23 de março de 2013

Fratello, hermano: o novo Papa e Francisco de Assis

Conheça a vida do italiano São Francisco de Assis
que, com a ajuda de um cardeal brasileiro,
inspirou o nome (e revela o perfil) do Pontífice argentino

Imagem: Papa Francisco - 18 March 2013 - Fotografia: Casa Rosada


Este Post do Blog A Católica é dedicado a minha irmã Andréa Cristina.

Graças ao telefonema dela, pude acompanhar ao vivo,
pela TV Canção Nova, a primeira aparição do Papa Francisco.
(O que me custou chegar bastante atrasada ao médico...)


Li uma vez que a mãe da cantora Simony adorava o nome Simone. Mas, como já havia uma cantora de sucesso aqui no Brasil com esse nome, decidiu trocar o E pelo Y, pois tinha a certeza, em seu coração, de que sua filha também seria famosa. Assim, optou por Simony, com Y. E não é que a filhota brilhou mesmo nos palcos e programas de TV brasileiros nos anos 1980? Coração de mãe não erra - é o que dizem.

Quando foi a minha vez de escolher um nome para o meu rebento, católica que sou, já determinei para mim mesma que ele teria nome de santo ou um nome bíblico. Porém, eu também queria homenagear algum parente querido, que se foi. Pesquisando, descobri que o nome do meu primeiro avô materno - isto mesmo: primeiro, porque tive dois -, bem, descobri que o nome do Vovô Jaime era JACÓ em espanhol.

Jacó, como sabemos, é um personagem bíblico: neto de Abraão e filho de Isaac.

Conforme o Guia Visual da História da Bíblia (National Geographic, 2008): "Com a ajuda da mãe [Rebeca], Jacó conseguiu ser abençoado pelo pai, Isaac, no lugar do seu irmão, Esaú. A bênção lhe prometia prosperidade e bem-estar, assim como dominação sobre o irmão. Qualquer pessoa que Jacó abençoasse receberia a bênção, e qualquer um que ele amaldiçoasse ficaria amaldiçoado".

Também homenageei outro avô, o paterno: Raul Augusto - que tem uma categoria dedicada a ele aqui no Blog A Católica. O nome do meu menino, então, ficou assim: Jaime Augusto.

Jaime (Jacó, em espanhol) significa "aquele que vem no calcanhar"; "o que suplanta"; "vencedor". Quanto ao segundo nome, Augusto, é uma variação do latim Augustus e significa "dignidade majestática; sagrado, sublime". No nome escolhido está impressa a expectativa de que meu filho seja um vencedor sublime de si mesmo. Que ele se suplante e conquiste o Céu.

Papas também têm que escolher o nome por que deverão ser chamados - basta conferir a pergunta de número 11 do Post d'A Católica Habemus papam! Ops. O que é um Papa?. O primeiro deles, São Pedro, chamava-se Simão.

Szene: Der Hl. Petrus empfängt die Schlüssel - Early 11th century -
Meister des Perikopenbuches Heinrichs II -
Fonte: The Yorck Project 10.000 Meisterwerke der Malerei, 2002

De acordo com Padre Léo, em uma de sua maravilhosas pregações, o nome Simão evocava algo "movediço", "instável". Cristo o trocou por Cefas, que é pedra em grego: "Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: 'Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas' (que quer dizer pedra)" (Jo 1, 42). Pedras são firmes. Estáveis. Dessa forma, Simão, o "inconstante", iria se tornar Pedro, o "inabalável".

Nosso novo Papa, eleito em 13 de março de 2013 e conhecido como Jorge Mario, também mudou de nome: agora é simplesmente Francisco ou Franciscum (na forma latinizada). Por que Francisco?

6 de março de 2013

Valentim: o santo sem vergonha

Em vários países, o Dia dos Namorados se chama Valentine's Day
(ou Dia de São Valentim). De fato, o testemunho desse santo
é uma prova iluminada do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo


(Imagem: Valentine's Day - Prang's Valentine cards. Advertisement for
Prang's greeting cards, showing a woman holding a group of tethered cherubs,
who float like a bunch of balloons above her - 1883 - Boston L. Prang & Co.)


