30 de janeiro de 2013

Jaime Augusto faz 1 ano

Meu filho nasceu há um ano, na Hora da Misericórdia.
Neste Post do Blog A Católica, eu conto
tudo o que a maternidade me trouxe. (E me tirou...)


Imagem: na foto, tirada há 15 dias, Jaime Augusto
dá as Boas-Vindas à prima Manuela Camargo.
Ana Paula~A Católica - acatolica.com

Pode haver coisa mais linda do que acompanhar de pertinho, de camarote, um ser humano se desenvolver? Crescer fisicamente, treinar habilidades, vencer os próprios limites (ainda são tantos!...) e conquistar os espaços?

Há exatamente 1 ano, "na Hora da Misericórdia" - como bem lembrou a minha Tia Olímpia -, Jaime Augusto chegou a este mundo. Desde então, desconheci o que é dormir uma noite toda sem interrupções, o que é assistir à TV quando eu bem entender, como abrir um livro entre 9h da manhã e as 10h da noite e conseguir ler ao menos uma página inteira, bem como o prazer de sair para passear, sozinha, sem hora pra voltar.

Sim: houve perdas. Fiquei sobretudo sem tempo. Sem tempo para mim mesma.

Porém, houve um ganho e tanto: nada que eu, Ana Paula, vivi até agora em 36 anos de vida se equipara ao prazer de ver Jaime Augusto me abraçar apertadinho e deslizar suas mãozinhas pelo meu cabelo, quando o sono lhe pesa. Adoro sua gargalhada, adoro quando expressa fonemas ininteligíveis e quando se equilibra sobre um dos joelhos, tentando ficar de pé (ou ao menos um palmo mais alto do que o nível do chão).

28 de janeiro de 2013

Dona Zé e os 231 jovens que morreram no Sul do Brasil

Ao contrário da senhora de 72 anos, 4 meses e 15 dias,
os estudantes que partiram devido à tragédia em boate no Brasil
não aprenderão as lições que só o passar dos anos nos traz

(Imagem: fotografia de George Hodan)

Achei que eu iria embora pra casa tão logo a missa terminasse. Não foi bem assim. O padre (cujo nome não sei) pediu que nos assentássemos, porque seria feita uma homenagem. Lá na frente uma mulher, que me pareceu nova, começou a ler um texto tão bem redigido, tão cheio de palavras precisas, que até mesmo as crianças ficaram quietinhas, esperando que ela terminasse. Não reclamaram.

O texto era sobre a sogra dela, que havia falecido aos 72 anos, quatro meses e 15 dias de vida. Tinha um monte de apelidos. Memorizei um: "Dona Zé". Assim mesmo, no masculino.

A nora, cujo nome também não sei, descreveu a personalidade de Dona Zé: "Para ela, era oito e oitenta. Em todas as áreas de sua vida, detestava o 'mais ou menos'"; contou que a lasanha da sogra era "deliciosa" e que se desentendiam em alguns aspectos, sobretudo na pontualidade: "Eu chegava a um compromisso uma hora e dez; ela queria que eu chegasse [faltando] dez pra hora...". Gostei desse jogo de palavras.

Emocionada, continuou: "Ela pedia pra não ser importunada depois das 20 horas, mas estava a postos pra todo mundo, a hora que fosse; gostava de sua casa, porém arrumava qualquer pretexto pra dar uma saída; estava idosa, contudo se sentia com energia suficiente para se inscrever no coral da igreja e cantar no meio dos jovens, dos adolescentes. Eu a respeitava pelo simples fato de ser a mãe do meu marido e avó dos meus três filhos, mas passei a amá-la: foi uma sogra e tanto, que me defendia como uma tigresa".

Ao final da leitura, muitos na igreja choraram e a nora foi aplaudida de pé. Eu fui uma dos que se levantaram entusiasmados e cantaram junto ao coral: "Nossa Senhora, me dê a mão... Cuida do meu coração. Da minha vida... Do meu destino... Do meu caminho... Cuida de mim" - melodia famosa na voz do ídolo Roberto Carlos.

Na madrugada desse domingo, cerca de 230 jovens*, a maioria na faixa dos 20 anos de idade, foram fazer companhia à "Dona Zé".

21 de janeiro de 2013

Pragmatismo, ostentação e... Vinícius de Moraes

O saudoso artista, como observou Chico Buarque,
representa um mundo bastante diferente
da sociedade frívola na qual vivemos

(Imagem: Como funciona Vinícius de Moraes)

Assisti pela quarta vez ao excelente documentário Vinícius - Quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores? (2006), de Miguel Faria Jr. Quem ama Música Popular Brasileira (MPB), como eu, precisa ver. Porque Vinícius de Moraes - sobre quem já escrevi um Post aqui no Blog A Católica: A bênção, Vinícius de Moraes! - está entranhado na história da música no Brasil: foi um dos criadores da Bossa Nova e dos Afro-Sambas. Sem contar as inesquecíveis composições que fez com Toquinho.

Nem sempre a uma bela obra - além de musicista e letrista de primeira, Vinícius de Moraes era um grande poeta -, bem, nem sempre a uma bela obra está atada uma personalidade marcante. No caso de Vinícius, estava. Por trás de criações ímpares do cancioneiro nacional como Tarde em Itapoã, Garota de Ipanema e Canto de Ossanha, havia um homem generoso, espirituoso, amoroso, atencioso... Apaixonado.

