23 de dezembro de 2012

Cartinha ao Papai Noel

A criança dentro de mim decidiu
fazer o que não fazia há anos: pedir ao Papai Noel
um presente. No caso, a capacidade de mudar a mim mesma...

(Imagem: Happy Christmas. Cover of Ukraine,
with an postage stamp and a postmark of Kiev - Ukrainian Post)

Querido Papai Noel,

Eu me portei mal neste ano. Faltei a muitas missas, pequei, falei mal dos outros, guardei raiva... Fui egoísta. Nada justifica o meu mau comportamento. Continuo com aquela vontade terrível de querer controlar o mundo, as pessoas, os acontecimentos, de modo que tudo - tudo mesmo - saia do meu jeito. Não fui uma "boa menina". Não sou uma boa menina.

Contudo, dentro de mim, mais forte do que a minha forte inclinação para o erro, as quedas, os enganos, as interrupções, a preguiça, está a minha vontade de querer mudar.

9 de dezembro de 2012

Adeus à Dona Lurdes de Araçuaí

Meu marido Farney redigiu um texto de despedida,
que nos apresenta uma católica de verdade: de Igreja e de Vida.
Enfim, de fato. (Infelizmente, coisa rara de se ver...)

Imagem: Fotografia de Nat Sakunworarat

Meu internauta:

Pela primeira vez desde que o Blog A Católica foi criado, cedo espaço para um texto inédito escrito por um terceiro, uma outra pessoa: no caso, meu marido Farney.

Seu texto é sobre alguém que não conheci. Só sei que ao terminar de ler a sua crônica, redigida com a emoção e as recordações de menino e de adulto à flor da pele, fiquei admirada com aquela mulher, cuja casa e o coração estavam abertos a conhecidos e desconhecidos.

O mais enternecedor é que ela era católica praticante.

Praticante de Igreja e De Fato.

De Fato, porque, de acordo com o testemunho do meu marido, ela punha em prática ensinamentos básicos do Catolicismo que muitos, muitos, muitos de nós (que batemos a mão no crucifixo pendurado no nosso peito, a fim de dizer: "Católicos fervorosos e com orgulho"), enfim, que muitos de nós "Católicos fervorosos e com orgulho" não exercemos, por puro egoísmo.

Mas, vamos ao texto. Com a palavra, Farney.

Dai-lhe, Senhor, o descanso eterno
e a luz perpétua a ilumine.
Descanse em paz. Amém.


29 de novembro de 2012

Escritora viciada em jogo perde (quase) tudo

Assistir ao Intervenção do canal A&E
e ler Diário de uma (ex-) JOGADORA
me fizeram ver que minha cruz é de isopor. E a sua?


(Fotografia de Abbey Hendrickson)

Eu tenho TV a cabo. Você tem? É claro que meu marido Farney e eu não temos todos os (bons) canais, porém, de vez em quando, certamente para conquistar mais clientes para a maioria dos canais, a NET - empresa que contratamos - disponibiliza um, dois, três ou até cinco que não assinamos. É uma ótima oportunidade de assistir a programas interessantes como Intervenção, exibido nas noites de quartas-feiras pelo A&E.

Como explico na página About deste Blog, gosto muito de observar o comportamento dos seres humanos. Não tem gente que gosta de árvores, de orquídeas, de peixes, de discos? Eu gosto de livros e de gente. Ver como as pessoas ao meu redor (ou nem tão ao meu redor assim) e eu mesma nos comportamos frente aos momentos felizes ou trágicos me fascina. Reuniões de família são um prato cheio para mim. Admito.

Sim. Intervenção não deixa de ser um reality show. Contudo, há duas grandes diferenças: 1ª) não é um reality "novela", que faz com que o telespectador tenha que acompanhar o desenrolar do programa por dois ou três meses, para ver no que vai dar e 2ª) não há um prêmio espetacular em dinheiro. O máximo que o principal participante do Intervenção recebe é a oportunidade de se internar em uma boa clínica, a fim de "se livrar" de algum vício: cocaína, crack, álcool...

Ah: acho que não expliquei direito.

Intervenção é um programa de uma hora de duração que exibe a vida de uma pessoa viciada em alguma droga, incluindo a vida daqueles que convivem com ela e têm que lidar com a sua doença: pais, filhos, esposa, marido, namorada... Há histórias que aconteceram nos Estados Unidos e até mesmo aqui no Brasil. É muito forte, porque mostra a pessoa se drogando. Cheirando pó, encharcando-se de bebida alcoólica... E os parentes chorando, rezando, sofrendo muito.

