19 de dezembro de 2013

A Católica e as EMOÇÕES de 2013. Feliz 2014!


Ao som do rei Roberto Carlos
e com as imagens dos fatos e das pessoas
que marcaram o ano, A Católica lhe deseja...

... BOAS FESTAS!


(Roberto Carlos, cantor brasileiro, em abril de 2009.
Fotografia de Andréa Farias Farias)



Quando eu estou aqui
Eu vivo esse momento lindo
Olhando pra você
E as mesmas emoções
Sentindo

Nathan de Brito, o menino que fez Papa Francisco chorar
durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) -
Julho de 2013 - Fotografia: ACI Digital/ Canção Nova



São tantas já vividas
São momentos
Que eu não esqueci
Detalhes de uma vida
Histórias que eu contei aqui

Benedict XVI announce his Resignation Letter

Bento XVI anuncia a sua renúncia ao Papado
- 11 February 2013 - Fotografia de Andreijoshua



Amigos eu ganhei
Saudades eu senti partindo
E às vezes eu deixei
Você me ver chorar sorrindo

(Nelson Mandela in Johannesburg, Gauteng,
on 13 May 2008 - South Africa The Good News)



Sei tudo que o amor
É capaz de me dar
Eu sei já sofri
Mas não deixo de amar

Milhares de pessoas fazem passeata em homenagem às
mais de 230 pessoas que morreram no incêndio da Boate Kiss
Santa Maria (RS), BRASIL - 29 de janeiro de 2013 - Wilson Dias/ ABr



Se chorei ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi

O ex-deputado federal José Genoino (PT-SP),
condenado no processo conhecido como "mensalão"
Novembro de 2013 - Foto: Ana Paula (acatolica.com)



São tantas já vividas
São momentos que eu não esqueci
Detalhes de uma vida
Histórias que eu contei aqui

Manifestação na Avenida Paulista rumo ao Parque Ibirapuera,
São Paulo (BRASIL) - 23 de junho de 2013 - Foto: Marcelo Camargo/ABr



Mas eu estou aqui
Vivendo esse momento lindo
De frente pra você
E as emoções se repetindo

The Duke and Duchess of Cambridge with Prince George
outside the Lindo Wing of St Mary's Hospital

O Duque e a Duquesa de Cambridge (William e Kate) com Príncipe George
na saída do Hospital Santa Maria, em Londres (Inglaterra)
- 23 de junho de 2013 - Foto: Christopher Neve



Em paz com a vida
E o que ela me traz
Na fé que me faz
Otimista demais

Papa Francisco durante audiência com a Presidenta do Brasil
Dilma Rousseff (detalhe) - 20 de março de 2013 -
Presidência da República/ Roberto Stuckert Filho - ABr



Se chorei ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi

Clube Atlético Mineiro, Campeão da Copa Libertadores da América
- 24 de julho de 2013 - Foto: Site Oficial do time



Se chorei ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi

Cruzeiro Esporte Clube, Tricampeão Brasileiro
- 1º de dezembro de 2013 - Foto: Site Oficial do time



Se chorei ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi

Autorretrato no espelho com a camisa oficial do Cruzeiro de 1993
- 15 de outubro de 2013 - Foto: Ana Paula (acatolica.com)







8 de dezembro de 2013

Cuidar do corpo sim. Mas... SEM esquecer a ALMA

No empenho de nos tornarmos pessoas bonitas por fora,
negligenciamos o esforço de vencer nossas piores inclinações

Depiction of a soul being carried to heaven by two angels
(Representação de uma alma sendo levada para o céu por dois anjos),
William-Adolphe Bouguereau (1825–1905)

Eu já fui espírita kardecista. Nasci num lar católico, mas lá pela minha adolescência nos tornamos kardecistas. Aí, caiu nas minhas mãos a famosa obra "psicografada" pelo "médium" Chico Xavier: Nosso Lar. Não li. Ou melhor: li. As primeiras páginas. E só.

O que me marcou (e nunca mais esqueci) foi que a personagem principal, um homem chamado André Luís, ao chegar ao outro lado, foi chamado de "suicida" e discordou: - Suicida, eu? Vocês estão loucos! Eu morri em um hospital, durante uma cirurgia!

Mais à frente, explicaram a ele que "suicídio" não é só quem pega uma arma e atira contra o peito ou a cabeça; nem somente quem amarra uma corda no pescoço e salta de um banco ou uma árvore; nem apenas quem enche os bolsos de pedras e se afoga num rio - como a escritora Virgínia Woolf. Para a doutrina espírita, suicida é todo aquele que não cuidou do próprio corpo em todos os sentidos.

Por exemplo: um alcoólatra (caso de André Luís); quem come demais; quem é negligente com a própria saúde e não procura o médico quando deveria fazê-lo; fumantes inveterados; consumidores de anabolizantes ou de qualquer outra droga, caso morram devido a isso, são todos considerados suicidas de acordo com o kardecismo. Por quê? Porque não se cuidaram, provocando, de algum modo, a própria morte.

Fotografia de George Hodan

21 de novembro de 2013

Melhores frases de Francisco no Brasil (JMJ) - Parte 1


Lançamento reúne TODOS os discursos e entrevistas
do Papa na sua 1ª viagem internacional! Confira.

(Selo comemorativo da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) -
World Youth Day (WYD) - Rio 2013 -
Autor: Fernando Lopes - Fonte: Agência Brasil)

Quando descobri, por acaso, na livraria de um shopping a obra Pronunciamentos do Papa Francisco no Brasil (Paulus Editora; Edições Loyola, 2013), ao custo de apenas R$ 6, sobressaltei de alegria!

Desde que o Santo Padre partiu, que eu vinha torcendo pra encontrar alguma publicação que reunisse tudo o que ele falou oficialmente por aqui. Afinal, como mãe, dona de casa e blogueira, sobra pouco tempo pra ficar fisgando "aqui e ali" na Internet o que quero ler: melhor ter tudo num só lugar!

Assim, comprei Pronunciamentos do Papa Francisco no Brasil e, à medida que o lia, fui grifando o que mais me chamava a atenção.

