22 de dezembro de 2011

Esperar: um verbo cheio de atitude

Ao contrário do que muitos imaginam,
o verbo esperar não tem nada de "passivo":
implica movimento e mudança (não é isso o que queremos?)


Imagem: Warten auf den Liebsten (1923), Carl Mücke

Em Samba da Bênção, o Poetinha Vinícius de Moraes afirma que "A Vida é arte do encontro/ Embora haja tanto desencontro pela vida/ Há sempre uma mulher a sua espera/ Com os olhos cheios de carinho/ E as mãos cheias de perdão...". Eu penso que a Vida é arte da espera. Você lasca a forma no forno e espera a massa crescer, o bolo ficar pronto. Você investe em seus estudos e espera pelas oportunidades. Você fala e fala e fala com alguém e espera as suas palavras frutificarem. E por aí vai...

Há quatro significados do verbo esperar que me tocam: 1) Ter esperança; 2) Contar com; 3) Aguardar e 4) Armar emboscada a. Todos eles me mostram que um ditado popular aqui no Brasil faz todo o sentido: Quem espera sempre alcança. Por quê? Porque esperar, ao contrário do que o verbo nos levaria a supor, não implica imobilidade, acomodação, e sim, conforme os significados vistos acima, movimento, atitude, ação.

Vejamos: aguardar, entre outros sentidos, é vigiar. Isso é uma ação.

Senior Chief Photographer's Mate Mitchell -
Fonte: U.S. Department of Defense's Defense Visual Information Center

À espera de algo acontecer em minha vida, eu necessariamente não estou assentada num banco de praça ou parada em frente à janela "vendo a banda passar". Estou em alerta. Vigio. Ouço, penso, considero e reconsidero posições, opiniões e comportamentos. Se algo diferente ocorre, fujo, grito, mudo de direção, porque estou em alerta, já que eu espero, ou seja, aguardo, ou seja, vigio.

Esperar também significa contar com. Entre outros sentidos, contar quer dizer ter confiança.

Eis algo dificílimo, que aprendemos muitas vezes graças ao apoio e aos conselhos de pessoas importantes na nossa trajetória, como nossa mãe: "Tenha confiança, meu filho. Vai dar tudo certo". Assim, ao longo dos anos, de confiança em confiança, aprendemos a caminhar, a andar da bicicleta, a dar um mergulho na piscina ou no mar, a falar em público diante dos colegas e a pedir aquela menina linda em namoro (certo?).

Sem a atitude de ter confiança, até mesmo o ato de nos pormos de pé, todos os dias pela manhã, se torna um desafio que nos impõe medo e... Inação. (É só perguntarmos às pessoas que sofrem de depressão como elas se sentem tão sem confiança nelas mesmas, nos outros, na vida.)

Isso nos leva a outro significado de esperar, qual seja, ter esperança.

Lembro, ainda no colégio, um poema que aprendi atribuído ao poeta gaúcho Mário Quintana (1906-1994), o qual me impressiona bastante. Até hoje.

15 de dezembro de 2011

E as águas estão rolando em BH (e como)

Chove sem parar há cerca de 4 dias na cidade que amo, aqui no Brasil.
Neste Post d'A Católica, uma síntese do que ocorre e
um reflexo do meu estado de espírito

(Fotografia de Ana Paula~A Católica - acatolica.com)

Nasci e vivo numa cidade que há poucos dias completou 114 anos de criação. Eu amo Belo Horizonte - ou Belô, ou BH, como carinhosamente a chamamos. Amo.

Tenho orgulho de aqui ser o berço do Clube da Esquina (cuja estrela mais reluzente é o cantor e compositor Milton Nascimento); da banda pop Skank; do grupo de dança contemporânea Corpo e do grupo de teatro Galpão. Estamos cercados pela Serra do Curral, comemos pão de queijo, bolo de fubá, feijão tropeiro e couve picadinha e jogamos conversa fora no boteco. Adoro tudo isso.