28 de novembro de 2012

Blog A CATÓLICA foi Top 100 de novo!

Trabalho que existe há 2 anos, pela 2ª vez, é eleito TOP 100
no Prêmio Top Blog. Obrigada a VOCÊ, internauta d'A Católica!

Imagem: Thank You! - "Obrigada!" em inglês. Fotografia de yamada taro

Meu Querido Internauta/ Leitor(a),
Saudações!!

Escrevo a você enquanto almoço: é o único tempinho que, por ora, tenho, já que meu filhote Jaime Augusto, prestes a completar 10 meses de vida, ocupa demais todos os minutos do dia da mãe dele! Falando em mãe, a minha Mamãe Gali me garante que minha irmã Andréa Cristina e eu não éramos assim: dormíamos muitíssimo e éramos quietinhas quando bebês... "É tudo culpa da testosterona", mamãe argumenta, tentando justificar toda a enorme energia do meu rebento!...

Mas, este Post é para agradecer a você, que me fez a Grande Gentileza de dedicar uma partícula de seu tempo precioso para acessar a página do Prêmio Top Blog, a fim de votar em A Católica como "Melhor Blog" na categoria Religião. Valeu mesmo!

Esta moça-mãe-bloggueira que lhe escreve ficou entre os 100, ou seja, A Católica é TOP 100 na categoria Religião. Não é façanha pouca: certamente centenas de milhares de blogueiros brasileiros inscrevem anualmente o seu trabalho, na esperança de ficar entre os Top 3.

12 de outubro de 2012

... E o Vaticano está entre nós

A Católica visitou a exposição Esplendores do Vaticano
em São Paulo (BRASIL) e conta tudo para você:
o que a emocionou e o que a "decepcionou"... Confira neste Post.

Fotografia de Ana Paula ~ A Católica (acatolica.com)

Fotografia de Ana Paula ~ A Católica (acatolica.com)

Fotografia de Ana Paula ~ A Católica (acatolica.com)

Eu estive lá em 21 de setembro. No primeiro dia, na estreia, caro internauta d'A Católica! Estou falando de Esplendores do Vaticano. Se você que me lê é católico apostólico romano e, como eu, pode dar um pulinho até a cidade de São Paulo (BRASIL), por favor: não deixe de visitar a OCA do Parque do Ibirapuera, que abriga a exposição. A mostra é impecável - eu escrevi im-pe-cá-vel - e, óbvio, imperdível.

Por que comecei dizendo "se você que me lê é católico apostólico romano..."? Resposta: porque senti, de verdade, que os Esplendores do Vaticano estão especialmente voltados para nós. Para quem tem fé e pertence à Igreja Católica. Nós, católicos, mais do que qualquer outra pessoa de outra religião ou alguém que esteja somente interessado nos aspectos artísticos, nas obras de arte, fruímos da mostra Esplendores do Vaticano intensamente. Como ninguém.

Percorrer os corredores e andares da OCA é empreender uma jornada no tempo e (por que não?) no espaço: a partir da chegada de São Pedro a Roma (Itália), passando pela construção da atual Basílica de São Pedro, até o pontificado de Bento XVI. Desde a entrada, quando fui "recepcionada" por dois recrutas da Guarda Suíça, a qual protege Sua Santidade desde a Idade Média, ouvi uma música envolvente que me abraçou e deu o tom solene, respeitoso, de oração mesmo a tudo o que vi a seguir.

É isto: embalada pelo som de uma música que dá todo um clima de sacralidade à exposição, atravessei Esplendores do Vaticano em prece.

7 de setembro de 2012

Arrogância

Muitas mamães de Primeira Viagem
empinam o nariz e dizem: "Não preciso de ninguém".
A realidade mostra como elas estão enganadas!...


(Fotografia de Vera Kratochvil)

Ando me divertindo à beça. Desde que o sufoco dos primeiros meses de maternidade passou e que agora é só (quase só) alegria, venho assistindo de camarote a muita mamãe de Primeira Viagem "quebrar a cara" - como dizemos aqui no Brasil. Ninguém - a não ser que esteja passando ou já passou por isto - faz noção do tombo que é na vida de uma mulher a chegada do primeiro filho. São meses de altos e baixos (mais baixos do que altos) nos quais tudo - eu escrevi tudo - o que você suplica a Deus são 15 minutos de sono tranquilo, sem a interrupção do choro de uma criança.