Neste Post do Blog A Católica, portanto, apresento a você as frases que mais me tocaram - tal como elas estão no livro. Os títulos dos discursos e das entrevistas, que dão o contexto de cada afirmação do Pontífice, já são Links para as páginas do Vaticano que os contêm na íntegra. Basta um CLICK.

Espero que saboreie e se sinta motivado a adquirir o volume - são somente 103 páginas. Vale a pena: esse Papa mal chegou e já está fazendo história com cada palavrinha que sai de sua boca. Exagero meu? Leia a seguir o que ele disse no meu país e constate por si. Saúde e Paz!!


P.S. De acordo com a obra da Paulus e da Loyola, ao todo, Papa Francisco fez 20 pronunciamentos oficiais. Este Post traz os 10 primeiros. O próximo, Melhores frases de Francisco no Brasil (JMJ ) - Parte 2, reunirá os 10 últimos. Aguarde.

Fotografia de Ana Paula (acatolica.com)


Visita apostólica do Papa Francisco ao Brasil
por ocasião da XXVIII Jornada Mundial da Juventude

Pronunciamentos no BRASIL


Encontro com os jornalistas durante o voo papal
Segunda-feira, 22 de julho de 2013

- Um povo tem futuro se vai em frente com ambos os pontos: com os jovens, com a força, porque o levam para diante; e com os idosos, porque são eles que oferecem a sabedoria da vida. (...) Por isso, digo que vou encontrar os jovens, mas no seu tecido social, principalmente com os idosos.

- Aos poucos fomo-nos acostumando a esta cultura do descarte: com os idosos, sucede demasiadas vezes; mas agora acontece também com inúmeros jovens sem trabalho. Também a eles chega a cultura do descarte. Temos de acabar com esse hábito de descartar.


Cerimônia de boas-vindas - Discurso do Santo Padre Francisco
Palácio Guanabara - Segunda-feira, 22 de julho de 2013

- Peço licença para entrar e transcorrer esta semana com vocês. Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em Seu Nome, para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração (...).

Pedro, porém, disse: "Não tenho nem ouro nem prata,
mas o que tenho eu te dou:
em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!". (At 3, 6)

Fotografia de MALIZ ONG

- Esta minha visita outra coisa não quer senão continuar a missão pastoral própria do Bispo de Roma de confirmar os seus irmãos na Fé em Cristo, de animá-los a testemunhar as razões da Esperança que d’Ele vem e de incentivá-los a oferecer a todos as inesgotáveis riquezas do Seu Amor.

- Cristo “bota fé” nos jovens e confia-lhes o futuro de Sua própria causa: “Ide, fazei discípulos”. Ide para além das fronteiras do que é humanamente possível e criem um mundo de irmãos. Também os jovens “botam fé” em Cristo. Eles não têm medo de arriscar a única vida que possuem porque sabem que não serão desiludidos.


Santa Missa na Basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida
Homilia do Santo Padre
Quarta-feira, 24 de julho de 2013

Papa Francisco chega à Basílica de Aparecida (BRASIL) - 24-07-13 -
Fotografia de Marcelo Camargo/ Agência Brasil

- A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: “Mostrai-nos Jesus”. É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. (...) Também eu venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um país e de um mundo mais justo, solidário e fraterno.

- Diante do desânimo que poderia aparecer na vida, em quem trabalha na evangelização ou em quem se esforça por viver a fé como pai e mãe de família, quero dizer com força: Tenham sempre no coração esta certeza! Deus caminha a seu lado, nunca lhes deixa desamparados! (...) O “dragão”, o mal, faz-se presente na nossa história, mas ele não é o mais forte. Deus é o mais forte, e Deus é a nossa esperança!

- É verdade que hoje, mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer. Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, desses ídolos passageiros.

- ... Mesmo em meio às dificuldades, Deus atua e nos surpreende.

- Deus sempre nos reserva o melhor. Mas pede que nos deixemos surpreender pelo Seu amor, que acolhamos as Suas surpresas. Confiemos em Deus! Longe d’Ele, o vinho da alegria, o vinho da esperança, se esgota. Se nos aproximamos d’Ele, se permanecemos com Ele, aquilo que parece água fria, aquilo que é dificuldade, aquilo que é pecado, se transforma em vinho novo de amizade com Ele.

Fotografia de George Hodan

- O cristão é alegre, nunca está triste. (...) O cristão não pode ser pessimista! Não pode ter uma cara de quem parece num constante estado de luto. Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos o quanto Ele nos ama, o nosso coração se “incendiará” de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso lado. Como dizia Bento XVI, aqui neste Santuário: “O discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro” (Discurso inaugural da Conferência de Aparecida [13 de maio de 2007] ...).


14 de novembro de 2013

Carta ao menino Joaquim Ponte Marques

Menino de 3 anos é encontrado morto em SP

(Fotografia: UOL Notícias)


Belo Horizonte, 14 de novembro de 2013.

Menino Joaquim,

Não cuidaram bem de você, não é mesmo? Não sei se deixaram a porta da sala de estar aberta, em seguida a grade que dá para a rua também, e você saiu ou se o conduziram, carregando-o inerte, nos braços, até o rio. Você deixou aquela casa amarela. Estava com o seu pijaminha. Na segurança (que segurança?) do seu lar.

Vi sua foto na Internet. Suas imagens na TV. Que menino bonito você era. Que menino esperto. Mesmo com agulhas espetadas em seus bracinhos, num leito de hospital, cuidando da sua recém diagnosticada diabetes tipo 1. Cabelinho preto. Sorriso lindo.

Que jeito triste de terminar a noite, não? Num córrego gelado, boiando, boiando, sendo conduzido pelas águas até parar em outra cidade. Graças a Deus o seu corpinho foi encontrado: assim, seu papai pôde lhe providenciar uma última caminha, um caixão branquinho, onde você pudesse repousar. Para sempre.

Criança nenhuma no mundo merece terminar seus dias breves desse jeito. Você tinha a idade do Blog A Católica: 3 anos. Três anos não são nada. O começo de toda uma história. O prefácio, a introdução, a apresentação de um livro. De toda uma vida.

