23 de dezembro de 2012

Cartinha ao Papai Noel

A criança dentro de mim decidiu
fazer o que não fazia há anos: pedir ao Papai Noel
um presente. No caso, a capacidade de mudar a mim mesma...

(Imagem: Happy Christmas. Cover of Ukraine,
with an postage stamp and a postmark of Kiev - Ukrainian Post)

Querido Papai Noel,

Eu me portei mal neste ano. Faltei a muitas missas, pequei, falei mal dos outros, guardei raiva... Fui egoísta. Nada justifica o meu mau comportamento. Continuo com aquela vontade terrível de querer controlar o mundo, as pessoas, os acontecimentos, de modo que tudo - tudo mesmo - saia do meu jeito. Não fui uma "boa menina". Não sou uma boa menina.

Contudo, dentro de mim, mais forte do que a minha forte inclinação para o erro, as quedas, os enganos, as interrupções, a preguiça, está a minha vontade de querer mudar.

Houve um tempo, Papai Noel, quando eu era ainda mais pequenina do que sou agora, um tempo em que tudo o que eu queria era ter cabelos cacheados e olhos azuis. Depois, eu queria ser outra pessoa: uma artista bem-sucedida. Em seguida, quis muito morar bem longe do Brasil. Cresci. E percebi que é ótimo ser quem eu sou, muito embora eu não passe de uma argila disforme, longe da perfeição da obra de arte na qual Deus quer me transformar.

Boneca de terracota do Museu Real da África Central
(Tervuren, Bélgica) - Fotografia de Ji-Elle

Desse modo, Papai Noel, todos os meus esforços, a minha meta, tornaram-se um só: ser eu mesma, porém alguém bem diferente.

Não entendeu?

Antes, quando criança, eu queria mudar a minha aparência e também ter uma outra vida. Agora, quero continuar com o que sou e tenho, todavia, quero vencer todos estes obstáculos dentro de mim: a inclinação para a malícia, a maledicência, o destempero, a murmuração, o individualismo, o imediatismo, a impaciência. A inconstância, a ira, a inveja.

Se amanhã à noite, dia 24 de dezembro de 2012, ou no dia 25, pela manhã, eu pudesse chegar à árvore de Natal da casa dos meus pais e encontrar o seu presente para mim, puxa!, que alegria desembrulhar aquele pacote imenso e vermelho, com um grande laço de fita brilhante, no qual eu encontraria, singelamente guardada em uma caixinha de papelão branco, a força de vontade para vencer a mim mesma.

Fotografia de Petr Kratochvil

Na medida exata em que, dia após dia deste ano de 2013 (que está li, à porta), eu me revestir da força de vontade que você me der, Meu Querido Papai Noel, serei eu mesma, no entanto, alguém bem diferente, que deixará aqueles ao meu redor felizes e, com certeza, assim como 2 e 2 são 4, sei que o mundo ficará melhor.

É isso.

Obrigada antecipadamente, Papai Noel.

Sincera e cordialmente,
da criança que ainda existe aqui, no fundo dentro de mim: Ana Paula.

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