Falei com os meus pais, no último mês de gravidez, que eu precisaria ficar de 4 a 7 dias (!!) na casa deles, até que eu aprendesse a trocar fraldas e me sentisse segura para dar banho no meu neném, o fofíssimo Jaime Augusto. Quando eles me disseram que a casa deles estaria aberta a "visitas", nem os 4 ou 7 dias eu queria mais, porque, sejamos francos, receber parentes e amigos nos primeiros meses após o nascimento de um filho é de lascar - como também dizemos aqui no Brasil.

Você - no caso, a mãe - está detonada pelos pontos do parto, que incomodam e atrapalham os momentos de toilette; com os bicos dos seios superdoloridos, em carne viva, sangrando de (tentar) amamentar o bebê; extremamente cansada por não dormir, já que recém-nascidos não sabem a que horas é dia ou madrugada e vem alguém (ou alguéns) bater a sua porta para "visitar" e ficar de uma a 3 horas no seu quarto, literalmente em cima de você e do seu filho, falando sobre assuntos que não interessam. Sejamos honestos.

Por "melhor intencionadas" que as visitas sejam, os primeiros meses pertencem ao chamado ninho: mamãe, papai e bebê. Também, ao círculo mais íntimo deles: irmãos, avós e, no máximo, bisavós - a propósito, Jaime Augusto tem duas: minha Vovó Antonieta e Dona Erminda.

19 de agosto de 2012

Mudei de casa de novo. (Falta mudar a alma)

Levei para a nossa nova casa a velha Ana Paula.
Invejo Zaqueu, que mudou de vida "logo" -
ou será que essa é apenas a impressão que a Bíblia me dá?

(Fotografia de Marina Fuzaro)

São quatro anos de casada e é a nossa terceira casa. Começamos com um quarto, fomos para dois e agora estamos com três. Mudança (como você deve saber), dá um trabalho... Sem contar o stress de chegar ao novo lar e encontrar móveis queridos, adquiridos com tanto esforço, danificados. (Eu juro que nunca mais contratarei a mesma empresa.)

Há pilhas de caixas vazias empilhadas na copa, tapando a nossa visão das janelas alheias e os olhares curiosos dos nossos vizinhos. Levou uns 20 dias para desempacotarmos tudo. Pôr todas as coisas no devido lugar. Fiz questão de lavar todos os nossos utensílios. Casa nova, vida nova, tudo limpo. Reluzindo a... Inox.

Apesar de tudo, mudar é bom. Afinal, salvo algumas exceções, dificilmente a gente se dispõe a ir para um lugar pior. Sempre corremos atrás do melhor. Daquilo que julgamos ser o melhor. Para nós, para nossos filhos (se os temos).

Debati outro dia com Mamãe Gali que seria ótimo se pudéssemos mudar as disposições da nossa alma do mesmo jeito com que deixamos uma casa e montamos outra, em outro lugar. Mas não é assim, não é mesmo? Por incrível que seja, deslocar cadeiras, estante, poltrona, berço, etc., etc., etc. e pôr roupas e objetos de cama, banho e mesa em armários e gavetas despendem bem menos trabalho (bote "bem menos" nisso) do que deixar de ser fofoqueira, deixar de ser "reclamona", deixar de ser rancorosa...

Eu queria mudar a mim mesma com a mesma presteza com que mudei (mais uma vez) de casa.

Porém, dou cabeçada em muros e pontas de faca, incorrendo nos mesmos erros, percorrendo vias e vielas que sei que dão em... Lugar nenhum.

3 de agosto de 2012

Dois pra lá, dois pra cá... Blog A Católica faz 2 anos

Jaime Augusto completou 6 meses, A Católica fez 2 anos
e eu reflito sobre a Felicidade e... Danço!


Imagem: Ballerina oil painting - Flasher

Todos nós temos N questões pendentes a resolver: um regime a ser feito, uma contabilidade a ser concluída, uma monografia a ser entregue, um vazamento pra consertar. Dentre elas, acabamos elegendo uma ou duas que são mais prementes. A minha é: preciso ser mais leve. A aparente fragilidade do meu aspecto físico contrasta bravamente com o peso da minha alma. Não no sentido de "sabedoria" nem de "profundidade", e sim no de levar tudo, como dizemos aqui no Brasil, "a ferro e fogo".

