18 de fevereiro de 2011

5 pedras para vencer um problema

Vamos conhecer essas pedras com o professor Prado Flores,
o pastor Davi e o filme O Óleo de Lorenzo, aqui n'A Católica!

TV Canção Nova. Não conhece? Pois convido-o a acompanhar a programação dessa emissora que nos ensina tanto! Direto ao ponto: dia 5 de fevereiro, assistindo ao vivo à transmissão da festa de 20 anos da Comunidade Nova Aliança, em Anápolis, no estado de Goiás (BRASIL), para minha doce surpresa, o professor José Prado Flores aparece para fazer mais uma de suas pregações inesquecíveis - já falei dele no Post A sua vida é responsabilidade SUA.

O nome dela? "Cinco pedras para vencer um problema". A partir da história do pastor Davi arrostando o gigante Golias, o professor depreendeu cinco abordagens eficazes para lidarmos com as questões da nossa vida que, literalmente, tiram o nosso sono.

Fui assistindo, tomando nota das pedras (e rindo muito, porque uma das marcas de Prado Flores é o humor). Fiquei todos esses dias do mês que decorreram... Pensando. Até que a TV a cabo reprisou a maravilhosa e verídica história de Lorenzo Michael Murphy Odone - contada no também maravilhoso filme O Óleo de Lorenzo (1992). Eureka! Não é que os pais do pequeno Lorenzo, Augusto e Michaela, puseram em prática as cinco pedras de Prado Flores?

O resultado deste mix: palestra + pastor Davi + Augusto e Michaela Odone = você lê aqui, n'A Católica!

Comecemos do princípio: quem foi Davi? O ótimo livro Guia Visual da História da Bíblia (National Geographic, 2008) nos conta:

Depois de Deus ter condenado o rei Saul* [primeiro rei dos israelitas], [o profeta] Samuel procurou um novo rei para seu povo. Deus enviou Samuel para encontrá-lo entre os filhos de Jessé, da tribo de Judá, em Belém. Primeiro foi apresentado aos rapazes mais velhos, mas Deus só lhe enviou um sinal de que tinha achado o novo rei quando conheceu Davi, o mais novo. Samuel imediatamente ungiu Davi com o óleo sagrado.

David, as a young man, playing pipe and bell
as he watches his sheep in the pasture (1240-50), Anônimo

Estamos aproximadamente no ano 1.000 a.C. Quando Samuel chegou, o jovem Davi era um pastor de ovelhas, que "tinha grandes habilidades musicais", era um "tocador de lira talentoso" e "por isso foi parar na corte do rei Saul". Nota: apesar de Deus haver escolhido Davi como o novo rei, Saul continuava no cargo.

Os filisteus haviam tomado as terras de Israel e era preciso enfrentá-los. Apesar da incredulidade de muitos, incluindo do próprio soberano, "corajoso e confiante no apoio de Deus, Davi foi à guerra em nome do rei Saul contra os filisteus. Logo de cara, Davi venceu o gigante Golias. Em pouco tempo, Davi obteve tanto sucesso que passou de mero pajem a comandante do exército de Israel" (Guia Visual...).

As pedras da vitória de Davi sobre Golias são o tema da palestra de Prado Flores. Acompanhe.

1ª pedra - O problema chegou? Avance sobre ele.

"Israel e os filisteus puseram-se em linha de combate, tropa contra tropa. Davi entregou sua carga ao guarda das bagagens e correu às fileiras para informar-se de seus irmãos. Enquanto lhes falava, eis que o campeão filisteu, Golias, de Get, avançou para fora das fileiras do seu exército, proferindo o mesmo desafio (como nos dias precedentes), que Davi escutou. Todo o Israel recuava à vista do homem, tremendo de medo. 'Vedes', diziam eles, 'esse homem que avança? Ele vem insultar Israel. Aquele que o matar, o rei o cumulará de favores, dar-lhe-á sua filha e isentará de impostos em Israel a casa de seu pai'.

Davi perguntou aos que estavam perto dele: 'Que será feito àquele que ferir esse filisteu e tirar o opróbrio que pesa sobre Israel? E quem é esse filisteu incircunciso para insultar desse modo o exército do Deus vivo?' E deram-lhe a mesma resposta: 'Dar-se-á isto e isto a quem o ferir'.

