse este Link: Fantástico exibe entrevista exclusiva com Papa Francisco.


Importante:

Todos os Poemas escritos e publicados no Blog acatolica.com
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da Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro (BRASIL).

2 comentários:

  1. Oi Ana! Ótimo post, como sempre =]

    Sobre os artistas citados, nem precisamos ir tão longe para perceber o quanto essa idolatria ao dinheiro já está impregnada nas músicas que a maioria dos jovens escuta. Basta prestar atenção nas letras do chamado "funk ostentação" que são de um nível lastimável...aliás, o programa A Liga da Band fez uma matéria sobre esse movimento com os principais MCs de São Paulo, vale a pena ver no youtube e se chocar com o que eles falam rsrsrs

    Espero que a visita do Papa Francisco provoque uma reflexão na sociedade como um todo sobre esse assunto.

    Abraços!

    Marcela

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  2. Nossa! Que postagem! Ah, que bom voltar a encontrar seu blog, Ana, e ler esse post tão bem refletido sobre a visita do Papa Fco. Vou compartilhar.
    Beijo e muita paz!

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