Eu sinto muito que você tenha nascido e vivido numa casa tão grande, tão cheia de portas e de janelas, numa cidade pequena, da qual eu nunca tinha ouvido falar, e aparentemente tranquila, mas que foi palco de uma cena tão lastimável, Joaquim. Foi palco da sua partida prematura para o Céu.

A verdade é, meu menino, que eu nunca queria ter ouvido falar de você. Eu nunca queria ter escrito esta carta. Eu nunca queria ter assistido na TV a você brincando montado naquele brinquedo (seria uma tartaruga? Um dinossauro?). Nunca ter percebido como estava feliz naquela cama de hospital, espetado de agulhas, desenhando numa revista.

Se eu nunca o tivesse visto, significaria que você estaria VIVO. Anônimo. Tomando as suas doses diárias de insulina. Na sua casa grande, amarela e segura. Segura, como deveria ter sido. Mas agora você está nos braços de Deus. Nada de ruim vai acontecer.


*********************

Mãe e padrasto do menino Joaquim são presos em Ribeirão Preto (revista VEJA)
Promotor diz que menino Joaquim pode ter morrido por excesso de insulina (ISTOÉ)
Justiça concede quebra de sigilo telefônico da família de Joaquim (portal G1)



10 de novembro de 2013

Eu vivo CHEIA de vaidade

Autorretrato no espelho com camisa do Cruzeiro (oficial de 1993)
- 15-10-2013 - Fotografia de Ana Paula (acatolica.com)

Suzana, a Dindinha, com a camisa oficial do Cruzeiro -
09-11-2013 - Johannesburg (África do Sul) - Arquivo de Família


(Tricampeão Brasileiro de Futebol* - 2013)

Existe um grande clube na cidade,
Que mora dentro do meu coração.
Eu vivo cheio de vaidade,
Pois na realidade é um grande campeão.

Nos gramados de Minas Gerais,
Temos páginas heroicas imortais,

Cruzeiro, Cruzeiro querido,
Tão combatido, jamais vencido!


Antônio, o Padinho, com a camisa oficial do Cruzeiro -
13-10-2013 - Johannesburg (África do Sul) - Arquivo de Família

Andréa Cristina com a camisa oficial do Cruzeiro de 1993 -
10-11-2013 - São Paulo (BRASIL) - Fotografia de Luis Guilherme


Caro Internauta:

Você é cruzeirense como A Católica, os meus padrinhos, Suzana e Antônio, e a minha irmã, Andréa Cristina? Então, parabéns pra você também! Visite e SAIBA + sobre essa Grande Conquista, prestes a acontecer*: site oficial do Cruzeiro Esporte Clube. IUHUUU!

Saúde e Paz!!



7 de novembro de 2013

Vovô Jaime: nós não sabemos envelhecer

A 3ª e a Meia Idades se portam PIOR do que os jovens -
é o que desabafo com o meu avô materno.
(P.S. Ele está no Céu.)

Fotografia de Martinhampl

Belo Horizonte, 5 de novembro de 2013.

Querido Vovô,

Já é tarde. Enquanto lhe escrevo esta cartinha, assisto ao filme A Jovem Rainha Vitória, que passa agora na TV (estou sempre fazendo duas coisas ao mesmo tempo!). Que saudade de você!... Convivemos tão pouco e tudo o que tenho é um cachorrinho (Abelhudo, da Estrela), que você me deu e que guardo no meu armário, com a caixinha e tudo e com todo o carinho. Tem a sua letrinha: "Ana Paula". Eu queria me lembrar do seu sorriso de satisfação ao me ver abrir esse presente.

Cachorro Abelhudo da Estrela (início dos anos 1980) -
Letrinha do Vovô Jaime - Foto de Ana Paula (acatolica.com)

Cachorro Abelhudo da Estrela (início dos anos 1980) -
Fotografia de Ana Paula (acatolica.com)

Cachorro Abelhudo da Estrela (início dos anos 1980) -
Fotografia de Ana Paula (acatolica.com)

Por aqui, Vovô, vamos bem. Quero dizer, eu cresci e a vida não é nada daquilo que eu esperava. Foi assim com você também? Está tudo tão diferente! E temo pelo pior, porque, à medida que "crescemos", nos damos conta da maldade que há em nós e nas pessoas ao redor. Vejo gente com quase 45, 55, 65 anos de idade sendo capaz de gestos tão desprezíveis, de comportamentos que vão da crueldade à bizarrice, que eu - aos 37 - fico com as esperanças de melhorar com o passar do tempo abaladas.

Veja se eu não tenho razão: se as pessoas mais velhas do que eu, que até se dizem "religiosas", continuam infantis, isso indica que a probabilidade de eu prosseguir deste mesmo jeito em que estou (sem evoluir) é grande. Afinal, somos todos feitos do mesmo pó. É sério, Vovô!

Conheço gente de mais de 80 anos de idade que ainda sente prazer em falar mal da vida alheia; senhora com mais de 70 que adora bisbilhotar, reclamar da vida e, além disso, guarda rancor; mulher com quase 50 anos, cristã e estudada, com mágoa dos pais e do irmão. Não escrevo isso para "julgar" meus semelhantes, e sim para demonstrar como a idade nem sempre traz sabedoria, como a sabedoria popular gosta de propalar...

4 de novembro de 2013

Sobre Sobral - O Homem que Não Tinha Preço


Um Post para minha prima Larissa Cristina, que vive em Sorocaba,
contando-lhe por que deve assistir a esse filme imperdível

(Imagem: cartaz promocional de Sobral - O Homem que Não Tinha Preço)


Belo Horizonte, 3 de novembro de 2013.

Prima Querida,

Saudades de você!!

Hoje, depois de muito tempo, acho que desde antes de eu ficar grávida do Jaime Augusto, fui ao cinema - a uma sala de cinema - de novo!... E para assistir a um documentário - gênero que adoro. Quando soube (confesso que não me recordo de onde nem quando) que um filme sobre o grande jurista Sobral Pinto, de quem eu tinha ouvido falar remotamente, entraria em cartaz no dia 1º de novembro, não resisti: Farney e eu literalmente CORREMOS para ver!

