3 de abril de 2013

Boca fechada e espinha ereta


Neste Post, A Católica traz uma pequena reflexão
sobre a postura que precisamos (re)aprender a ter na vida.
Em qualquer circunstância. Até dentro do ônibus...

(Imagem: Publicity photo of Virginia Myers - young dancer, by BEDownes)

Ando observando detalhes do comportamento do meu filho de um ano, Jaime Augusto. Ele mastiga de boca fechada. E, ao se assentar, fica com as costas retinhas. Desaprendemos isso. Minha irmã, Andréa Cristina, teve que fazer aulas de balé clássico para melhorar a postura (vivia "corcunda"). Quanto a mim, passei a pré-adolescência inteira ouvindo minha mãe ordenar: "Mastiga de boca fechada, Ana Paula!".

É... Esta é uma vantagem de ter a mãe em casa, com quem nos sentamos à mesa na hora das refeições: observar como nos portamos e ouvir o que dizemos. Minha irmã e eu chegávamos do colégio em torno do meio-dia e almoçávamos com Mamãe Gali, contando a ela (quase) tudo: paixonites, amigos que pisaram na bola (como dizemos aqui no Brasil) e, certamente, nossos sonhos.

Era o momento de a mamãe me corrigir. E de tentar corrigir a minha irmã: "Senta direito, Andréa!".

Lembrei isso anos atrás, quando a Rede Record exibiu a primeira temporada do reality show A Fazenda. Um dos participantes, um ator jovem e bonito, mastigava de boca aberta - o que incomodava e gerava comentários entre as outras celebridades, confinadas no mesmo local. Na hora, pensei: "É... Esse não teve a mãe presente à mesa, para lhe corrigir os maus hábitos".

Vai ver que essa é a razão de, pelo menos aqui no Brasil, tantos de nós mastigarmos de boca aberta, não dizermos "Obrigada" nem pedirmos "Com licença", nem muito menos "Me desculpe". As mães não estão mais em casa. E, quando estão, não têm disposição de educar: querem logo emperiquitar os filhos para os levar ao shopping e enchê-los de distrações, roupas caras e brinquedos idem. Deve haver exceções - eu espero.

Contudo, este Post d'A Católica não é pra falar das consequências de não se ter mais mães em casa, educando constante e presencialmente as crianças. É para falar de postura. Física, mas sobretudo da alma.

Se nalgum dia fomos todos como meu filho Jaime Augusto, ou seja, de costinhas eretas; com o passar do tempo, a vida vai nos entortando... (Ou desentortando, conforme a nossa sorte.)

E sobre "entortando", se tem uma coisa que me esmorece é entrar em um ônibus e ver passageiros com má postura, apoiando o queixo numa das mãos, com a cabeça recostada na janela. E o olhar perdido... Numa vez, percebi que eu também estava assim e, com presteza, mudei de posição. Minha postura abatida poderia contaminar com desânimo e até desesperança quem me visse daquele jeito.

E por haver lido, em uma revista feminina, que sentimentos provocam nosso agir, mas que o contrário também pode ocorrer, ou seja, a nossa postura afetar o nosso sentimento ("Aja como uma mulher ousada e você se tornará uma"), é que ergo as costas, levanto a cabeça e olho para frente. Mesmo que a visão mais alentadora seja apenas a do trocador do ônibus ajudando a senhora cheia de sacolas a passar pela roleta.

Inside of a bus in Macau - Fotografia de Mo707


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