16 de novembro de 2010

Você já teve um 1º amor? Tive vários!

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Conheça 14 poetas, cujos poemas me fizeram (e ainda fazem)
morrer de amores!...

Primeiro Amor existe SIM e dura. E ai de quem vier para cima de mim com aquelas teorias de que "ele passa", "é ilusão", "é a química da paixão"... Como li na edição nº 12 da revista Gloss, que meu marido comprou para mim na rodoviária, enquanto esperávamos o ônibus para retornar da nossa lua-de-mel:

Os neurotransmissores dopamina e norepinefrina aparecem em maiores concentrações no cérebro dos apaixonados. Basta a pessoa cair de amores para os níveis dessas substâncias subirem.

A dopamina determina a forte motivação, a sensação de êxtase e os comportamentos focados em um objetivo. Ou seja, é por causa dela que pensamos obsessivamente no objeto da nossa afeição (a ponto de não conseguirmos enxergar as características negativas dele!). Dopaminados ainda perdem a noção do perigo (...) e podem demonstrar comportamentos fora do normal.

A norepinefrina, por sua vez, deriva da dopamina e por isso produz sintomas semelhantes aos dela, como energia excessiva e, consequentemente, insônia e perda de apetite.

Segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, "a paixão tem vida variável entre 6 a 18 meses". E eles apontam várias hipóteses para a perda de "todo aquele ardor", descrito neurologicamente linhas acima. O "certo" é que, depois da paixão, surge o amor ou... O nada. Discordo, discordo, discordo. Quero dizer: isso pode até ser verdade entre dois seres humanos. Contudo, não com relação a outros aspectos da vida.

Por exemplo: eu (e certamente você que lê essas linhas) sou apaixonada por Jesus Cristo. Muitas vezes, durante a celebração da Santa Missa - e falei nisto noutro dia ao comentar um dos Posts do excelente Blog Conversion Diary -, bem, as lágrimas escapam dos meus olhos e fico constrangida: quem está do meu lado pode bem pensar que passo por um momento "difícil", de "depressão", devido a minha emoção! Tento disfarçar, mas é difícil...

... Pura paixão por Jesus, porque sei que Ele está lá no altar quando o pároco consagra o pão e o vinho e, depois, dentro de mim, assim que eu recebo a Hóstia Consagrada. Não posso falar sobre o dia de amanhã ou sobre os seguintes, mas hoje afirmo que meu 1º amor por Jesus se perpetua: estou apaixonada. Dopamina e norepinefrina fazem festa no meu cérebro sempre que leio a Bíblia, outros livros católicos, assisto a um filme religioso como Marcelino Pão e Vinho e participo da Santa Missa.

Também tenho outros Primeiros Amores.

Na literatura, por exemplo, são pelo menos 14. Catorze poetas, cujos versos me causam "batimentos cardíacos acelerados, tremor nas mãos, rubor na face, euforia desenfreada..." desde a primeira vez em que li cada um deles! Sério. Não é exagero meu. Se estou no ônibus lendo Cora Coralina ou Adélia Prado e um poema delas me deslumbra, solto um "Oh!..." de todo tamanho. Quem estiver ao meu lado, capaz de levar um susto!

Portanto, neste Post desta terça-feira que foi meio ensolarada, meio nublada aqui em BH, quero dividir com você alguns versos destes meus 14 Primeiros Amores Literários que, sempre que degusto, me fazem subir pelas paredes de tanto amor, de tanto assombro com o seu talento e a maneira genuína com que o Espírito Santo se manifesta neles. Sim: você tem alguma dúvida de que as Belas e Boas Obras de Arte provêm do Alto, de Deus?

