29 de novembro de 2011

Por que os jovens abandonam a Igreja?

Lembro por que uma vez abandonei a Igreja Católica
e sei muito bem por que eu voltei:
graças aos trabalhos de Padre Marcelo Rossi e da TV Canção Nova

(Padre Marcelo em 2006 - Fotografia de Sérgio (Savaman) Savarese)

Acabei de ler uma notícia recém-publicada no site de notícias Zenit, cujo título é o mesmo que dei a este Post d'A Católica. Ao terminar a leitura do artigo, que gira em torno do lançamento do livro You Lost Me: Why Young Christians are Leaving the Church... and Rethinking Faith (Você me perdeu: por que jovens cristãos estão deixando a Igreja... E repensando a fé), comecei a refletir por que eu, Ana Paula, no início dos anos 1990, com cerca de 15 anos de idade, deixei a Igreja...

... Mas, principalmente por que, já na casa dos 30, voltei. Decidi voltar.

Pelo que apreendi do texto da Zenit, são inúmeros os motivos pelos quais os jovens de cerca de 20 anos de idade abandonam a participação institucional, ou seja, deixam de comparecer às missas: "Ao analisar as causas do afastamento dos jovens das igrejas, Kinnaman [um dos autores do livro] admite que esperava encontrar uma ou duas razões principais, mas descobriu uma grande variedade de frustrações que levam as pessoas a esse abandono".

Uma dessas razões me chamou a atenção:

Em muitos casos, as igrejas não conseguem educar os jovens em profundidade suficiente. Uma fé superficial deixa adolescentes e jovens adultos com uma lista de crenças vagas e uma desconexão entre a fé e a vida diária. Como resultado, muitos jovens consideram o cristianismo chato e irrelevante.

No início da adolescência, comecei a achar a Santa Missa a "coisa mais chata do mundo". Tediosa, repetitiva, sem nexo. Também não entendia por que a gente tinha que levantar, sentar, ajoelhar, levantar de novo, sentar... Não via sentido nessa movimentação toda: morrendo de preguiça, eu só queria saber de ficar assentada até o padre dizer: "Vamos em paz e que o Senhor nos acompanhe". Ao que respondemos: "Graças a Deus". Para a jovenzinha que fui, era "Graças a Deus" mesmo. Literalmente: "Ufa! Acabou!".

Coincidentemente, desolada pela morte da minha avó inesquecível, a Nelita ou Mãe-Ita (sobre quem já publiquei um Post aqui n'A Católica), minha mãe se tornou espírita kardecista. Segundo suas próprias palavras, essa doutrina oferecia um consolo que ela não encontrou na Igreja Católica. Curiosa, aberta ao que é novo e motivada pelo entusiasmo da minha mãe e da minha madrinha, acompanhei-as nessa escolha e também passei a crer em "outras vidas", etc., etc., etc.

Surpreendentemente porém, com o passar dos anos, o espiritismo kardecista não me preencheu. Comecei a sentir falta do Santo Terço, das preces aos santos, dos rituais e de outros elementos que só a Igreja Católica tem.

A questão é: como essa espécie de "saudade do Catolicismo" foi tomando conta de mim? Resposta: foi me dominando, porque no final dos anos 1990 a Renovação Carismática Católica ganhou força no Brasil, sobretudo personificada na figura de um padre alto, de olhos azuis e extremamente animado: Padre Marcelo Rossi.

No início, achava-o esquisito, aliás, ridículo, pulando com aquela vestimenta de sacerdote, erguendo os braços, levantando as pernas... Bem diferente dos párocos paradões que eu conhecia até então. Engraçado: mesmo espírita kardecista, minha mãe começou a acompanhar o programa radiofônico dele, o Momento de Fé, e nunca mais parou. Desse modo, mais uma vez, a admiração dela açulou a minha curiosidade e me guiou até esta novidade: o que esse padre tem de tão especial?

Por sua vez meu pai, católico não-praticante, comprava os CDs dele e a ouvia-os frequentemente.

Em 2006, Padre Marcelo Rossi lançou o super-sucesso de vendas Minha Bênção. Com esse trabalho, o sacerdote me cativou de vez: é um dos CDs católicos mais bonitos que já ouvi. Descobri ainda que nas tardes de sábado a emissora de TV Rede Vida transmitia uma missa co-celebrada por ele e Dom Fernando Figueiredo. Meu marido - até então, meu noivo - e eu não perdíamos uma e a vontade de voltar a assistir às missas in loco, na minha paróquia, foi nascendo.

Da Rede Vida, passei a ser telespectadora assídua da TV Canção Nova.