No final do filme, quando os entrevistados - entre eles: Tônia Carreiro, Gilberto Gil e Ferreira Gullar - devem dizer como imaginavam que Vinícius de Moraes estaria hoje, caso fosse vivo, Chico Buarque disse algo que me impressionou. Suas palavras foram:

Não sei onde estaria Vinícius de Moraes hoje em dia, porque ele é o contrário de muita coisa que hoje é vitoriosa, quer dizer, a ostentação... Ele tinha toda esta coisa muita generosa, às vezes ingênua, às vezes porra-louca... Uma coisa que não existe mais hoje: nem a porra-louquice, nem a generosidade, muito menos a ingenuidade. Existe sempre um resultado que se busca, um objetivo, uma coisa pragmática e tal. Tudo o que Vinícius não era.

Então, Vinícius faz muita falta hoje. Talvez ele não pudesse mesmo estar vivo sendo "Vinícius" hoje. Não imagino em que lugar ele estaria dentro deste país em que a gente vive. Deste país e deste mundo.

17 de janeiro de 2013

Paixão por lápis e livros

Remexer numa caixa antiga, cheia de lápis de cor,
a fim de distrair o meu filho,
me fez pensar na infância e na brevidade da vida de todos nós...

(Imagem: fotografia de George Hodan)

Costumo pegar uma série de objetos durante as refeições do Jaime Augusto. Desde brinquedos até porta-copos, rolos de fita crepe, controles remotos de DVD... Tudo para distrair o meu filho, de modo que ele coma tudo. Hoje, passando o dia na casa dos meus pais, abri uma das gavetas do quarto de TV e encontrei uma caixa, a qual já tinha visto antes, porém não havia reparado bem.

Ela está repleta de lápis de cor. Antigos: quase todos sem ponta. Retirei-a da gaveta e dei-a ao Jaime Augusto - o qual, para a minha surpresa, não deu muita bola. Eu dei. E em vez de ele curtir o "brinquedo improvisado", fui eu quem me encantei com todos aqueles lápis (deve haver uns 50), de cores mil. Alguns mordidos, outros descascados. Todos, como eu disse, sem ponta.

Jaime Augusto terminou de almoçar e eu fiquei remexendo a caixa, me lembrando de quando mamãe os adquiriu. Fui me lembrando dela ensinando a mim e a minha irmã, Andréa Cristina, que havia outras cores além do rosa, do azul e do vermelho: existiam o ocre, o bonina, o verde-água... Ocre. Bonina. Verde-água. Achei chiquérrimo saber essas cores. Os nomes "sofisticados" delas.

Lápis na cor Ocre

Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.com)

Lápis Bonina e, à frente, o Verde-água

Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.com)

Contudo, mais do que recordá-las, foi gostoso verificar, em alguns daqueles lápis de cor, o meu nome e o de minha irmã cuidadosamente escritos pela Mamãe Gali. Ela pegava a Gillette, retirava uma lasca do lápis e escrevia de caneta BIC azul: "Ana Paula". Ou "Andréa Cristina". Desse modo, não haveria como nossos lápis se misturarem com os dos outros colegas. Cada um poderia levar de volta pra casa o que era seu.

1 de janeiro de 2013

... E o Vaticano CONTINUA entre nós

Pela segunda vez, A CATÓLICA visita a exposição
Esplendores do Vaticano em São Paulo (BRASIL)
e conta, para você, as suas novas impressões sobre o evento

(Imagem: Fotografia de Ana Paula~A Católica - acatolica.com)

Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.com)

Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.com)

Aconteceu. Pensei que a estupenda exposição Esplendores do Vaticano ficaria no Brasil até 23 de dezembro de 2012 - conforme divulgado -, porém seu sucesso entre o público brasileiro levou a organização a estendê-la até 31 de março de 2013. Sorte minha. E sorte sua, caro internauta d'A Católica, caso pretenda visitá-la, mas ainda não o fez.

Aconteceu nesse 29 de dezembro a minha segunda visita aos tesouros do Vaticano.

Na minha primeira visita - sobre a qual falei no Post ... E o Vaticano está entre nós -, permaneci mais de 4 horas dentro da OCA do Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo (BRASIL), que abriga o evento. É muita, muita, muita coisa para se ver e ler. Desta vez, fiquei mais de 5 horas - isto mesmo: 5 horas de pé andando pelos corredores, maravilhada com as obras de arte, contemplando peça por peça e texto por texto.

Faço o tipo "visitante caxias" e não só leio todas as explicações que acompanham todos os objetos expostos, como faço questão de anotar muitas delas. Algumas, dividi com você no Post ao qual me referi acima: ... E o Vaticano está entre nós. Outras, pretendo compartilhar com você ao longo desta nova postagem do Blog A Católica.

Minha intenção é instigá-lo a ir pessoalmente à capital paulista, a fim de ver por si mesmo as belezas às quais elas se referem e que tanto me encantaram. Esplendores do Vaticano é imperdível. Se não resistir e for possível ir à OCA, eis as minhas 5 dicas: