9 de maio de 2011

Pra não dizer que não falei... Das mães

Neste mês de Maio, de Maria, das Noivas e das Mães, tenho um apelo a fazer...
... Mães, ajam como mães. Eduquem. Ensinem pelo menos o básico: bons modos

A Peasant Woman with Her Son (1900), Niko Pirosmanashvili

A Santa Missa no Dia das Mães é sempre muito especial. No final da celebração, o padre da minha paróquia, aqui em Belo Horizonte, chama as mães à frente, a fim de que toda a comunidade possa cantar uma canção pra elas. E, em seguida, o "Parabéns Pra Você". Elas recebem um botão de rosa vermelha, um cartão ou alguma uma outra lembrança. É engraçado. Quando elas sobem ao altar... Os bancos ficam (quase) vazios!

Houve uma diferença neste ano. Depois de lindamente falar sobre o Evangelho deste domingo, Lc 24, 13-35 (passagem que relata o encontro de Jesus Cristo ressuscitado com os dois discípulos de Emaús, que seria um povoado próximo à cidade de Jerusalém), o pároco "deu um toque" nas mães presentes. Incitou-as a não olvidarem de seu papel importantíssimo de educadoras.

Ele contou o caso de uma mãe que se queixou de que, após repreender o filho adolescente, ouviu dele: "Se encostar a mão em mim, eu te denuncio pr'o Conselho Tutelar!". Se você não mora no Brasil e não sabe, esse órgão "tem a função de tomar providências em casos de ameaças ou violação dos direitos da criança e do adolescente" - conforme o portal da PBH.

O sacerdote não defendeu que as crianças sejam beliscadas ou estapeadas, mas que, "com jeitinho", os pais têm o dever de mostrar que são eles que educam os filhos, e não o contrário. No final, mencionou o aborto. E observou que uma mãe que interrompe a gravidez pode ser comparada a alguém que ganha um prêmio acumulado na loteria e que, em vez de receber a importância, rasga o bilhete que foi sorteado. Ser mãe, afirmou, é algo que tem um valor inestimável. É um dom maravilhoso.

Mais tarde, bem depois da missa, fiquei pensando em uma discussão que tive com Farney, meu esposo. Lá pelas tantas, ele disse algo que me comoveu: "Ana Paula, eu não nasci 'marido'! Eu ainda estou aprendendo a ser...". Era verdade. Eu estava exigindo dele uma atitude de quem já tinha dez, 20 anos de casado, e não apenas um ou dois, como naquela ocasião. Somos um casal recente.

O que quero dizer é: uma "mãe", como ouvi noutro dia em algum lugar, nasce junto ao filho. Antes de dar à luz à primeira vez, ela era esposa, filha, neta, sobrinha, prima... Só depois, com a chegada do primogênito, ela se torna "mãe". Vai aprender na prática. É como a Duquesa Catherine (antiga Kate Middleton) ou a Princesa Diana, que não nasceram na realeza e tiveram (tem, no caso da duquesa) que aprender na marra, no dia a dia, a agir como alguém da Família Real Britânica.

Porém, não saber não é desculpa para não ser. Ao mesmo tempo em que se aprende a ser mãe, vai se tornando uma. É agir ou agir como mãe. Não há opção possível além dessas. A sociedade não pode arcar com a responsabilidade que recai sobre os ombros de quem deu à luz ou adotou uma criança, que a chama de "mãe".

Mrs Dora Lamm and Her Two Eldest Sons (1903), Carl Larsson

Mãe, na minha opinião, é aquela que, entre outras coisas, ensina ao filho a dizer as palavras mágicas: "Obrigado"; "Por favor"; "Com licença"; "Me desculpe"; "Bom dia"; "Boa tarde"; "Boa noite".

É aquela que confere se ele está tomando banho direito: examinando todas as dobras e cantos possíveis de seu corpo - incluindo atrás das orelhas. É aquela que observa se a criança mastiga de boca aberta ou fala de boca cheia e diz, até à exaustão, até que a cria finalmente aprenda: "Mastigue de boca fechada!" ou "Não fale de boca cheia!". É também quem mostra que limpar o nariz com o dedo ou arrotar na frente dos outros é inaceitável.

Mãe também orienta o filho ou os filhos (no plural) a tomar a bênção dos parentes mais velhos, a beijá-los na chegada e na saída.

Parece primário e até mesmo tolo tudo isso que estou escrevendo. Porém, não sei se este é o caso dos ambientes que você, caro internauta d'A Católica, frequenta: o que eu (infelizmente) encontro em grande parte das vezes e dos lugares são crianças mal-educadas...

... Que não sabem cumprimentar nem se comportar à mesa. O corre-corre e a gritaria durante a Santa Missa, então, são mais frequentes do que o tolerável. Birras e berreiros em praça de alimentação e lojas de shopping center são comuns, quando não deveriam sê-lo. Criança dando faniquito ao meu lado, não tolero: tapo os ouvidos com as mãos pra ver se os pais desconfiam e tomam alguma atitude. Porque o que mais se vê são mães que não agem como mães: ficam de braços cruzados. Em vez de educar.

Penso só em uma coisa: que tipo de adulto vai ser uma criança que não aprendeu a lista de coisas básicas que deslindei acima? Que espécie de cidadão será aquele menino que não sabe dizer "Por favor" nem "Com licença"? E se ele se junta a outras crianças que também não foram educadas e ignoram o que seja falar "Obrigado" ou "Me desculpe"? Como será o Brasil e o mundo daqui a dez, 15 anos, quando todas essas crianças mal-educadas, que eu vejo jogar comida no chão, correr na igreja ou berrar no shopping center, estiverem maiores?

Neste Dia das Mães, que aconteceu nesse domingo, em vez de presentes ou palavras bonitas, eu ofereço às mães belo-horizontinas, mineiras, brasileiras e do mundo inteiro o meu apelo: Pelo Amor de Deus, Sejam Mães!

P.S. Caso você seja uma mãe que põe ou pôs em prática tudo o que mencionei ao longo deste Post, Meus Parabéns. E Obrigada por ajudar a fazer um mundo melhor.


~Ana Paula~A Católica (acatolica.com)

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