Este Post do Blog A Católica foi escrito por sugestão
do internauta Fabricio Biela Vassoler,
coordenador da equipe de liturgia em sua paróquia


Hoje em dia está dureza reconhecer um católico. Um cristão. Há muito tempo não vejo um católico fazer o Sinal da Cruz ao passar diante de uma igreja. Seja quando estou a pé, caminhando pelo centro de Belo Horizonte (onde nasci e vivo), seja quando viajo de ônibus. O coletivo passa na Avenida Afonso Pena, em frente à Igreja São José, e dificilmente alguém se arrisca a exibir sua devoção às dezenas de passageiros.

Nos shoppings centers é a mesma coisa. Nas "Praças de Alimentação", diante da bandeja com hambúrgueres, massas ou comida japonesa, pessoa alguma faz o Sinal da Cruz para abençoar a refeição.

Eu era assim, envergonhada em mostrar a minha fé.

Levava a ferro e fogo (como dizemos aqui no Brasil) aquela passagem da Bíblia na qual Jesus Cristo diz que o melhor é orar dentro do quarto, com a porta fechada, "em segredo", sem que ninguém nos veja (Mt 6, 5-6). Contudo, reconhecer que uma igreja é a Casa de Deus, que lá está o Corpo de Cristo, e abençoar a comida antes de degustá-la não é exibicionismo barato nem hipocrisia - aquilo que Nosso Senhor condenava nos fariseus (ver página ABCatólica) -, e sim demonstração de fé.

Pois o dia em que ouvi Padre Léo contar em uma de suas maravilhosas pregações que os muçulmanos, não importam onde estejam, deu determinado horário, se ajoelham voltados para Meca, a fim de orar, fiquei chocada. Quero dizer: admirada. Padre Léo disse que testemunhou alguns muçulmanos tomarem essa atitude ali, no saguão de um aeroporto, na frente de um monte de gente. Eles se ajoelham. Nós temos vergonha do Sinal da Cruz.

Para mim, a ausência desse gesto simples com a mão direita e das palavras Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo - gesto simples e carregado de bênçãos - sinaliza uma fé fria, prestes a se apagar, como a chama trêmula de uma vela derretida, no fim. E foi justamente o contrário disso, a robustez da fé, a falta de pudor em testemunhar a filiação à Igreja, a Nosso Senhor Jesus Cristo, o que me tocou ao conhecer a vida de São Valentim. Ou melhor: a vida de dois São Valentim.

Isto mesmo: há dois São Valentim na Igreja Católica. E ambos são celebrados no mesmo dia: para alguns autores, dia 13 de fevereiro; para outros, no dia 14. Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini, no livro Um Santo para Cada Dia (Paulus, 1996), afirmam:

De nome Valentim são dois os santos canonizados. Ambos viveram no século III. Uma simpática tradição dos países saxônicos diz que a festa de são Valentim assinalava a época dos pássaros fazerem ninhos, o despertar da natureza e do amor. São Valentim tornou-se por isso o patrono dos noivos. Qual dos Valentim? O sacerdote romano que foi martirizado em 268 ou o bispo de Terni [Itália], que foi também martirizado cinco anos depois?

1 de março de 2013

Habemus papam! Ops. O que é um Papa?

A Católica pesquisou e compilou quase tudo
o que você sempre quis saber sobre um Papa.
São 20 dúvidas resolvidas. Tire-as AQUI

Imagem: Papa Paulo VI (1963-1978) - 1963 - Vatican City (picture oficial of pope)


Para Farney e Jaime Augusto,
pela paciência que tiveram comigo,
durante a preparação deste Post do Blog A Católica.


1) O que é um Papa?

Vamos começar pela semântica da palavra “Papa”.

