19 de novembro de 2010

"Vou jogar fora no lixo!... Jogar fora no liiiiixo!..."

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Seria bom lançar fora tudo o que não gostamos em nós ou que fizemos de feio...
... A psicologia do "Ano Novo" serve para isso. MAS, temos que tomar cuidado
para não nos livrarmos de aspectos importantes para a nossa saúde mental!

O Natal e o fim de ano se aproximam e por mais que o meu Amado e Saudoso Padre Léo tenha dito em várias palestras suas que nada de novo acontece entre o dia 31 do Ano Velho e o 1º do Ano Novo - árvores continuam sendo árvores, paradas no mesmo lugar -, não consigo escapar desta sensação de renovação, de que uma nova oportunidade me será dada. "Ano Novo, Vida Nova" - não é o que os outros dizem?

Então, navegando pela Web, vi a foto desses cestos de vime esturricando num sol que me parece tão gostoso... Fiquei entre querer estar à frente dos cestos, esquetando as mãos e a pele na luz quente, ou abri-los todos para poder lançar neles tanta sujeira que há em mim!...

Outro dia, comentando em um dos excelentes Posts do Blog do Padre Joãozinho, argumentei com ele que não dá para passar a nossa vida a limpo, mas que podemos virar a página e escrever uma outra "com mais capricho". Reescrever as antigas, não dá. A vida não é um caderno do qual arrancamos folhas mal escritas ou desmanchamos erros com a borracha. As traições, falcatruas e indisposições que fizemos estão registradas nos anais da história para todo o sempre.

E a psicologia do Ano Novo é interessante, porque a sensação de que "No Ano Que Vem, Farei Melhor" impulsiona a nossa esperança, a fim de não desanimarmos e acreditarmos na MUDANÇA. Então: no ano que vem, vou recomeçar as minhas caminhadas vespertinas, no ano que vem, vou tratar o meu marido melhor, no ano que vem, não vou mais faltar à missa dos domingos, no ano que vem, vou ler muitos e muitos livros, no ano que vem, Se Deus Quiser, vou embalar o meu bebê (ou alisar a minha barriga com o meu bebê).

E você? O que gostaria de jogar nos cestos de vime?

É só abrir a minha lista, para uma porção de craca começar a emergir da minha lembrança!... E é preciso cuidado, porque ao jogar fora tanta coisa errada que fizemos neste Ano Velho, capaz de - sem querer - lançarmos junto o que não merecia esse fim. Como a nossa sanidade, algumas de nossas ilusões, a autocrítica, a responsabilidade pela própria felicidade e uma pitada de irresponsabilidade (que ninguém é de ferro, né?).

Uma das coisas mais revolucionárias de que tive notícia - e infelizmente não me recordo onde ou como ou com quem aprendi isto - é que Somos Pai e Mãe de Nós Mesmos. O contrário daquela pessoa que não está nem aí com nada, que é folgada, que explora os outros, que vive às custas das escolhas de terceiros é aquela que se critica, se pune, se poda, se cobra demais. O (ou A) perfeccionista.

Acho que já falei disto aqui n'A Católica (de fato, no Post Eu quero me perdoar. E você? Está pronto a se perdoar?), mas não custa retomar: às vezes, Deus dá o perdão. O padre pronuncia a absolvição no Sacramento da Penitência ou da Confissão. Porém, há fiel que não consegue se dar o perdão. Passa dias, semanas, meses, anos e décadas gastando energia, lágrimas, pensamentos e até palavras, torturando-se por aquele ato mal feito ou aquela frase ou monólogo mal ditos ou tudo isso junto.

Há um relacionamento importante e nós, muitas vezes, nos esquecemos dele, tão focados que estamos nos outros, nas situações e mesmo nas coisas de Deus. O relacionamento mais importante é aquele que temos com nós mesmos. E, se não formos Pai e Mãe de Nós Mesmos, estaremos "órfãos", porque nem mesmo nosso próprio pai e nossa própria mãe são capazes de desempenhar esse papel. Ele compete apenas a nós.

As opiniões de nossos pais são importantes. Elas pesam (e como!). Entretanto, eles não são Deus, eles não enxergam o nosso coração. SE eu enxergo o meu coração, então só euzinha sou capaz de me consolar por uma falta ou uma incompreensão como ninguém jamais o fará neste mundo. E eu mesma, ainda que meus pais torçam o nariz para mim, vou pegar as minhas mãos, os meus braços, e dar-me aquele longo e caloroso abraço, perdoando-me e compreendendo os meus delizes, porque, no fundo, eu quis mesmo acertar!

É assim com você também?

Fico por aqui. Acho que já joguei o suficiente nos cestos de vime. Um pouquinho de preguiça, de solidão, de egoísmo não me farão mal: eu mereço ficar só comigo e cuidar (um pouquinho que seja) de mim!... Saúde e Paz!!

P.S. Ouça a canção que inspirou o título do Post desta sexta-feira: JOGA FORA, com a cantora brasileira (animadíssima) Sandra de Sá.


Fotografia de Jon Luty

~Ana Paula~A Católica
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