Foi apenas 1h30 de duração. Pareceu mais. Não porque fosse maçante, mas pela quantidade de informações, de depoimentos, da riqueza da vida da personagem retratada.

Sabe, Larissa, a história do nosso país é riquíssima.

A gente chega a pensar, devido à insistente e massiva difusão das caras e bocas de personalidades de outros países (Einsteins; Thomas Jeffersons; Marie Curies; etc.), que grandes cérebros e grandes seres humanos faltam na história do Brasil. Aqui, parece que só há gente "interessante" nos gramados ou com o microfone em riste, apresentando programa de auditório. Vai ver que, por isso, o sonho de 10 entre 10 garotos brasileiros seja ser "jogador de futebol" e de 10 entre 10 brasileirinhas, "modelo e atriz"...

... Eu me pergunto:

- Por que nas escolas, nos Ensinos Fundamental e Médio, quando aprendemos História ou Estudos Sociais, nossos professores não nos apresentam incisivamente personalidades como Sobral Pinto?

- Por que programas de relativa audiência como o Fantástico, da Rede Globo de Televisão, não fazem uma matéria ostensiva sobre um documentário como Sobral, que é de suma importância?

- Por que a equipe jornalística do Fantástico prefere entrevistar o ator protagonista de blockbusters como Thor, em vez de contribuir para a bilheteria do cinema nacional e a formação da audiência brasileira, indicando longas-metragem como o que acabei de assistir nesse domingo?

Se crianças e jovens conhecessem Sobral Pinto, o trabalho dele, como esse jurista foi importante na história recente do Brasil, como ele SALVOU tantas vidas, será que alguns deles não "desistiriam" da carreira no futebol e de serem as novas Gisele Bündchens, abraçando o sonho de defender os excluídos?

O negócio, Lari, é que quando a gente pega o nosso canudo (ou os nossos canudos, como no seu caso), só queremos saber de começar a montar "o nosso patrimônio", "a nossa carreira", "a nossa família". E como canta Rita Lee na canção Barata Tonta: O resto que se exploda/ Feito bomba H. Sobral Pinto, a exemplo do poetinha Vinícius de Moraes, era o contrário de tudo isto que venceu: a ostentação, o acúmulo de dinheiro e o individualismo - como afirmou tão bem Chico Buarque de Holanda.

O documentário Sobral - O Homem que Não Tinha Preço prova que uma andorinha sozinha faz verão SIM. Quando ela tem fé (ele era católico apostólico romano convicto) e está em paz com a própria consciência, porque compreendeu a própria vocação e a leva a sério. Quando se faz este tipo de escolha, ter fé e viver sob o comando da consciência, não só nós mesmos, como quem está ao nosso redor se beneficia. No caso de Sobral, todo o Brasil se beneficiou.

Um beijo e... Fica a dica: se puder, assista ao filme.

P.S. TE AMO. Saudades do seu sorriso LINDO!...




P.S. Em entrevista, neta de Sobral Pinto e diretora de filme fala sobre avô - OABRJ Digital.



1 de novembro de 2013

Afastem de mim este CALE-SE (a polêmica das biografias)

Não pode haver censura prévia a esse gênero literário tão importante
para a história, como defendem alguns artistas no Brasil

Imagem: "Quieto! Conversa fiada pode custar vidas" (em inglês) -
1941-1945 - Fonte: U.S. National Archives and Records Administration


Ponto nº 1 – Amo a 7ª Arte e sou fã de carteirinha das criações de Billy Wilder, Woody Allen e Walter Salles. Porém, o que eu curto mesmo são os filmes dirigidos por cineastas chamados de “documentaristas”, como João Moreira Salles. Uma de suas criações, O Vale, me marcou muito, ao contar a história dos herdeiros dos grandes produtores de café do século XIX, aqui no Brasil. Todos eles muito distantes da riqueza e da fartura que circundaram seus ancestrais.

Ponto nº 2 – NÃO GOSTO de romances. À exceção de Machado de Assis, que acho mordaz e divertidíssimo, da Virginia Woolf e do Ignácio de Loyola Brandão contistas, Jorge Amado e Cia. Limitada não têm vez comigo. Sinto muito. A seção de Literatura nas livrarias não recebe a minha visita, a não ser a parte dedicada à poesia e às crônicas. Não tenho paciência para histórias “inventadas”, para personagens que nunca existiram. Para reinos encantados. Sou assim (defeito de fábrica...).

Ponto nº 3 – Quando estudei Letras, numa das primeiras aulas, uma professora (cujo nome infelizmente não me recordo agora) deixou bem claro para nós que a distinção entre as palavras estória com E e história com H estava extinta. Explico.

Usava-se “estória”, começando com a letra E, para designar narrativas ideadas, totalmente criadas, como os romances e os contos de fadas. E “história”, iniciando com a letra H, para especificar as narrativas de fatos que teriam realmente acontecido, num tempo e num lugar determinados, reais, verdadeiros.

Entretanto, com o avançar da história, aprendeu-se que toda história não deixa de ser uma versão. Por mais que o historiador ou o jornalista ou um pesquisador tenham se dedicado a coletar dados e ser o mais fidedigno possível ao que aconteceu naquele tempo e naquele lugar com aquela pessoa ou aquele grupo social, no fim, o resultado não deixa de ser a versão daquele profissional: trata-se do OLHAR DELE.

Em resumo: toda história – agora, sempre com H vai variar dependendo de quem a conta. Por isso, ela pertence a quem a escreveu. Não interessa se é sobre Jesus Cristo ou sobre o Vale do Paraíba (como no caso do documentário O Vale e tomando emprestada a comparação do biógrafo Paulo Cesar de Araújo). Mas, o que isso tem a ver com o título deste Post do Blog A Católica?

23 de outubro de 2013

Um perfil (breve e interessante) do Papa Francisco

Livro escrito por jesuíta que conviveu com o novo Pontífice
traz ótima biografia resumida.
A Católica adorou e divide com você excertos!