Quase tudo para mim é pesado, complicado, intenso. Bastam uma desordem, uma dificuldade ou mero um contratempo para eu despender horas, dias, semanas a fio em debates com os outros e comigo mesma... Até esgotar a questão.

Estou cansada.

Cansada de levar tudo e todos tão a sério. De riscar com pincel atômico vermelho (ou preto) tantas coisas, dando a muitas delas uma importância, uma gravidade, que não têm.

Decidi ser leve. Lutar para ser leve.

Essa é uma questão que já abordei em pelo menos 2 Posts do Blog A Católica: A sustentável leveza do ser e A sustentável leveza do ser - parte 2.

A Lu Monte, responsável pelo delicioso Blog Dia de Folga, publicou recentemente um Post no qual relata que vem abrindo mão de roupas, CDs e maquiagens que acumulou ao longo de sua vida. A cada ponderação das centenas de coisas que adquiriu, ela concluía: "a felicidade não estava ali".

Eu também preciso me livrar de inúmeros "bens materiais".

Dentre eles, toneladas - e não estou exagerando - de papéis, xerox, recortes de jornais e de revistas. Agora, decidi guardar textos e trechos interessantes que li somente na memória e no coração, em vez de no meu armário - que já não comporta mais nada. Igualmente, quero me livrar de várias roupas - embora minha mãe ache que as tenho bem poucas e meu marido, que uso "sempre as mesmas"...

20 de julho de 2012

Não odeie: seja indiferente

A atriz Greta Garbo continua exemplo único de discrição:
largou a carreira em 1942 e viveu sem dar declarações até morrer, em 1990.
Nem todo ódio precisa ser proclamado; nem todo inimigo, anunciado


Imagem: Film poster for Queen Christina (1933) - Employee(s) of MGM

Eu achava que o contrário do amor fosse o ódio. Porém, um professor que tive na faculdade - mais exatamente professor da disciplina "Ética e Legislação no Jornalismo" -, que gostava de fazer meditações antes de sua aula, nos disse que o contrário do amor é a indiferença. Nunca mais esqueci.

Ele explicou: "Amor e ódio estão muito próximos um do outro. São como duas pontas de uma reta. Quando você as une, forma um círculo. Ou seja: um acaba bem perto do outro". O professor continuou: "Se você quer 'matar' alguém, seja indiferente a ele. Não demonstre os seus sentimentos. Não odeie".

Relacionar-se é dificílimo. E não estou falando de relacionamento esposa e marido nem de pais e filhos. É que às vezes, aliás, é que muitas vezes a vida nos impõe a conviver ou mesmo a ver de vez em quando pessoas por quem nutrimos sincera e tremenda antipatia. Seja um colega de trabalho, com quem convivemos, seja um parente com quem nos esbarramos numa visita, num evento de família, vez e outra.

Tive um colega de trabalho intragável.

Soube que me apelidou de "Meio Quilo". Eu me referia a ele, nas conversas com o meu então namorado (hoje, marido), como "Energúmeno" - afinal, eu estava ressentida, com raiva. Em público, diante dos outros jornalistas, o tal colega tentava, tentava e tentava me tirar do sério (como dizemos aqui no Brasil). Nunca cedi.

28 de junho de 2012

Ah, as mãos...

Quem de nós não adoraria ter uma Mammy,
como Scarlett O'Hara no filme ... E o Vento Levou?
Alguém para nos servir, dando-nos tudo de bandeja?

Neste Post d'A Católica, a inutilidade das nossas mãos

(Imagem: Studio portrait photo of Vivien Leigh taken for promotional use - 1939 - MGM)

Quando assisti ao clássico ... E o Vento Levou pela primeira vez, logo no comecinho do filme, algo me chamou a atenção: Scarlett O'Hara, a personagem principal, se aprontava para ir a um churrasco e recebia tudo nas mãos: desde a bandeja prateada com o café da manhã até o espartilho que a escrava, Mammy, apertava-lhe na cinturinha de pilão (como dizemos aqui no Brasil).

Muitos anos mais tarde, quando vi Maria Antonieta, fiquei impressionada com a sucessão de cenas nas quais a aristocrata austríaca, que se casou com o herdeiro do trono francês, Luís XVI, não precisava fazer absolutamente nada: havia quase uma dezena de criadas para lhe tirarem as roupas e lhe colocarem a camisola. As mãos da princesa serviam praticamente apenas para dispor penduricalhos sobre as perucas que usava, jogar cartas e levar champanhe e guloseimas coloridas à boca.