Acontece que, de quatro dias para cá, a cidade que avisto da minha janela lateral e que vejo nos noticiários na televisão está um tanto irreconhecível: não para de chover. Com isso, a paisagem azul, iluminada e verde está branca e cinza; as pistas onde os automóveis, caminhões, ônibus e micro-ônibus transitam estão alagadas; os canteiros e passeios, amarronzados ou cor de caramelo - é a lama, é a lama, é a lama.

Aqui no Brasil, tem um hino do folclore popular que o povo nordestino costuma entoar, pedindo chuva a São José:

Glorioso São José
Glorioso São José
Dai-nos chuva em abundância
Glorioso São José.

Hoje, posso afirmar: nada em abundância é legal. E isso inclui a chuva.

A água que cai do céu nesses últimos dias aqui em BH é tanta, é tamanha, que confesso a você: estou profundamente irritada. As enchentes que se formaram, alagando vias como as avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado; asfaltos que afundaram e se romperam, ameaçando prédios, como no Bairro Gutierrez; encostas que deslizaram e interditaram túneis, como na BR 356, em frente ao Ponteio Lar Shopping...

... Assistir pela TV ao desespero dos belo-horizontinos é angustiante.

14 de dezembro de 2011

Canção de Marisa Monte para JESUS

Novo CD da artista brasileira tem composição
apropriada para entoar neste Natal,
quando recordamos a vinda de Cristo à Terra


(Photographer: Frank C. Müller)

Remetente: Ana Paula~A Católica (acatolica.com)
Destinatário: Menino Jesus

Nota: A exemplo do que fiz no Post As canções que só eu canto para JESUS, apropriei-me do mais recente sucesso da incrível cantora e compositora brasileira para dedicá-lo a Nosso Senhor, neste Natal de 2011. Ainda Bem é de autoria de Marisa Monte e Arnaldo Antunes.


Ainda bem
Que agora encontrei Você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer
Você

Nativity (15th century) - detail: Nude Baby Jesus - Wolfgang Sauber

10 de dezembro de 2011

Quando agimos como... Criancinhas!


Neste Post d'A Católica, confira 10 atitudes nossas
que ecoam a pior faceta da criança que todos fomos!

Imagem: Cartoon Boy and Girl (1913),
Pub by Lowman & Hanford Co Seattle Wash

Mudando de canal nesta semana, me deparei com a seguinte legenda sob a tela da TV: Sociedade Infantilizada. Era o tema do programa Trocando Ideias, da TV Canção Nova, exibido ao vivo nesse 6 de dezembro. Infelizmente não pude acompanhá-lo: estava cansada e fui dormir mais cedo. Mas o sono não me impediu de matutar o assunto em pauta e já na cama levantei os pontos em que muitos de nós somos... Infantis.

"Deixai vir a mim os pequequinos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará." (Mc 10, 14-15; Lc 18, 16-17; Mt 19, 14)

Quando Jesus explica isso a seus discípulos, à primeira lida poderíamos pensar que ser infantil é uma qualidade e tanta! Porém, notas como as que constam nas traduções da Bíblia pela editora Ave-Maria e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nos esclarecem as palavras do Mestre:

Receber o Reino significa receber Cristo, o Evangelho, a graça. Urge recebê-lo com a simplicidade de uma criança para que se possa entrar nele.

Esta é a característica que a Igreja ressalta nas criancinhas (ou pequeninos) e que todos devemos rememorar e copiar: a simplicidade.

É bom recorrer ao dicionário, a fim de ir a fundo e compreender o significado das palavras. De acordo com o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, entre outras coisas, Ser Simples é ser:
1) Sem ornatos nem enfeites, ou seja, Modesto; Sem luxo,
2) De fácil interpretação,
3) Puro; claro,
4) Singelo; inocente e
5) Crédulo.