(Archbishop of Buenos Aires Jorge Mario Bergoglio on April 18, 2012.
Image is cropped from the original -
Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires, photo of Sandra Hernandez)


Ele está na moda. De cara, ao entrar nas livrarias aqui no Brasil, um desfile onipresente de rostos sorridentes de Jorge Mario Bergoglio dispostos sobre mesas e prateleiras. Fica difícil considerar: qual o melhor livro pra levar pra casa? Eu titubeei todos esses primeiros meses de pontificado do simpático argentino até finalmente ceder ao apelo de O Novo Rosto da Igreja - Papa Francisco (Edições Loyola, 2013).

O que me seduziu nesse título, pra que finalmente me dispusesse a comprar uma das obras que ostentam, na capa, a face boa e serena do Papa?

Resposta: o autor. Luís González-Quevedo, SJ ("Padre Quevedinho") conheceu de perto Jorge Mario Bergoglio, agora chamado simplesmente de Francisco. Outra coisa: o livro é finíssimo. Não que livros grossos me assustem. Mas é que, como já observei no Post Nº 200 do Blog: Uma Via-Sacra Especial!, é vero que "nos menores frascos estão os melhores perfumes". São apenas 94 páginas repletas de informações, depoimentos e uma ótima bibliografia no final.

Enfim: terminei a leitura "mais sábia" (cof. cof. cof) e com a certeza de que, mais uma vez, o Espírito Santo caprichou na escolha do novo guardião das chaves do Céu!

Este novo Post d'A Católica traz um aperitivo que, nem de longe, faz jus a tudo de bom que O Novo Rosto da Igreja - Papa Francisco contém. Mesmo assim, espero que você se delicie com alguns trechos que selecionei e que reproduzo a seguir. Se puder, adquira já um exemplar para chamar de SEU. Saúde e Paz!!

Fotografia de Ana Paula (acatolica.com)

18 de outubro de 2013

Gemidos de Menos, Dores de Mais

Um Post sobre sons e ruídos de amor e de violência doméstica,
que ultrapassam janelas, portas e paredes dos vizinhos

(Fotografia de George Hodan)

Morei num lugar onde, vez em quando, dava pra ouvir uma mulher gemer de prazer. Sério. Eu acordava por volta da 1h da madrugada, ouvindo aquele som... No dia seguinte, comentava com uma conhecida, que me dizia: "Pode ter a certeza de que, gritar daquele jeito, só pode ser pra aparecer". Numa vez, houve gritos de socorro. Eu não os ouvi bem. Não sei de onde vinham. O dia estava quase amanhecendo e acordei com meu pai "pendurado" na janela: "Larga ela, senão chamo a polícia!". Alguém já havia chamado. A PM (Polícia Militar) chegou e deve ter feito a ocorrência.

Ter vizinhos - quem não os tem? - é assim. Mesmo um tanto de longe, cercados por paredes, protegidos por portas e atrás de janelas, dá pra acompanhar alguma eventualidade, quando ela se sobressai, quando os ruídos vazam. Sobretudo, se isso ocorre na calada da noite ou no alvorecer.

Acontece, porém, que nem sempre a violência doméstica (ao contrário dos gemidos de prazer) se dá quando a maioria das pessoas está dormindo. Quando se torna comum, parte da rotina de um casal, como se levantar da cama, montar a mesa do café, recolher toalhas do varal, esticar o pano que recobre o sofá, ela ocorre a qualquer hora. Sempre é hora de apanhar. Sempre é hora de "ser enforcada", levar um chute ou ouvir palavras como: "Você é irresponsável!"; "Você não presta!"; "Você é velha!".

Como católica, o que fazer quando você nota que o marido da vizinha é um boçal?

Tocar a campainha e aconselhar essa pessoa a chamar a polícia? A desabafar com "algum parente de confiança"? A sair de casa correndo? A se separar? Qual das opções é a melhor? Qual é a mais sensata?

Quando alguém na família é alcoólatra ou drogado, geralmente procura-se instituições especializadas para orientação e ajuda. E quando alguém é violento? Maltrata uma mulher com as mãos, os pés e as palavras? O que fazer? Artistas, políticos... Vão todos pra TV dizer que a esposa NÃO deve tolerar a violência doméstica, e SIM denunciar o marido. Ora, se Santa Rita de Cássia tivesse feito isso, não teria se tornado o que é. Afinal: quem permanece numa relação assim é uma anta completa ou uma santa?

Sei que dentro dos caixotinhos chamados apartamentos e das amplidões de casas que ainda resistem à verticalização dos bairros, acontecem coisas de entristecer Nosso Senhor. Coisas que esposos como São José jamais seriam capazes de fazer. Existem homens perturbados, boçais desequilibrados, que são leões sob pele de ovelhas, gente que colegas de trabalho, irmãos e pais duvidariam de que seria capaz de pisar numa formiga ou assustar um gato de rua, que dirá encostar a mão na esposa.

Pensa-se e fala-se muito na "solução": xadrez. Divórcio. A raiz ou a causa primeira do problema, ninguém quer abordar, ninguém debate. Onde nasce a violência? Onde ela começa? Onde o marido espancador aprendeu a humilhar, a agredir? Eu tenho a teoria (não verificada, puro "achismo") de que aprendeu em casa, vendo a violência dos próprios pais. Vai ser difícil alguém me provar o contrário. Marido que maltrata a esposa viu na infância, de cadeira V.I.P., o próprio pai fazer isso - inúmeras vezes - com a mãe.

Quanto a mim, quem me dera ouvir gemidos de mais e dores de menos.

A propósito, e para tornar mais leve este Post pesado, numa vez, quando tinha um programa na Rádio Itatiaia (muito ouvida aqui em Belo Horizonte), o político e consultor de comportamento Antônio Roberto respondeu assim a uma ouvinte que lhe escreveu indignada sobre a vizinha que, todas as vezes em que "fazia amor" com o marido, fazia muito "barulho": "Você está é com inveja! Deixe a sua vizinha ser feliz e trate de ser feliz também, que eu duvido que os gemidos dela vão te incomodar!...".

