19 de dezembro de 2010

Nós temos TANTO a aprender com os bichos... (Saiba por quê)

Num mundo onde muita gente (muita mesmo) age como estabanada,
as qualidades dos animais "irracionais" sobressaem-se

Eu costumava pensar que os animais eram uns idiotas guiados pelo instinto e que prestavam para duas coisas: servir ao ser humano ou "enfeitar" o mundo, decorando a nossa casa dentro de aquários na sala de estar ou preenchendo jaulas no zoológico, aonde o artista brasileiro Raul Seixas (1945-1989), por exemplo, cantava ir com a família no domingo "dar pipoca aos macacos".

Noutro dia, visitando o Blog Casa da Alquimia, li esta definição: "LEALDADE: qualidade de cachorro que pouquíssimas pessoas têm". O que ficou matutando na minha cabeça.

Lembrei histórias de cães que seguiam seus donos por todo lado e não os abandonavam nem depois que morriam, indo ao cemitério rondar o seu túmulo. O ator norte-americano Richard Gere, recentemente, estreou um filme (cujo título em português é: Sempre a Seu Lado), que conta a história verídica de um cão que, mesmo depois da morte do dono, ia para a estação do metrô esperá-lo. E assim foi por dez anos. Até ele morrer também.

Não é difícil você prever a conclusão a que cheguei: lealdade - palavra que o dicionário define como "fidelidade"; "sinceridade; dedicação" - é uma qualidade que só reconheço nos cachorros. Sem querer ofender ninguém. Mesmo as mães não são tão leais: ao maior ou menor vacilo de um filho, algumas (ou muitas?) vão correndo despejar no primeiro ou terceiro ouvido que encontram o quanto ele ou ela "são ingratos". Desculpe-me, mas resmungar sobre um filho ou uma filha para os outros, e espalhar defeitos deles, não é lealdade.

Então, eis-me aqui escrevendo este Post.

Depois dos cachorros, comecei a recordar outros animais com quem nós, seres humanos, também temos muitíssimo a aprender. E nos tempos que correm, nos quais (no meu modo de ver) sobejam invejas, rixas, maledicências, mexericos, provocações, golpes baixos e mais baixos ainda, violência, stress, medo... Tanta tramoia, pouco caso e rancor, também não é difícil você entender por que meus olhos se voltaram para eles. Os bichos.

Lembrei de um livro que li há 12 anos. Um livro de psicologia jungiana (relativa a Jung): Mulheres que Correm com os Lobos, da editora Rocco.

A autora relatava que os lobos protegem a alcateia quantas vezes forem necessárias, com chuva ou sem chuva. Eles agem. Sempre alertas e dispostos. Ao contrário de nós que, diante do mau tempo, nos queixamos: "Ai, vai chover!". Ou da ida ao supermercado: "Ai, lá vou eu de novo!...". Ou do automóvel que enguiça: "Ai, vou ter que ligar para a oficina...". Enfim, perdemos tempo e energia murmurando, quando os animais simplesmente fazem o que tem que ser feito. Sem volteios ou rodeios. Logo.

Pensei ainda nos gatos e nas suas propaladas "sete vidas".

Lembrei de um professor que tive, quando estudei teatro no Palácio das Artes, aqui em Belo Horizonte, que propôs a um colega, que me carregava nos braços, jogar-me no chão (isto mesmo: jogar) como se eu fosse "um gato". Fiquei horrorizada. "É", dizia o tal professor, "Jogue-a para ela cair feito um gato que, da altura que for, chega ao chão aprumado". Graças a Deus, meu colega Cristiano recusou a proposta indecorosa. Definitivamente, não nasci gato: em vez de "aprumada", eu ficaria estatelada. Ou quebrada.

Porém, gatos têm outras qualidades que podemos "copiar". Além da agilidade - lê-se rapidez - dos lobos, há também o seu revés: a sua aparente tranquilidade, sua habilidade de, elegantemente, driblar obstáculos - um carro, uma escada, um muro - e sair engatinhando como se nada tivesse aparecido diante do seu caminho. Gatos seguem adiante no seu ritmo inabalável. Serenos. Aconteça o que acontecer. Sem palpitações.

Poderia falar de tantos outros bichos...
... No entanto, vou deixar para lá, porque este Post se estenderia ad infinitum!

Deixo o desafio com você, internauta. Tem algum outro animal com que todos nós, tão ocupados em ter e parecer, poderíamos aprender a viver? Sei que não é à toa que São Francisco de Assis devotava a eles tanto carinho, a ponto de chamá-los de "irmãos". Vou além: ouso denominá-los "mestres".

Saúde e Paz!!

P.S. Confira Raul Seixas e a canção a que me referi no Post, Ouro de Tolo.


Fotografia de Anna Cervova


~Ana Paula~A Católica
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