18 de janeiro de 2011

O cartão da Tia Lia chegou

O que chega pelos Correios com amor
merece lugar de destaque no coração e na casa

Cartas me fascinam desde sempre. Imagine: seu nome escrito no envelope: PARA FULANA DE TAL. Aquela palpitação: "O que será?". Aquele gesto (que eu adoro) de escolher um cantinho para rasgar: tzzzssss... Enfim, o conteúdo nas mãos: um papel branco para ser desdobrado ou um cartão. E o principal: o que vem escrito no conteúdo. De próprio punho. Numa caligrafia única, que ninguém mais tem.

Esse costume está escasseando.

Na caixa do correio na entrada da nossa casa ou do nosso condomínio, encontramos envelopes de empresas com cobranças: água, luz, TV a cabo, aluguel. Todos com etiquetas digitadas no computador. Será o fim da caligrafia? Ninguém mais chega à caixa com a expectativa de notícias que vêm de longe ou de perto. De alguém querido. Vamos à caixa do correio com apreensão: contas...

Pois ontem colocaram sob a minha porta um cartão da Tia Lia - minha tia-avó. Irmã da inesquecível Mãe-Ita, a Nelita, que já homenageei no Blog. Todos os anos, tem um cartão da Tia Lia. Um dos raros que meu marido e eu recebemos. E o valor que dou é tão grande, que (todos os anos) ele tem lugar certo: a porta da geladeira. Para eu relembrar várias vezes ao dia a sensação boa que tive ao recebê-lo.

Prolongar boas sensações...

Algumas vezes, alguns de nós (entre os quais eu me incluo) agimos como tolos: em vez de procurarmos prolongar as sensações boas que tivemos, alimentamos as ruins.

Passamos horas do nosso dia (de apenas 24 horas) relembrando um desaforo - como um convite que não nos fizeram ou uma grosseria que ouvimos de um cliente. E até perdemos o sono por causa disso. Uma forma de combater esses pensamentos que nos abatem, que nos enervam ou nos roubam o ânimo, é ressaltar o que outras pessoas nos fizeram... De Bom.

Carimbo dos Correios (EUA) - imagem de Richard Stambaugh

E assim, na porta branca da geladeira, está o lembrete de que alguém no mundo exerce a gentileza de escrever de próprio punho um cartão, ir a uma agência dos Correios e depositar na urna um envelope, cujo conteúdo é uma Mensagem de Amor. E o que é melhor: endereçada ao casal. A mim e ao Farney. Porque, acredite se quiser, tem gente que, mesmo você sendo casado, o trata como solteiro.

Noutro dia mesmo, uma dessas pessoas entregou um ímã de geladeira ao meu marido.

Um ímã importado, colorido, que ficaria lindo na porta branca da geladeira. Contudo, era o presente de alguém que trata meu marido como solteiro. Isso mesmo. Alguém que não liga no meu aniversário, que não me deseja Feliz Natal, que nem ao menos pergunta ao Farney se a esposa dele está bem. Como posso ter o ímã dado por alguém que se comporta desse jeito na minha geladeira? Não dá...

Na porta branca da geladeira, só há espaço para mensagens de amor. De amor e de quem se importa com a Ana Paula e o Farney. Juntos. Como o casal que nós dois somos. E Tia Lia age assim: desde o nosso primeiro ano de casados, não se esquece de que Farney e eu nos tornamos "uma só carne".

"Respondeu-lhes Jesus: 'Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu'." (Mt 19, 4-6)

O cartão da minha tia-avó, mesmo não tão colorido quanto o ímã importado (e mesmo chegando meio amassado, porque esteve apertado na sacola de um carteiro), tem lugar de honra no meu lar. Para que meu marido e eu lembremos que alguém se importa. Se importa e faz um gesto concreto que demonstra isso. No envelope, no conteúdo, na mensagem. Ah: que sensação Boa!

Tia Lia: seu cartão chegou! Muito Obrigada!!

E para você que leu este Post, deixo um vídeo com uma canção de um dos meus artistas nacionais preferidos: Léo Jaime. Espero que curta a sua Mensagem de Amor. Saúde e Paz!!



Imagem no início do Post: selo brasileiro com a enfermeira baiana Ana Néri (1814-1880)


~Ana Paula~A Católica
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