As palavras de Davi foram ouvidas e comunicadas a Saul, que o mandou vir à sua presença. Davi disse-lhe: 'Ninguém desanime por causa desse filisteu! Teu servo irá combatê-lo'. 'Combatê-lo, tu?!', exclamou o rei. 'Não é possível. Não passas de um menino e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade'.

Davi respondeu a Saul: 'Quando o teu servo apascentava as ovelhas do seu pai e vinha um leão ou um urso roubar uma ovelha do rebanho, eu o perseguia e o matava, tirando-lhe a ovelha da boca. E se ele se levantava contra mim, agarrava-o pela goela e estrangulava-o. Assim como o teu servo matou o leão e o urso, assim fará ele a esse filisteu incircunciso, que insultou os exércitos do Deus vivo'. 'O Senhor', acrescentou, 'que me salvou das garras do leão e do urso, salvar-me-á também das mãos desse filisteu'. 'Vai', disse Saul a Davi; 'e que o Senhor esteja contigo!'." (1Sm 17, 21-27.31-37)

Golias era O Problema. Ao contrário de "todo o Israel", que "recuava à vista do homem, tremendo de medo", Davi, que havia deixado suas ovelhas com outro pastor e ido até o acampamento dos homens de Israel para levar comida aos irmãos, tão logo soube do filisteu que insultava "o exército do Deus vivo", se ofereceu para enfrentá-lo. Avançou sobre O Problema: "Ninguém desanime por causa desse filisteu! Teu servo irá combatê-lo", garantiu.

Vamos à história de O Óleo de Lorenzo.

Augusto Odone, italiano, é funcionário do Banco Mundial. Depois de uma missão de cerca de três anos em Comores, junto à esposa Michaela e ao filho Lorenzo, que tinha cinco ou seis anos de idade, muda-se para Washington (EUA). Estamos no início dos anos 1980. De repente, o garotinho sociável passa a apresentar um comportamento agressivo na escola e em casa. Após inúmeros exames, um médico conclui que ele sofre de um tipo de leucodistrofia - a ADL. O que vem a ser?

Conforme o filme, a doença que afeta o pequeno Lorenzo Odone corrói a mielina, substância que envolve os neurônios - como se fosse um plástico revestindo os fios de eletricidade. Sem a mielina, a transmissão dos impulsos elétricos no nosso cérebro, ou dos estímulos nervosos, fica comprometida - o que implica perda das funções motoras e cognitivas, ou seja, relativas à inteligência.

E o que causa essa corrosão? Ainda segundo o longa-metragem, o excesso de gordura saturada no sangue. Há esse tipo de gordura nos alimentos que ingerimos e no nosso próprio organismo, que também a produz (é a chamada biossíntese). Quem sofre de ADL tem um "defeito" na enzima que processa essa gordura, que então se acumula, destrói a mielina e degrada a vida do paciente. Os danos ao cérebro são permanentes. Irreversíveis.

Reprodução-Internet

Lendo a respeito da doença em uma biblioteca, Augusto descobre que restava ao filho, no máximo, mais dois anos de vida. E a morte não seria rápida: gradativamente, Lorenzo deixaria de andar, de falar, de enxergar, de engolir... Embora chorassem por dentro e por fora, como Davi contra o filisteu Golias, Michaela e ele se prontificam à batalha, avançam sobre O Problema, numa corrida contra o tempo, a fim de deter os efeitos devastadores da ADL sobre o menino.

2ª pedra - Não use armas (carismas) dos outros.

"O rei revestiu Davi com sua armadura, pôs-lhe na cabeça um capacete de bronze e armou-o de uma couraça. Davi cingiu a espada de Saul por cima de sua armadura e tentou andar com aquela equipagem inusitada. Mas disse a Saul: 'Não posso andar com isso, pois não estou habituado!'. E, tirando a armadura, tomou seu cajado e escolheu no regato cinco pedras lisas, pondo-as no alforje de pastor que lhe servia de bolsa. Em seguida, com a sua funda na mão, avançou contra o filisteu."
(1Sm 17, 38-40)


A segunda pedra de Davi, que Prado Flores identificou, é importantíssima.

O que se vê por aí são pessoas sem criatividade nenhuma, usando (e copiando) textos dos outros, imagens dos outros (sem dar o devido crédito), ideias dos outros, orientações dos outros, seguindo pela mesma trilha (aparentemente segura) dos outros. Pessoas repetindo o que outros já disseram ou já escreveram. Sem vontade de pensar por si - enfim, vivendo (e blogando) à custa alheia.