Pouco depois disso, comecei a assistir ao A Dama de Ferro. Também logo no início desse filme, a personagem Margaret Thatcher, interpretada por Meryl Streep, tem dificuldades de se vestir e conta com o auxílio (se não me engano) da filha para pôr vestidos, casacos e os sapatos. Estava idosa e doente. Contemplar as dificuldades da ex-primeira-ministra do Reino Unido da Grã-Bretanha me fez recordar as palavras da minha mãe: "Nada como fazer as coisas sem precisar da ajuda de alguém...".

Ah, as mãos.

Photo taken in 1925 or earlier, by Doris Ulmann

13 de maio de 2012

Lembranças demais da conta, sô


Nossa ânsia de registrar e divulgar pra todo mundo
nossas caras e bocas, a nossa "felicidade",

deixa pouco espaço pra espontaneidade. Para a vida, enfim.


(Imagem de Eddie Fouse)

Fotografia de Jiri Hodan

está tudo registrado. depois que as máquinas fotográficas tornaram-se acessíveis e, mais tarde, digitais, depois que e-mails, sites, blogs, orkuts, twitters e facebooks foram criados, todos nós (ou pelo menos o que parece ser a grande maioria de nós) tornamo-nos obcecados em... registrar. anos atrás, a canção "tá tudo dominado" fez sucesso aqui no Brasil. minha analogia é: "tá tudo registrado". registramos tudo. tudo, tudo, tudo.

não vou aqui expor uma crítica aos blogs em que bloggueiros deslindam detalhes de sua vida amorosa, familiar, profissional, etc. nem a quem escolheu estampar nos sites de relacionamento a intimidade do seu dia a dia - desde uma viagem ao estrangeiro até o que vestiu na lua-de-mel. é uma escolha. eu respeito.

o problema é que desde que a Internet tornou-se disponível na palma da mão, dentro de um celular pequenininho (ou nem tanto), a preocupação de muitos de nós deixou de ser viver, desfrutar do momento, para... registrar. queremos fotografar e filmar TUDO. seja para enviar via Bluetooth a algum parente querido e distante, seja para exibir a estranhos no nosso Facebook (nota: eu não tenho um).

18 de abril de 2012

A Sessão da Tarde e o aborto de anencéfalos

Um filme exibido na Rede Globo tem muito a ver
com as mulheres que optam por abortar
um feto sem partes do cérebro


(Imagem de Raoli)


Sou do tempo em que a Sessão da Tarde da Rede Globo de Televisão passava filmes decentes. Digo: dignos de serem vistos. Pela minha mente perfilam-se os longas do maravilhoso comediante Jerry Lewis; dos Três Patetas; aqueles dos anos 1970 sobre acampamentos juvenis e relação pais e filhos; aqueles dos anos 1980 sobre cursos de verão e temáticas mais dramáticas como Só Resta uma Esperança (título que ganhou no Brasil), com o então jovem e gatíssimo Mark Harmon.

Pois um desses filmes de drama, do tempo em que a Rede Globo não tinha medo de pôr qualidade no conteúdo que nos oferecia à tarde, me veio hoje assim... Meio do nada. (Será?)

Não me lembro do título, nem dos atores. Só guardei o roteiro e - talvez - o nome da personagem principal: Izobel. Tratava-se da história de uma mulher de cerca de 40 anos de idade, divorciada, que reencontra o amor num homem cerca de dez anos mais moço. No final do filme - cena que mais me marcou -, o rapaz pichava no muro que dava para um túnel: "Izobel, eu te amo". Em letras pretas e garrafais.

O longa não discorria sobre uma história de amor água com açúcar (como dizemos aqui no Brasil). O cerne do roteiro abordava um drama (eu falei de "temática dramática", lembra?).

Izobel era uma mulher bonita, interessante, culta... Porém, não acreditava em si. Padecia - embora de jeito algum aparentasse isto - de falta de autoestima. Costumava pintar quadros, mas os anos de casada levaram-na, pouco a pouco, a abandonar a vocação. Há um momento no filme - e disto me recordo bem - em que ela resolve mostrar suas obras antigas para o novo namorado. Ele se surpreende, se entusiasma e a elogia: "Izobel, você é boa! Você é muito boa! Você é ótima! Você tem que voltar a pintar! Você tem que retomar!".

Izobel apela, xinga o namorado, diz que ele está "mentindo". Eles brigam. Até se separam.