Começou assim: com o controle remoto da TV à mão, eu ia mudando de canal à procura de um bom programa para assistir. Num dia, me deparei com as imagens de um outro padre que me encantou. Aliás, ele parecia pastor de igreja evangélica, de tanto que berrava no microfone, na tentativa (bem-sucedida) de tocar e convencer quem o ouvia: tratava-se de Padre Léo. A partir das suas palestras, transmitidas pela Canção Nova, passei a me entusiasmar de novo - e de verdade - com a Igreja Católica.

Imagem: Especial PADRE LÉO (Canção Nova)

Além desse sacerdote notável, que infelizmente já não está mais no meio de nós (embora a emissora ainda transmita suas palestras e homilias nas noites de segunda-feira), descobri através da Canção Nova outros oradores incríveis, como Professor Felipe Aquino - chamado de "Google da Igreja Católica", dado o seu vastíssimo conhecimento do Catolicismo - e Padre Fabrício Andrade. Programas como Trocando Ideias e Escola da Fé foram (ainda são) uma oportunidade valiosa de conhecermos a Igreja e passarmos a amá-la.

Dessa forma, internauta d'A Católica, chego ao final deste Post, admitindo, reconhecendo e laureando os papéis que padres cantores, padres apresentadores e emissoras de TV católicas têm no retorno de fiéis às fileiras dos bancos nas igrejas - como aconteceu comigo.

Muito provavelmente, se não houvesse sacerdotes carismáticos (nos dois sentidos da palavra) como Padre Marcelo Rossi, Padre Léo e Padre Fabrício Andrade, bem como teólogos comprometidos com o Catecismo da Igreja como Professor Felipe Aquino ou emissoras de TV como a Rede Vida e a Canção Nova para veicular a Boa Nova de Jesus Cristo por meio da presença daqueles homens, pessoas como esta bloggueira que lhe escreve ainda estariam "perdidas", desencantadas com o Catolicismo.

São vários os motivos pelos quais os jovens abandonam a Igreja, como o artigo da agência de notícias Zenit enumera. A razão pela qual eu voltei é uma só: a existência de vozes da Igreja em lugares além das igrejas.

São essas vozes que nos buscam nos diferentes lugares onde nós, as ovelhas desgarradas, estamos: em frente à TV, diante do rádio, perto de um aparelho de som e até na Internet. Estimulada por elas, não só tornei a frequentar os bancos das igrejas, como decidi me aprofundar: adquiri pelo menos sete traduções diferentes da Bíblia, um exemplar do Catecismo da Igreja Católica e tantas outras obras que já ocupam três prateleiras de uma das minhas estantes.

Por isso, três VIVAS a Padre Marcelo Rossi, a Padre Léo e à TV Canção Nova, que me resgataram e me motivaram a retornar! Saúde e Paz!!

Importante:

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3 comentários:

  1. Ei Ana
    Que bom que você retornou assim podemos hoje usufruir dessas reflexões profundas e textos tão inteligentes. Para as pessoas que abandonam a igreja, espero que encontrem outro caminho saudável para preencher esse vazio ( o que não vejo acontecer com a maioria delas). A paz e consolo que achamos na nossa igreja é um alento nesse mundo atual.
    Bjs
    Christian

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  2. Eu, como quase todos os jovens também tive meus momentos e idas e vindas para a Igreja. Teve uma época que meu lema era: Deus sim, Igreja não.
    Graças a Deus e ao Movimento dos Focolares, aprendi com Chiara Lubich e Prof Felipe a amar a Igreja e compreendê-la,afinal Igreja somos nós!!

    Obrigada Senhor Deus por tudo que vivi e aprendi, socorre-me nos momentos de dificuldade e não me deixa separar-me de Ti. Márcia Moreira.

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  3. A pesquisa está correta. Admito que quando eu era mais nova queria ir embora da Igreja antes de terminar a missa porque achava tão cansativo, repetitivo. Mas a verdade era que eu não entendia o que representava tudo aquilo. Comecei a participar ativamente da Igreja no encontro das CEBS na minha comunidade e também com a criação da paróquia local.
    Este era o sonho da minha vó que tanto acompanhei à Igreja. Ter um padre para nos aconselhar, que morasse perto de nossa casa, que seria um grande amigo.
    Ser coroinha e estar auxiliando na Igreja me faz lembrar da minha avó que tanto amo. Me faz ter certeza que ela sempre estará ao meu lado e que encontrarei-a um dia, Deus queira que sim...

    Estou de volta, lembra-se de mim?

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