Fotografia de George Hodan


10 de outubro de 2013

Feliz Aniversário, Barbarella!

(Fotografia de alex grichenko)

(Fotografia de Petr Kratochvil)

Bárbara Kelly Querida,

Vou começar dizendo o que você já sabe: o significado do seu nome. Bárbara é "estrangeira". E estou certa de que em muitos momentos da sua vida você já se sentiu... Meio fora de lugar, inadequada, como se pertencesse a outra civilização, a outro tempo e espaço. Como eu sei disso? Ora, porque você gosta de escrever e quem tem essa sina, tal como herdada do Vovô Raul, sente-se assim. Não tem jeito!...

Porém, conforme o dicionário, bárbaro, aqui no Brasil, também é uma "exclamação usada para indicar admiração, aprovação ou entusiasmo"; um adjetivo "que revela qualidades positivas". Ou seja: seus pais capricharam quando escolheram o seu 1º nome e selaram o seu destino!

Fotografia de Anna Langova

Quanto ao seu 2º nome, Kelly, descobri que significa "filha da guerra" e também "guerra" ou "conflito". Não se apoquente. Estamos aqui para fazer o que São Paulo nos recomenda no capítulo 6 da Carta aos Efésios:

"Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares.

Tomai, portanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever. Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz. Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno.

Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus. Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos" (Ef 6, 11-18).

5 de outubro de 2013

Carlinhos Brown, The Voice Brasil e a Raça Negra

Exaltar os negros da boca pra fora é fácil.
Bonito é demonstrar isso com as escolhas íntimas e pessoais

(Fotografia de Anna Langova)

A estreia da 2ª temporada do programa The Voice Brasil na Rede Globo de Televisão, na noite dessa quinta-feira, 3 de outubro, foi muito engraçada. Se existe um terapeuta à disposição de participantes e jurados (os cantores Lulu Santos, Carlinhos Brown, Cláudia Leitte e Daniel), provavelmente um deles o procurou para tratar de "rejeição": Carlinhos Brown.

Como na 1ª temporada - que, destaco, não acompanhei "de cabo a rabo" -, Carlinhos fez questão de se gabar da sua raça, a Raça Negra.

Logo de cara, após a apresentação do 1º candidato a uma vaga no programa, cujo objetivo - como o nome em inglês já denuncia - é eleger A Voz do Brasil, bem, o jurado baiano se levantou da cadeira vermelha, foi até o senhor de 47 anos, e exclamou algo mais ou menos assim: "Não é por nada não, mas a nossa raça canta demais...". Não me lembro das palavras exatas. (Sorry.)

O senhor estava de terno, chapéu, bengala e cantou lindamente, eu diria até magistralmente, Let's Get It On, canção imortalizada pelo norte-americano Marvin Gaye.

Após o elogio de Brown, exaltando que ele e o candidato de nome "Dom Paulinho" eram da mesma raça, como os 4 jurados haviam se virado na cadeira vermelha (nota: quando pelo menos 1 jurado se vira na cadeira, significa que o candidato foi aprovado), bem, isso dava ao intérprete de Let's Get It On o direito de escolher quem gostaria que fosse o seu "técnico" durante a competição. Qual não foi a surpresa quando ele singelamente respondeu: "Lulu" - o jurado branco!

A noite continuou...

Uma dupla caipira se apresentou cantando, se não me engano, uma canção de "autoria própria". E nada de ao menos 1 dos 4 jurados se virar na cadeira (nota: os 4 jurados apreciam as vozes dos candidatos de costas, sem os verem, e só se viram nas cadeiras se gostarem do que estão ouvindo). Até que, quase ao final da música, a dupla entoa um verso mais ou menos assim: "A nossa raça negraaaaa...". Pronto. Foi o que bastou para que Carlinhos Brown virasse a cadeira - ele foi o único a fazê-lo. Eu ri.

E a noite seguiu...

A última candidata entoou Coqueiro Verde, famosa na voz de Erasmo Carlos (artista que adoro). Mais uma vez, Carlinhos Brown demonstrou muita animação ante uma candidata negra, muito parecida com a cantora Mart'nália. Três jurados se viraram - à exceção de Lulu Santos, talvez por já haver formado um time razoável de bons cantores para uma noite de estreia. "E aí? Qual 'técnico' você vai escolher?..." A moça, que já vive de e para a música, respondeu: "Claudinha" - a jurada branca!

Esse apelo e apego do Carlinhos Brown com a Raça Negra é direito dele. Nada contra, muito antes pelo contrário. Acho até legítimo, embora algumas vezes soe hipócrita. Explico.

Dakar 2006, African women -
Fotografia atribuída a MAINDRU PHOTO

29 de setembro de 2013

A CATÓLICA no show do Fábio Jr. em BH

Junto ao meu colar TAO, de São Francisco, e à imagem de Teresa de Ávila,
os ingressos do show de um artista que admiro tanto...
Sou católica inserida no mundo! E viva a Música Popular Brasileira (MPB)!

(Imagem: Site oficial do Fábio Jr.)

(Fotografia de Ana Paula - acatolica.com)

Nesta semana o programa infanto-juvenil Bem da Hora, da TV Canção Nova, terminou falando sobre o cuidado que os pré-adolescentes devem ter com a música que escolhem para ouvir. Que a gente pensa que as canções que escutamos não nos fazem mal, são coisa "à toa", mas na verdade, de algum modo, acabam influenciando a nossa vida, nosso bem-estar, nosso jeito de ser.

Vira e mexe, na Blogosfera católica, há bloggueiros ou internautas que se dispõem a assumir as suas preferências musicais, como O Catequista, que escreveu sobre a sua experiência na mais recente edição do festival Rock in Rio, que ocorreu há pouco na cidade do Rio de Janeiro, aqui no Brasil. Não é fácil.

Porque há blogueiros e internautas católicos que acreditam que blogueiros, internautas e fiéis católicos não podem ouvir todo tipo de música. Eu mesma, aqui n'A Católica, fui criticada por um internauta anônimo que me assegurou que uma "católica e cristã" não pode gostar de carnaval - vide o Post Eu amo o carnaval: I LOVE carnival.