Procurando entender a reação irada da amada, o jovem acaba descobrindo que seu ex-marido, na época em que ainda era casada, acabou com toda a confiança que ela tinha no próprio talento. Também se não me falha a memória, há uma cena na qual Izobel, em prantos, diz: "Eu sou ruim. Eu sou ruim. Ele [seu ex-marido] tinha razão. Eu não pinto bem...".

10 de abril de 2012

Memórias tão sentimentais de amigos

O problema da amizade, mesmo que uns não queiram, é que mais dia menos dia
deixamos de estar com os amigos, levados pelas ondas de interesses diversos...


Imagem: Icon of friendship - Christ and Saint Mina - 6th century


parece que foi ontem. aquele dia nublado na praia, aquela menina de 8 anos de idade pulando ondas do mar comigo - eu tinha 20. era a primeira vez em que nos víamos e ela foi direto ao ponto: "quer ser a minha amiga?". aquele pedido curto, sincero e seco me pegou de surpresa. já vi pedirem os outros em namoro, mas "para ser amiga"? estranho. meio sem pensar, respondi: "sim, claro". nunca mais nos vimos.

o pedido de amizade foi sincero, escrevi. só que, ao contrário de um namoro, a amizade não começa assim. ela começa espontaneamente, sem a gente perceber e, em alguns casos, quando nos assustamos, nos tornamos "o grande amigo" de alguém.

passei em revista os grandes amigos que tive ao longo da minha vida e até agora. lembrei que, no começo, fazia questão de guardar seus nomes e sobrenomes.

como o da Adriana S. de T. ela foi minha cúmplice durante um dia de chuva no colégio onde estudávamos. estivemos ilhadas entre um bloco e outro, muita água e ventania, e ficamos sem saber se permanecíamos ali, paradas, ou se nos atrevíamos a nos molhar para retornar à sala de aula. de tudo o que envolveu a nossa amizade, foi isto o que ficou como recordação: duas meninas de cerca de 9 anos de idade numa tormenta.

depois vieram a Lucimar e a Giordânia. era 1986.

passávamos o recreio juntas, em trio - às vezes a Janaína se juntava a nós. foi a Lucimar quem me ensinou que não se escreve uma carta batida à máquina, que é falta de educação. "minha mãe me falou que cartas devem ser de próprio punho", frisou. é que a Janaína havia lhe dado uma datilografada, com versos de uma canção da Rita Lee: "Porque essa vida é muito louca/ E loucura pouca é bobagem".

engraçado: não existem mais cartas - a não ser as de cobrança - e os e-mails são digitalizados. (o que a mãe da Lucimar diria disso?)

nesse ínterim, tive uma vizinha-amiga chamada Cristina V. L. nas férias, os primos dela - Rodrigo e Luciano - vinham visitá-la. Com o Rodrigo, mais velho do que nós, aprendi um gesto de gentileza. num dia estive com febre e não desci para brincar com o pessoal do prédio. ele tocou a campainha, minha mãe atendeu, só para saber como eu estava. achei isso tão grande e tão singelo. me fez sentir "importante". nunca mais esqueci.

veio a Raquel. esquisito. não me lembro do seu sobrenome.

1 de abril de 2012

Procissão do Domingo de Ramos

Um poema sobre a participação de uma brasileira comum
no dia que marca o início da Semana Santa


Imagem: The Palm Leaf, William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)

deixou as vasilhas sujas dentro da caçamba inox da pia.
tomou um leite com Nescau.
estava pronta.
blusa branca, calça, sapato confortável.

desceu correndo os lances da escada -
quantos seriam mesmo?
não sabe. nunca contou.
voou sobre eles -
quase escorregou e caiu
estatelada.

bateu as duas portarias.

saiu a passos curtos, mas rápidos,
desembestada pelas ruas do bairro:
era preciso chegar correndo à igreja.

a procissão do Domingo de Ramos
sairia pontualmente às 8h da manhã.
era importante estar lá desde o começo,
vivendo a expectativa da partida,
participando de cada passo, de cada esquina
percorrida.

ops.

esqueceu o ramo verde.
a pressa tem dessas coisas.
ficou decepcionada consigo mesma:
havia escolhido a folha a dedo. no Mercado Central.

16 de março de 2012

Afinal: o que os sonhos querem dizer?

