29 de janeiro de 2011

Ela não põe dinheiro em 1º Lugar

A mais bem-sucedida (e rica) personalidade da TV nos EUA, Oprah Winfrey,
descobriu uma meia-irmã. Patricia quis resolver tudo longe da mídia:
"Assuntos de família se resolvem em família", sentenciou.

Passou no canal de TV a cabo GNT, nessa sexta-feira, o programa The Oprah Winfrey Show, ou simplesmente Oprah, no qual a apresentadora, uma das mulheres mais respeitadas da televisão em todo o mundo e uma das mais ricas dos Estados Unidos, exibiu a sua meia-irmã, Patricia - até há pouco desconhecida.

Depois de 25 anos à frente da atração (a qual, soube pela imprensa, foi sempre sucesso de audiência na terra de Tio Sam), Oprah está se despedindo, a fim de se dedicar às produções de seu próprio canal de TV, que já está no ar.

Enfim: ela começou a tal edição do programa notificando à plateia e aos telespectadores que, nesses anos todos à frente do Oprah, chegou a reunir em seu palco famílias que estavam separadas. Parentes que, por uma razão ou outra, cresceram longe um do outro. E jamais, jamais, poderia imaginar que no mesmo local, um dia, ela mesma estaria se reunindo, diante do público, a uma parente que estava distante.

Oprah Winfrey na Dinamarca (2009), por Bill Ebbesen

Resumo da ópera: em 1963, a mãe da bem-sucedida apresentadora, Vernita Lee, deu à luz sua quarta criança - a essa altura, ela já tinha Oprah e mais um casal de filhos. Só que, em vez de levar o bebê para casa, decidiu deixá-lo lá mesmo, no hospital, para que fosse adotado. A menina recebeu o nome de Patricia e perambulou de orfanato em orfanato até os sete anos, quando foi adotada.

Um vídeo exibido durante o The Oprah Winfrey Show mostrou e contou aos telespectadores que a vida de Patricia não foi fácil. O novo lar não significou felicidade. Aos 17 anos de idade, ela engravidou de sua primogênita, Acquarius, e quatro anos mais tarde, de seu segundo filho (cujo nome esqueci).

Nessa mesma época, a meia-irmã de Oprah começou a procurar a mãe biológica, mas acabou desistindo. Entretanto, cerca de 24 anos depois, estimulada pelo casal de filhos, decidiu recomeçar a busca. Nota: Patricia é mãe solteira e até o período em que o programa de que falo foi ao ar, entre 2010 e 2011, tinha dois empregos para dar conta da responsabilidade de educar dois jovens sozinha.

Retomando: em 2007, após contactar a agência de adoção e receber, pelos Correios dos Estados Unidos, a papelada de 1963 referente ao processo, ela descobriu que sua mãe tinha outros três filhos, que eram seus três irmãos mais velhos. Havia até a idade deles - o ano em que cada um nasceu.

Acatando a sua vontade, a agência procurou Vernita Lee, a mãe. Só que ela respondeu que não estava interessada em conhecer a própria filha. Isso mesmo que você leu. No ano seguinte, nova tentativa e Vernita (até então Patricia não sabia que se tratava da Vernita, mãe de Oprah Winfrey) recusou mais uma vez.

Um dia, assistindo à TV, Acquarius e o irmão - que a essa altura já estavam a par de todas as informações contidas na papelada de 1963 - viram Vernita relatar diante das câmeras que teve três filhos: a primogênita Oprah e outros dois, que já haviam morrido. Na hora, o caçula de Patricia foi à Internet e descobriu que o ano de nascimento da famosa apresentadora era o mesmo que havia nos papeis: 1954.

Ante a recusa terminante de Vernita Lee de encontrar-se com a filha que abandonou, Patricia (sempre incentivada pelo casal de filhos) decidiu procurar as sobrinhas de Oprah. Uma delas tem um restaurante e, de cara, pela aparência física, o jeito de falar e de rir, a moça reconheceu nela... A própria mãe, que também se chamava Patricia e morreu em 2003.

Junto ao marido, decidiu levar a suspeita a sério. Fizeram um exame de DNA - a parte mais importante de cada célula, "que contém informações vitais que passam de uma geração à outra". E o resultado confirmou tudo: Patricia era tia da sobrinha de Oprah, o que a tornava irmã (meia-irmã) de uma das maiores celebridades dos Estados Unidos! Por fim, a bem-sucedida apresentadora soube de tudo.

Patricia, meia-irmã de Oprah Winfrey (fonte da foto)

E aqui chegamos ao vértice deste Post d'A Católica: nesse tempo todo, três anos, de 2007 a 2010, em nenhum momento passou pela cabeça de Patricia procurar jornal, revista ou canal de TV para "revelar" a história bombástica, a fim de ganhar alguns dólares de algum desses veículos de comunicação. Apoiada pelo pastor de sua igreja, ela confiou na Divina Providência até que a hora certa chegasse.

Conforme suas próprias palavras, que eu ouvi assistindo à reprise do programa aqui, na TV brasileira: "Assuntos de família se resolvem em família". Oprah brincou, dizendo que, àquela altura, já não era mais "apenas um assunto de família". A plateia riu. Contudo, quando a história veio à tona em seu palco, muitos pingos nos "is" (como dizemos aqui no Brasil) já haviam sido colocados. Em família.

Moral dessa história: que mulher, essa Patricia! Que mulher. Que mulher. Estava em jogo resolver até mesmo a sua situação financeira, de mãe solteira, com dois empregos (que vida dura!), porém, ela aguentou firme, não quis dinheiro fácil de paparazzi ou de repórter sensacionalista. Esperou pacientemente até ter acesso à mãe Vernita e à irmã Oprah, no segredo, no refúgio, no aconchego da família.

Que lição para todos nós, numa época em que dinheiro agora e já é o parâmetro, o Norte, a bússula de muitas pessoas. Gente que conhecemos de perto ou de longe. Muitos de nós são "pragmáticos" em excesso, como se o dinheiro fosse A Solução. Patricia, diferentemente, estava interessada em não melindrar o que julgou, toda a sua vida de 47 anos, o Mais Importante: a confiança, a ética e o amor. Que Deus abençoe essa irmã evangélica e toda a sua (nova) família!

E a você, internauta d'A Católica, Saúde e Paz!!


Fotografia no início do Post: Oprah Winfrey na festa de seus 50 anos (2004), por Alan Light


~Ana Paula~A Católica
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Um comentário:

  1. Ana Paula, tudo bem? Saudades de vc. Gosto muito da Oprah e antes dos meus blogs eu a acompanhava pelo G.N.T. Ontem, por estar demasiadamente cansada, fui para cama e comecei a ver essa reportagem, mas não sei o porque eu não consegui por atenção devoter cochilado e acordado diversas vezes e depois que apaguei num sono profundo. Eu só me lembro bem da palavra segredo. Ela manteve segredo. Agora vc explicou e digamos: menina, vc tem uma veia jornalística fantástica. Aquele abraço!

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