Fica a dúvida: um católico apostólico romano só pode ouvir canções "de Igreja"? Só é permitido colocar na vitrola os discos do Padre Marcelo Rossi; do Padre Zezinho, scj; do Dunga; do Márcio Todeschini; da Eliana Ribeiro; da Salette Ferreira, enfim, de artistas que só falam de Deus, de Nossa Senhora, do Espírito Santo, dos anjos e, claro, de Jesus?

Quem é que definiu isso? Que católico de verdade só pode ouvir canto gregoriano e demais cantigas litúrgicas?

Repito uma frase que li certa vez no Blog de uma católica, que é casada: "Estou morta para o mundo..." (!!). Eu, não. SE eu quisesse "morrer" para o mundo (e nem assim seria uma morte), estaria em um convento ou em um mosteiro. SE eu optei por ser leiga, por viver fora de um monastério, isso me dá o direito de usufruir das coisas do mundo. De me inserir nele. Ei: não foi isso que Jesus Cristo fez?

Por isso, caro internauta d'A Católica, é que aceitei o convite do meu marido de irmos juntos ao show do cantor brasileiro Fábio Jr., que ocorreu no finalzinho da noite desse sábado, 28 de setembro, aqui na cidade onde vivemos, em Belo Horizonte (BRASIL).

23 de setembro de 2013

Desprezo e abuso sexual

Um trauma "bobo" da minha infância me marcou.
Imagine com o quê têm que lidar os adultos que sofreram
abusos sexuais de pessoas da sua confiança, quando eram crianças

(Fotografia de Jiri Hodan)

Como de costume nos reunimos na metade da mesa da sala de jantar para almoçar: mamãe, Andréa Cristina e eu. Éramos adolescentes e havíamos acabado de chegar do colégio. Conversa vem, conversa vai, do nada, do nada mesmo, veio a minha lembrança um fato longínquo, de quando eu tinha cerca de 3 anos de idade. Após contá-lo, tintim por tintim, mamãe o confirmou - tamanha a vividez da minha recordação.

Meus pais e alguns conhecidos tinham ido acampar para pescar no interior das Minas Gerais (estado onde nasci e vivo aqui no Brasil).

À noite, nós, crianças, deveríamos ficar dormindo em uma das barracas que montaram sobre a grama, no meio do mato. A certa altura, mamãe, que estava me fazendo dormir dando "tapinhas" nas minhas costas e cantando uma canção de ninar, teve que sair da barraca e pediu a uma conhecida, que também fazia a filha dormir, pra continuar a me embalar: "Pode deixar, Magali, eu canto pra Ana Paula...", a tal mulher falou.

Pois bem.

Eu me lembro vividamente, caro internauta d'A Católica, como se tivesse sido ontem, que essa conhecida deu "tapinhas" em mim até a minha mãe atravessar a barraca. Assim que a viu sair, a tal conhecida simplesmente me ignorou. Parou de me embalar, de tocar carinhosamente nas minhas costas e de cantar para mim, voltando-se apenas para a própria filha, que era da minha idade. Até hoje me recordo do choque que senti: ela tinha acabado de garantir a minha mãe que "me daria carinho", mas me deixou só.

Foi a 1ª vez na minha vida em que experimentei o desprezo. E essa lembrança voltou do nada, de repente, em plena adolescência, no meio de um almoço casual com minha mãe e minha única irmã, depois de uma manhã de aulas no colégio.

Essa recordação dolorosa, que me causou perplexidade ante o comportamento de uma mulher que já era mãe (e uma mãe católica apostólica romana) não é NADA, porém, perto do que vi recentemente no Post de um Blog que visito com frequência: o Hypeness.

O blogueiro Vicente Carvalho escreveu a respeito do documentário os Monstros da minha Casa (los Monstruos de mi Casa). Segundo ele, trata-se de um vídeo que "mostra a realidade de crianças vítimas de abuso físico e emocional, na Espanha". A protagonista é a super-mãe Carmen Artero, que "acolhe essas crianças que estão com o emocional absolutamente abalado e com muito medo de voltar para seu próprio lar". O intento dela é abrir uma fundação para que todos tenham direito a uma infância feliz.

Em algumas passagens do documentário, que dura não mais do que 60 minutos, aparecem desenhos de meninos e meninas entre os 5 e os 15 anos de idade, que foram interpretados por especialistas. Neles, eles expressam a violência sexual e outras negligências que ocorriam dentro de suas casas. Conforme outro blogueiro, Lucas Mombaque, as ilustrações estiveram em exposição na Espanha em outubro de 2010.

Neste Post do Blog A Católica, você confere 5 desses desenhos, com as interpretações que recolhi dos Posts de Vicente Carvalho e de Lucas Mombaque.

4 de setembro de 2013

Socorro, gente: eu "não tenho" ambição!

Sob os critérios do mundão, não passo de uma acomodada.
Deixe estar...
O que eu desejo veementemente, ninguém pode ver nem tocar

(Ilustração de Frits Ahlefeldt)

Tive um entrevero dia desses com alguém - OK: há sangue quente e vermelho correndo em minhas veias, e não azul nem muito menos frio - e esse alguém me disse aos berros: "Você é pobre, feia e sem ambição!!!". Pobre, sou mesmo. Feia, bem, é um adjetivo que não me ofende: questão de gosto. Meu pai, por exemplo, acha a Gisele Bündchen "feia" (não entende o que todo mundo vê nela).

Agora, sem ambição...

... Nunca parei pra pensar que sou assim. Comentei com minha mãe, que concordou: "Você é mesmo, Ana Paula". Nossa. Eu sou sem ambição. Claro que corri ao dicionário pra entender o que é isso. E encontrei a seguinte definição: Ambição é o "desejo veemente (do que dá superioridade)". Veemente é forte; intenso; fervoroso. Êpa. Êpa. Êpa. Êpa. Eu tenho ambição SIM. Então, por que me afirmam o contrário?