A pedra que o professor nos sugere é A Ousadia De Ser Quem Somos Com Aquilo Que Temos.

Em outros termos: tenho que passar pela vida e encarar os desafios dela não com o ponto de vista e o conhecimento dos outros, mas meus. Davi recusou o capacete, a couraça e a espada de Saul - aparentemente "seguros" - para debelar Golias do seu jeito, com o que estava habituado: o cajado, "cinco pedras lisas" do regato e a sua funda ("tira de couro ou corda com que se arremessam pedras ou balas").

Para lidar com O Problema da minha vida: um novo Post no Blog A Católica; um desentendimento com vizinhos; um relatório complicado para o escritório; um trabalho de no mínimo 40 páginas para a faculdade; uma batida no trânsito; a faxineira que furta objetos da casa... Eu tenho que usar minhas armas, meus carismas (graças especiais que o Espírito Santo distribui. Para saber mais, acesse 2011: o ano do ESPÍRITO SANTO!).

Ante a grave questão de saúde do filho, Augusto e Michaela Odone, que o filme dá a entender serem católicos, não ficam de braços cruzados, esperando a arma dos médicos para resolver O Problema. Com os próprios carismas e dons que tinham - do Conselho, da Fortaleza, da Ciência - eles tentam compreender a ADL. Apesar de leigo em medicina, Augusto literalmente "come livros" sobre o assunto. Várias tomadas o mostram de chinelos, até altas horas, em uma biblioteca.

Há uma cena que adoro: um pai e uma mãe, os Muscatine, presidentes da Fundação de Pais de Crianças com ADL, acusam Augusto e Michaela de "arrogância" por tentarem "passar por cima dos médicos", ao descobrirem e divulgarem uma terapia contra a doença. Em vez de se ofender com o casal, Augusto concorda e destrinça a raiz da palavra: arrogância é reivindicar para si. E ele sustentava reivindicar para si a missão de salvar a vida do filho. Uau! O que nos leva ao próximo passo.

3ª pedra - A motivação

Davi lutou contra Golias "em nome de Deus".
A família Odone também tinha uma motivação. Qual é a sua?

Imagem: Criação da Luz (1851-60), Julius Schnorr von Carolsfeld

"De seu lado, o filisteu, precedido de seu escudeiro, aproximou-se de Davi, mediu-o com os olhos, e, vendo que era jovem, louro e de delicado aspecto, desprezou-o. Disse-lhe: 'Sou eu porventura um cão, para vires a mim com um cajado?'. E amaldiçoou-o em nome de seus deuses. 'Vem', continuou ele, 'e eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais da terra!'.

Davi respondeu: 'Tu vens contra mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos exércitos, do Deus das fileiras de Israel, que tu insultaste. Hoje o Senhor te entregará nas minhas mãos, e eu te matarei, cortar-te-ei a cabeça, e darei os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra. Toda a terra saberá que há um Deus em Israel; e toda essa multidão saberá que não é com a espada nem com a lança que o Senhor triunfa, pois a batalha é do Senhor, e ele vos entregou em nossas mãos!'." (1Sm 17, 41-47)

Um dos médicos com quem a família Odone, do filme O Óleo de Lorenzo, se relacionava alertou que os recursos para se pesquisar como deter a corrosão da mielina ou o avanço da leucodistrofia são parcos: afinal, por ano, morria-se mais crianças nos Estados Unidos engasgadas com batatas fritas do que devido à ADL. Qual o interesse em pesquisar uma doença tão rara, que afetava "tão poucos"?

No "descaso" da medicina, residiu a motivação de Augusto e de Michaela: era preciso se empenharem praticamente sozinhos, a fim de socorrerem o filho. O pai do pequeno Lorenzo, enquanto se embrenhava na literatura médica, e a mãe organizaram o I Simpósio de ADL. Com a ajuda de colegas do Banco Mundial e de amigos, eles levantaram fundos e convidaram estudiosos de várias nacionalidades.

Durante o encontro científico, um dos pesquisadores aventou um tratamento à base de extrato de azeite. Era o ácido oleico em forma de triglicerídeo, ou seja, que pode ser ingerido por um ser humano. Augusto e Michaela encontraram um laboratório disposto a produzi-lo e administraram o óleo no filho. Calma. Ainda não é O Óleo que dá título ao longa-metragem. Vejamos mais uma pedra.