A liturgia de hoje me mostra que não ouço a voz do Senhor -
por não seguir Seus mandamentos, tenho sonhos recorrentes de "reprovação"

Imagem: Frau im Bett (schlafend) – Schlafendes Mädchen I (1922), Walter Grammatté

você tem sonhos repetidos? que tornam a aparecer? eu tenho. ondas do mar, grandes, imensas ondas, frequentemente povoam minhas madrugadas. outro sonho é que estou em uma sala de aula, repleta de gente (ou melhor: de colegas), e é dia de prova ou da entrega de algum trabalho, porém não estou preparada. não estudei, não fiz a tarefa e certamente "ficarei para trás", serei "reprovada". daí, eu acordo.

sei que sonhos não são literais, e sim, metáforas.

por isso, costumava folhear livros com seus "significados". era um barato. o chato é que não demorou - leitora voraz que sou - para eu descobrir que as interpretações dos sonhos não são generalistas: devem ser individuais. as ondas do mar colossais têm um sentido para mim, para a minha vida, e têm um sentido diverso para outra pessoa - levando-se em conta as particularidades de sua vida, de seus traumas.

mas, mais do que as ondas que varrem o meu sono, os sonhos com salas de aula são os que mais me intrigam. vira e mexe, acordo de manhã me perguntando: "o que será que estou 'devendo'?"; "que tarefa deixei de cumprir?"; "para que 'prova' eu não me preparei?". e vou passando em revista todos os aspectos da minha vida: como filha, como irmã, como afilhada, como neta, como esposa e (agora) como mãe.

9 de março de 2012

Virei... MÃE!

... E mesmo que não tivesse me tornado uma,
aceitaria dócil a Vontade de Deus.
Todos temos dons intransferíveis para fazer frutificar


(Fotografia: Arquivo de Família)

finalmente, entrei para a categoria das MÃES. e vou lhe contar uma coisa, internauta d'A Católica: está sendo uma experiência bastante diferente. "diferente", não pra melhor nem pra pior. apenas... diferente. bem distante do que eu supunha. muito mais árduo, exigente, intenso. só não posso descrever (embora, confesso, adoraria fazê-lo), porque está tudo tão recente, que seria uma opinião precoce, afoita, descabida. deixaria aquele gosto de banana verde na minha e na sua boca e nenhum de nós sairia contente.

acompanho nas noites de sexta-feira, pelo canal de TV a cabo Discovery Home and Health, dois programas sobre salas de parto. o que eu experienciei não teve absolutamente nada, nada, nada a ver com o que aquelas mães norte-americanas passam. (a não ser, admito, pela peridural.) todo aquele sofrimento, aqueles gemidos, aquelas horas que custam a passar. os gritos lancinantes. não tive. minha dor veio depois.

com o passar dos dias e das semanas, fui me dando conta de que enquanto eu e meu filho - sim: é um rapazinho - vivermos, ele será responsabilidade minha. minha e do meu marido. contudo, "mais" minha. porque entendi bem rápido que o papel da mãe neste conto-de-fadas, nesta história encantadora e sonhada por muitos casais chamada Maternidade e Paternidade, o encargo da mãe é, de longe e incontestavelmente, maior, pesado. e intransferível.

daí, internauta d'A Católica, me veio um sentimento de solidão inexplicável, que nunca, nunca experimentei.

nem naquela vez, nos idos de 1997, quando peguei o ônibus errado e desci a vários (bote vários nisso) quarteirões da minha casa. no relógio, 23h e saí andando morrendo de medo, naquela quase escuridão (quase, porque havia as luzes dos postes). não tinha viv'alma nas ruas. ninguém. only myself. eu andando o mais depressa que podia, subindo e descendo dos meio-fios, dobrando esquinas e fazendo curvas, a fim de não cruzar com nenhum bandido tão sozinho quanto eu. fugindo da ausência. do silêncio. do imponderável.

24 de janeiro de 2012

O que você anda aplaudindo?

Com nossas risadas, promovemos o comportamento destrutivo e negativo
de adolescentes, menininhas de 7 anos e até de sexagenários cruéis


(Fotografia de Kashif Mardani)

Basta observar uma criança. Bem Novinha. Novinha mesmo. Ela dá um reboladinho ao som de uma música ou simula que caiu de bumbum no chão, logo depois arranca risadas da mamãe, do papai, dos avós ou de alguma visita e... Está formada a sua plateia. Ela sabe que agradou e, com certeza, estimulada pelos adultos, repetirá o mesmo comportamento. Over and over again - como se diz em bom inglês.