Conforme o professor Richard P. McBrien, em Os Papas - Os Pontífices de São Pedro a João Paulo II (Edições Loyola, 2004), “papa” significa “pai” em italiano. Ele revela que o termo se aplicava, “nos primeiros séculos da história da Igreja, a todos os bispos do Ocidente” e, no Oriente, aos padres e ao patriarca de Alexandria - patriarca, segundo o autor, é “o título do mais alto bispo de igreja autônoma ou de federação de igrejas locais (conhecidas como dioceses ou eparquias)”.

Contudo, em 1073, o papa Gregório VII (1073-1085) determinou formalmente que o uso do título de “papa” ficava proibido para todos, a não ser ao bispo de Roma. Ainda de acordo o professor Richard P. McBrien, além de bispo de Roma, o Papa

Tem vários outros títulos: vigário de Jesus Cristo, sucessor do chefe dos apóstolos (vigário de Pedro), supremo pontífice da Igreja universal, patriarca do Ocidente, primaz da Itália, arcebispo metropolitano da província romana, soberano da cidade-estado do Vaticano e servo dos servos de Deus.

O padre jesuíta Thomas J. Reese, no livro O Vaticano por dentro - A Política e a Organização da Igreja Católica (Edusc, 1999), enumera os seus papéis: “Ele é o bispo de Roma, o governante soberano do Estado da Cidade do Vaticano, e o sucessor de São Pedro como chefe do colégio dos bispos.” E destrinça cada um deles:

Como bispo de Roma, é diretamente responsável pelas necessidades espirituais dos 2,6 milhões de católicos da diocese de Roma, assim como todos os bispos de todo o mundo são responsáveis pelas necessidades espirituais dos fiéis de sua Igreja local.

Como monarca da Cidade do Vaticano, um Estado independente [...], o papa é chefe de Estado civil como qualquer outro monarca de um Estado pequeno reconhecido no direito internacional.

Como chefe do Colégio dos Bispos, que inclui todos os bispos do mundo, o papa lidera e dirige a Igreja Católica, sobre a qual ele e o Colégio têm a suprema autoridade.

Fotomontagem feita na Europa, em 1889, com os maiores governantes do mundo.
Nota: Dom Pedro II, então imperador do Brasil, é o 8º da esquerda pra direita.
Papa Leão XIII (1878-1903) aparece bem à direita - Autor Desconhecido

(CLICK na imagem para vê-la ampliada)

Pope Leo XIII (circa 1898),
Historical Publishing Co., Pittsburg, PA

O sacerdote pontua: “O Estado da Cidade do Vaticano é um Estado soberano reconhecido no direito internacional. Quando um homem é eleito bispo de Roma e papa, também automaticamente torna-se dirigente da Cidade do Vaticano”. Ele continua: “Como governante da Cidade do Vaticano, o papa é o último monarca absoluto da Europa, com autoridade legislativa, judicial e executiva suprema”.

Jose Puente Egido, na obra Personalidad Internacional de la Ciudad del Vaticano (Instituto Francisco de Vitória, 1965), qualifica a função do Papa de maneira semelhante: “Conforme o tratado [de Latrão], a legislação interna vaticana conferiu ao Estado da Cidade do Vaticano um regime que se identifica notavelmente com o de uma monarquia absoluta”.

O jornalista J. D. Vital, em Quem calçará as sandálias do pescador? (Ed.Autor, 2003), cita a nova Lei Fundamental da Cidade do Vaticano, de 26 de novembro de 2000, e informa que o Papa é aquele que:

Será “Soberano” com “a plenitude dos poderes legislativo, executivo e judiciário”. O único, de acordo com o artigo 19 da Lei que substitui o documento baixado em 1929 por Pio XI [1922-1939], com “a faculdade de conceder anistia, indulgência, perdão e graça”.

O também jornalista Nino Lo Bello, autor de O incrível livro do Vaticano e curiosidades papais (Editora Santuário, 2003), pondera: o Papa “não é apenas o chefe executivo do país, mas também o legislativo e o judiciário; entretanto, não é nenhum ditador nem déspota”.