Vamos entender por que muita gente acha que não tenho e por que eu, a sem ambição, me vejo ambiciosa SIM.

O que a maioria das pessoas imagina como "ter ambição" é, em 1º lugar, a avidez por adquirir bens materiais (básicos ou nem tanto). Em outros termos, poupar, financiar ou pedir empréstimo para obter a casa ou apartamento próprios, o automóvel próprio, o sítio próprio, a casa de praia própria... E, depois, o quanto antes ou assim que puder, trocar tudo por um apê maior, um carro mais novo e por aí vai... Isso, segundo o mundão, significa ter ambição.

Fotografia de Marina Fuzaro

Fotografia de George Hodan

Em 2º lugar, o que a maioria das pessoas considera como "ter ambição" é investir na carreira. Faculdade, outra faculdade, especialização, mestrado, doutorado, pós-doutorado, pós-pós-pós-doutorado. E ainda: encontrar um emprego numa megaempresa. Se notar que o "plano de carreira" lá não é bom, fácil: basta trocar de megaempresa, não importa a que custo emocional (companheiro(a) ou filhos que ficam pra trás), e... Recomeçar a subida rumo ao topo: Para o alto e avante!, como diria algum super-herói.

(Conheci uma moça que começou como estagiária numa mega-construtora aqui no Brasil e que me disse: "Minha meta era chegar à sala da presidência e consegui!". De fato, ela foi a secretária pessoal do presidente da tal mega-construtora por anos, até - não sei bem o porquê - ser demitida. Ambiciosa, hum?)

Fotografia de Vera Kratochvil

É.

Sob esses 2 pontos de vista, não sou mesmo ambiciosa. Não tenho casa nem apartamento próprios. Nem planos de adquirir um imóvel tão cedo. Não tenho um automóvel. Quando digo às pessoas que um carro "pra chamar de meu" não me faz falta, que me dou bem com caronas, ônibus e táxis, vejo sobrancelhas franzidas e pupilas comprimidas. "Plano de carreira"? Obrigada, não. Passo adiante por ora.

Por que me vejo como ambiciosa então?

Porque, se ambição, conforme o dicionário, é o "desejo veemente (do que dá superioridade)", então, como todo bom católico...

... Sonho com os Céus. Almejo coisas simples - e tão difíceis! - que agradariam a Nosso Senhor Jesus Cristo: amar os meus inimigos; perdoar os que me ofendem (incluindo a pessoa que me chamou de "pobre, feia e sem ambição"); ser dócil aos desígnios de Deus; cumprir o meu papel de mãe e de esposa com humildade e sabedoria; oferecer a outra face; dar sem esperar receber; amar sem medida; não faltar à Santa Missa; rezar o santo Terço diariamente; não descuidar do meu estudo bíblico...

... Como vê, caro internauta d'A Católica, tudo muito singelo. Tratam-se de tesouros invisíveis, que ninguém pode enxergar pra me enaltecer ("Nossa, que apartamento bacana!"; "Nossa, que carrão, hein?"; "Nossa, parabéns, você foi promovida na sua megaempresa! Que salário bom, hã?"). Eu desejo o que dá superioridade, mas é insondável: provém da Graça de Deus. Está escondido no coração Dele...

"Jesus chama as criancinhas a Si" (Mc 10, 13-16)

Fonte: Google Images


26 de agosto de 2013

Balada da Noite Escura

(Imagem de Ronald Carlson)

A noite tem um silêncio que me comove. Havia cachorros latindo há pouco. Mas eles se calaram. Um barulho pequeno e persistente prossegue como se viesse de dentro da minha cabeça - sei, porém, que é o motor da geladeira trabalhando lá na cozinha. Afora isso, mais nada. Nem um carro escorregando no asfalto no outro lado da rua, pra lá do buraco fundo. Nada.

O breu da noite convida à introspecção. A debates gostosos e intensos dos 2 lados de nós mesmos: aquele que quer prosseguir, aquele que quer refletir. De noite, inebriados pelo sono, prometemos fazer e acontecer: recomeçar um projeto, retomar uma meta, recobrar um caminho. Amanhece, porém, e somos fracos - como naquele poema de Fernando Pessoa, travestido de Álvaro de Campos: Tabacaria.

(Não vou falar do amanhecer. Está de noite. E está tão bom.)

Protegida pelo cobertor negro, onde pequenos holofotes que avisto pela janela pontilham, começo a perceber que nem tudo é tão ruim quanto parece, nem tão irrevogável quanto acredito. A calma e a segurança, que esse cobertor noturno me confere, levam-me a ponderar que sim: na minha serenidade pode residir uma chave para atravessar a pedra bruta, crua e espessa chamada cotidiano.

Somos tão impacientes por mudanças drásticas! Queremos o Niágara para revolver o que nos incomoda, o que nos aborrece, quando o dito popular tem a resposta: "Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". Falta a sabedoria que insistentemente minha mãe querida tenta me passar "por osmose", mas que só este professor velho, sisudo e barbudo nos dá depois de muitos anos: o Sr. Tempo.

O barulho diurno não me deixa entrever esta luz que, paradoxalmente, a escuridão da noite me traz: com zelo, cautela e muita paciência, apesar de alguma tristeza, é possível passar pelas 24 horas do dia com muita dignidade e certa alegria. E - por que não? - até mesmo uma sensação de liberdade.

Isso mesmo: não digitei errado. Você não leu enviesado.

Quando se assume o próprio destino, quando se abraça a própria sina, aquele passarinho de asas molhadas e fechadas que habita dentro de nós começa a estendê-las, a secar as suas penas, a esticar as perninhas para alçar um voo alto, bem alto, lá no alto, rumo a não sei onde. Não sei. Juro que não sei.

Só sei que muitas vezes na minha vida os lugares mais tocantes em que estive foram justamente aqueles como este agora: simples, sem nada de especial. Apenas uma cadeira, uma mesa, eu mesma, esta janela com a persiana cor de creme aberta e esta vista da noite escura a me envolver, enquanto penso que viver é bom. Apesar do medo, apesar do nada. Apesar de tudo.

Fotografia de Ronald Carlson