Se você está lendo estas linhas que flutuam na tela do computador, certamente não é mais "uma criancinha". Contudo, quem garante que você e eu não viemos, ao longo desses anos de crescimento e de (suposta) maturidade, ecoando aquele comportamento infantil? Alguém nos elogia e... Estimulados pelo aplauso alheio, repetimos e repetimos e repetimos o mesmo comportamento. Ad infinitum - agora, em bom latim.

Pois é isso o que ultimamente vem me preocupando, internauta d'A Católica.

Muitas vezes, aplaudimos o comportamento de alguém excitados pelo calor da hora, da situação, e sem querer acabamos encorajando uma postura destrutiva diante da vida, que terá repercussões lá na frente, no futuro. É como "morrer de rir" daquele aluno mal-educado, que desrespeita o professor. Incitado pelos colegas de classe, ele fará isso de novo e de novo e de novo, porque "agradou", conseguiu chamar a atenção.

Pois recentemente soube do vídeo de um adolescente, menor de idade, que bastante embriagado, acabou fazendo bundalelê no meio de uma festa. Um grupo se reuniu para assistir ao vídeo e dá-lhe gargalhadas: todo mundo achou muito engraçado. É aí que mora o perigo. Sobretudo se se trata de um adolescente tímido, a filmagem e as risadas posteriores acabam lhe mandando uma mensagem, a qual ele pode interpretar assim: "Quando eu bebo, eu me solto, relaxo e... Agrado as pessoas. Vou fazer mais!".

Fotografia de Dani Lurie from London, United Kingdom

Já pensou? Podemos, muito sem querer, muito sem achar que "não tem nada demais", estar estimulando o alcoolismo num menino tão novo. Sério. Não estou exagerando. Há outros exemplos.

Numa noite, anos atrás, meu marido e eu aguardávamos o ônibus num ponto na Avenida Silviano Brandão, aqui na minha cidade, Belo Horizonte, quando chegaram uma mãe, suas duas filhas - uma com 5 e a outra com cerca de 7 anos de idade - e outras duas mulheres (tias das crianças?). Na época, a Rede Globo de Televisão exibia uma novela na qual uma atriz famosa interpretava uma dançarina de strip-tease.

Pois então.

2 de janeiro de 2012

Falar muito não adianta nada

Alguns pensam em não faltar mais à missa; outros, em parar
de fumar e há aquelas que querem emagrecer.
Minha meta pra 2012 é manter a boca fechada. CONSEGUIREI?


(Imagem: Cartaz de 1942 ou 1943 - Autor Desconhecido -
Fonte: U.S. National Archives and Records Administration)

Tenho 35 anos de idade e um doce orgulho...

... O de haver aprendido tantas coisas e ter outros zilhões delas a aprender. Minto. São dois doces orgulhos: o segundo é o de estar disposta a aprender. Porém, reconheço: adquirir conhecimento é fácil. Difícil é colocá-lo em prática. Por isso, neste primeiro Post de 2012, divido com você o meu mais recente aprendizado: não adianta falar.

Sempre fui faladeira. Desde bebê. E dessas crianças que, apesar de ser boa aluna, a professora se via obrigada a colocar lá na frente da classe, longe dos outros alunos, a fim de "fechar a matraca" e não atrapalhar ninguém a prestar a atenção na aula. Até hoje, pessoas próximas se queixam comigo: "Cale a boca, Ana Paula! Você fala demais!...".

Confesso: é um prazer organizar ideias, articular sons, expressar argumentos. Falar.

Todavia, neste 1º dia de janeiro de 2012, fui brindada com provas cabais de que é uma perda de ar, de saliva e de tempo tentar convencer alguém daquilo que só você experienciou. Muito pouca gente está disposta a abrir os ouvidos, inclinar o corpo em sua direção e desprender-se de suas convicções para tentar apreender (ou seja: captar) o que você diz.

Saio das conversas com pessoas "fechadas" completamente exausta e triste.

Não que eu tenha querido impor a qualquer uma delas o meu ponto de vista. Minha frustração reside em que nenhuma esteve disposta a me ouvir, a me entender. Eu digo: "O lápis sobre a mesa, de onde eu estou, me parece vermelho". Sem nem ao menos virar a cabeça para dar uma olhadela no móvel, meu interlocutor afirma: "Não. É verde".

E quando o interlocutor é uma pessoa bem mais velha?