Todos essas virtudes, que felizmente ainda identificamos em muitas crianças, compõem a simplicidade que Jesus espera encontrar em nós. Nossa grande luta deve ser voltar a incorporá-la ao nosso caráter, ao nosso modo de ser, de sentir e de nos portar no mundo, para que alcancemos o Reino dos céus.

Acontece que o termo infantil implica aquilo que é "próprio de criança". E "próprio de criança" não é somente a simplicidade, e sim uma série de outros atributos, digamos, um tanto negativos... Engraçado: em vez de mantermos em nós a simplicidade da criança, preferimos levar pela vida afora todos esses outros atributos! É uma baita ironia: conservamos na vida adulta "o pior" de uma criança, e não o melhor.

Este Post d'A Católica, portanto, pretende elencar dez características infantis que tornam muitos de nós e consequentemente a sociedade na qual vivemos Infantilizados. Assim,

Como as Crianças....


8 de dezembro de 2011

Tornando o NATAL mais prazeroso

Tenho uma teoria sobre adultos que não gostam do Natal.
Ela revela por que devemos dar importância a essa Data Especial

(Fotografia de Ana Paula~A Católica - acatolica.com)

Nunca vou me esquecer de quando li numa das edições da revista brasileira Cláudia uma frase e tanta atribuída ao poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) : é preciso erotizar o cotidiano. O verbo - que poderia causar polêmica num Blog católico - significa apenas, conforme apreendi da leitura da reportagem, tornar o cotidiano mais interessante, excitante, empolgante.

Li essa frase em torno dos meus 17 anos de idade. E acolhendo os conselhos da matéria jornalística, nunca mais consegui tomar café que não fosse em uma xícara (com asa), cuidadosamente colocada sobre um pires. Vinho, somente em taça apropriada. Talheres dispostos na mesa sobre um guardanapo. Os pães têm a sua faca; a manteiga idem. Nada de misturar, usando uma no lugar da outra.

Tudo isso, que soaria como futilidade e frescura, na verdade, guarda e reflete um desvelo indispensável com a vida, com nós mesmos, com a nossa rotina. Um café em uma xícara de porcelana, em vez de servi-lo em um copo de vidro, dá a ele mais sabor. Sério. É mais gostoso tomá-lo assim. E de cuidado em cuidado, a nossa rotina, da qual a hora das refeições faz parte, torna-se mais organizada e prazerosa.

Pensei nisso, porque estamos na época do Natal.

Com a correria, alguns de nós acabamos protelando o momento de parar com tudo para nos concentrarmos em adornar a casa - nem que seja somente montando a árvore ou o Presépio num canto da sala de estar. Acabamos deixando para lá, adiando... Assim, a noite de 24 de dezembro chega e o nosso lar segue com a cara de sempre: não nos preparamos para o Espírito Natalino nem mesmo com a decoração.

Usar a faca certa na manteiga, tomar vinho na taça, distribuir enfeites de Natal pela sala de estar...

... Atitudes que podem parecer "perda de tempo", num mundo - este no qual vivemos - onde cada minuto é precioso para produzirmos mais, ganharmos mais dinheiro ou simplesmente assistirmos mais à TV. "Pra quê taça? Tomo meu gole de Almadén no copo de requeijão mesmo!"; "Pra quê pegar a escada, alcançar o alto do armário e descer com aquela árvore velha e aquelas caixas com bolas vermelhas descoradas?"

Acontece que focamos o processo - pegar a escada, abrir a porta do armário, descer com os enfeites, desembalá-los, juntar as embalagens, subir na escada de novo, guardá-las, fechar o armário, pôr a escada no lugar... Ufa! Que canseira! - e nos esquecemos de mirar, lá adiante, o prazer com o resultado. A casa está ornada para o Natal, refletindo o nosso contentamento, a nossa abertura para um tempo diferente no calendário.

Papai Tuti montando a árvore de Natal em 2011 -
Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.com)

Farney montando o nosso Presépio em 2011 -
Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.com)