4ª pedra - Não apenas avance, mas corra até o problema.

"Levantou-se o filisteu e marchou contra Davi. Davi também correu para a linha inimiga ao encontro do filisteu." (1Sm 17, 48)

Más notícias: a dieta com o ácido oleico - ideia surgida no I Simpósio de ADL -, nas palavras do próprio Augusto, "foi meio caminho andado". Afinal, a redução da biossíntese - da produção de gordura saturada no organismo de Lorenzo (que era o objetivo da terapia) - estagnou. Parou de acontecer.

Desse ponto em diante, o que fazer? Recuar? Desistir? Augusto corre: fala à Michaela que voltaria à biblioteca para rever tudo o que havia lido sobre ácidos graxos - era preciso manipular os ácidos graxos de cadeia longa, com gordura saturada, a fim de diminuir a biossíntese no filho.

5ª pedra - Fazer bem as coisas da 1ª vez; não esperar uma 2ª oportunidade.

"Meteu a mão no alforje, tomou uma pedra e arremessou-a com a funda, ferindo o filisteu na fronte. A pedra penetrou-lhe na fronte, e o gigante caiu com o rosto por terra. Assim venceu Davi o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. E como não tinha espada na mão, correu ao filisteu, subiu-lhe em cima, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu campeão, os filisteus fugiram." (1Sm 17, 49-51)

Davide e Golia (1625), Tanzio da Varallo

De acordo com o filme, depois de um sonho, o pai de Lorenzo tem um insight e realiza um "belo estudo de bioquímica".

Ele descobre que uma única enzima (e não duas como acreditava) processa as duas cadeias de ácidos graxos: a que ele chama de "boa" e a outra, "ruim". Então, deduz que a solução para destruir a gordura no sangue do filho seria o ácido erúcico - principal componente do óleo de colza, consumido no Oriente - em forma de triglicerídeo. Nasce o óleo de Lorenzo. Nota: não posso detalhar mais, internauta d'A Católica, porque bioquímica não é algo que domino. Sorry.

Garrafa com o óleo de Lorenzo, por GarciaGerry

Diante da façanha, o prognóstico de vida do menino, já com sete anos de idade, aumenta: a doença foi estabilizada de certa forma. A máquina usada, para que não se engasgasse com a própria saliva, é desligada. Michaela descobre que ele pode ouvir, apesar de cego, mudo e sem poder andar. Ainda está ali. Consciente. E se comunica com todos através do fechar e do abrir das pálpebras.

O Óleo de Lorenzo termina com a mãe dizendo ao marido que prometeu ao filho que ele "nunca estaria só" e com o pai, Augusto, envolvido em novas pesquisas, desta vez, dedicadas ao implante de mielina em seres humanos. Que mulher! E que homem! Não protelaram: como Davi, encararam O Problema. Empenharam-se para acertar na solução, sabiam que a vida é uma só. Só existe UMA chance. Esta.

Trata-se de um filme que, se você não assistiu, não perca mais tempo. Corra.

Comigo, ficaram os belíssimos exemplos de diligência, prontidão e fé de Davi, de Augusto e de Michaela Odone. Também, uma lição preciosa do professor Prado Flores. Ele encerrou sua magnífica (e divertida) palestra, afirmando à plateia: "A pedra mais importante do cristão é a Palavra de Deus". Ante O Problema, portanto, não hesitemos em degustar a Bíblia, que orienta e salva. Saúde e Paz!!

Fotografia de Anonymous Dissident

P.S. *"[O profeta] Samuel deu a Saul a tarefa de destruir os amalequitas, inimigos dos israelitas, e de matar todos eles, sem exceção. Apesar de Saul ter aniquilado os amalequitas, poupou o rei deles, Agague, além de pegar para si os melhores animais como despojo de guerra. Deus ficou enfurecido com a desobediência. Samuel acusou o rei de roubar os despojos de guerra. Como Saul tinha desrespeitado a palavra de Deus, foi repudiado por Ele e não pôde mais ser rei de Israel." Fonte: Guia Visual da História da Bíblia, National Geographic, 2008.

P.S.2 Para saber mais:
1) Augusto Odone, entrevista à revista Veja;
2) Morreu Lorenzo Odone, que inspirou o filme "O óleo de Lorenzo", portal G1;
3) O ÓLEO DE LORENZO, Wikipedia.


Fotografia no início do Post, por Petr Kratochvi (Click The Image)

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