Cecília Meireles:
Graças aos excelentes livrinhos da coleção Para Gostar de Ler (editora ática) - que meu padrinho, Antônio G. Martins, tinha -, aprendi a AMAR literatura e a querer ser como aqueles 4 autores tratados no Volume 6 da coleção: Vinícius de Moraes; Henriqueta Lisboa; Mário Quintana e ela... Cecília Meireles (1901-1964)! Eis os primeiros versinhos da poeta carioca, que me fascinaram:


Imagem de José Soares
A Bailarina

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.


Mais à frente, depois de deixar a Faculdade de Letras e ganhar do Papai Tuti Cecília Meireles - Obra Poética, pelo meu aniversário de 21 anos, a artista tirou o meu fôlego com os seguintes versos:

Voo

Alheias e nossas
as palavras voam.
Bando de borboletas multicolores,
as palavras voam.
Bando azul de andorinhas,
bando de gaivotas brancas,
as palavras voam.
Voam as palavras
como águias imensas.
Como escuros morcegos
como negros abutres,
as palavras voam.

Oh! alto e baixo
em círculos e retas
acima de nós, em redor de nós
as palavras voam.

E às vezes pousam.

Vinícius de Moraes:
Meu fôlego, ele tirou primeiro pelos ouvidos, conforme contei no Post A bênção, Vinícius de Moraes!. Porém, seus poemas não-musicados também me cativaram. E ele é leitura obrigatória sempre, sempre. Meu 1º amor poético pelo Poetinha carioca, que amava minhas Minas Gerais, foi despertado aqui:

Soneto Do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor.. não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade,
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Mário Quintana:
Caí (literalmente) de amores pelo poeta gaúcho (1906-1994) ao conhecer o seu Menininho Doente, que constava no livro Para Gostar de Ler - mencionado acima. Não tem uma vez em que leio esse poema, que meus olhos não marejem. Mais tarde, amei-o mais ao degustar suas famosas quadrinhas, que constam em Espelho Mágico (1951). Confira os versos desse artífice das letras:

Na minha rua há um menininho doente.
Enquanto os outros partem para a escola,
Junto à janela, sonhadoramente,
Ele ouve o sapateiro bater sola.

Ouve também o carpinteiro, em frente,
Que uma canção napolitana engrola.
E pouco a pouco, gradativamente,
O sofrimento que ele tem se evola...

Mas nesta rua há um operário triste:
Não canta nada na manhã sonora
E o menino nem sonha que ele existe.

Ele trabalha silenciosamente...
E está compondo este soneto agora,
Pra alminha boa do menino doente...

Das Ilusões

Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto, após cada ilusão perdida...
Que extraordinária sensação de alívio!

Manuel Bandeira:
Amarei para sempre esse poeta pernambucano (1886-1968), simplesmente porque escreveu A Estrela. Talvez tenha sido o mais intenso de todos os meus 14 Primeiros Amores Literários. Você arrasou comigo, senhor Manuel Bandeira!


Fotografia de Petr Kratochvil
A Estrela

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alto luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.

Ferreira Gullar:
O poeta maranhense me conquistou de vez ainda nos livros do 2º Grau - hoje, Ensino Médio -, nos bancos do Colégio Salesiano. Se a aula ficava aborrecida (não as de Português, que eu amava), pegava o livro na minha pasta e lia, lia, lia sem me cansar os seguintes versos:

Dois e Dois: Quatro

Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena

Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena

como é azul o oceano
e a lagoa, serena

como um tempo de alegria
por trás do terror me acena

e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena

- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena

mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena.

Florbela Espanca:
Aprendi a AMAR a artista portuguesa (1894-1930) com o cantor cearense Fagner, de quem Sou Fã com F maiúsculo. Ele musicou seu maravilhoso e arrebatador poema Fanatismo de maneira tão brilhante, que nenhum verso sequer foi alterado. Florbela, seu nome já é poesia: és Flor e és Bela.

Ódio?

Ódio por ele? Não... Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto...

Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar, marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Como um soturno e enorme Campo Santo!

Ah! Nunca mais amá-lo é já bastante!
Quero senti-lo doutra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!

Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não... não vale a pena.

Tomás Antônio Gonzaga:
Outro artista português. Nasceu na cidade do Porto, em 1774, e mudou-se para o Brasil. Viveu em Vila Rica (então capital das minhas Minas Gerais, de 1720 a 1897). Acusado de participar da Inconfidência Mineira - movimento de emancipação do país das "garras" de Portugal -, foi condenado a 10 anos de degredo em Moçambique, na África, onde morreu em 1809. São famosos os seus poemas à mineira Maria Doroteia Joaquina de Seixas, a Marília de Dirceu (Dirceu era o pseudônimo do advogado e poeta). Como este:

Capa de Marília de Dirceu (1824)

Lira XXI

Não sei, Marília, que tenho,
Depois que vi o teu rosto,
Pois quanto não é Marília
Já não posso ver com gosto.
Noutra idade me alegrava

Até quando conversava
Com o mais rude vaqueiro:
Hoje, ó bela, me aborrece
Inda o trato lisonjeiro
Do mais discreto pastor.
Que efeitos são os que sinto?
Serão efeitos de Amor?

(...)

Ando já com o juízo,
Marília, tão perturbado,
Que no mesmo aberto sulco
Meto de novo o arado.
(...)
Se alguém comigo conversa,
Ou não respondo, ou respondo
Noutra coisa tão diversa,
Que nexo não tem menor.
Que efeitos são os que sinto?
Serão efeitos de Amor?

(...)
Mal durmo, Marília, sonho
Que fero leão medonho
Te devora nos meus braços:
Gela-se o sangue nas veias,
E solto do sono os laços
À força da imensa dor.
Ah! que os efeitos, que sinto,
Só são efeitos de Amor!

Cora Coralina:
Já falei dessa Gigante de Goiás (estado brasileiro) aqui no Blog, no Post BEBA CORA CORALINA!. E ela não poderia ficar de fora desta lista dos meus 14 Primeiros Amores Literários. Depois Das Pedras, eis um de seus poemas que mais me encantaram (dentre os que conheço, claro):

A Procura

Andei pelos caminhos da Vida.
Caminhei pelas ruas do Destino -
procurando meu signo.
Bati na porta da Fortuna,
mandou dizer que não estava.
Bati na porta da Fama,
falou que não podia atender.
Procurei a casa da Felicidade,
a vizinha da frente me informou
que ela tinha se mudado
sem deixar novo endereço.
Procurei a morada da Fortaleza.
Ela me fez entrar: deu-me veste nova,
perfumou-me os cabelos,
fez-me beber de seu vinho.
Acertei o meu caminho.

Patativa do Assaré:
Um dos meus Favoritos de Todos os Tempos. Falei da vida dele e um pouco de sua obra no Post Poesia NÃO é coisa só pra gente chique e sabida, sabia?. Muitos dos seus poemas constituem-se de longas histórias (ora divertidas, ora muito sérias, mas sempre nos fazendo pensar à beça). Selecionei um Soneto:

Amanhã

Amanhã, ilusão doce e fagueira,
Linda rosa molhada pelo orvalho:
Amanhã, findarei o meu trabalho,
Amanhã, muito cedo, irei à feira.

Desta forma, na vida passageira,
Como aquele que vive do baralho,
Um espera a melhora no agasalho,
E outro, a cura feliz de uma cegueira.

Com o belo amanhã que ilude a gente,
Cada qual anda alegre e sorridente,
Como quem vai atrás de um talismã.

Com o peito repleto de esperança,
Porém, nunca nós temos a lembrança
De que a morte também chega amanhã.

João Cabral de Melo Neto:
Cearense (1920-1999). Admirado pela concisão e precisão de seus versos. A mim, cativou ainda no livro de Português do colégio. O poema a seguir (magistral) me persegue sempre que acordo e vejo aquela luz intensa do início da manhã, quando o astro-rei difunde seus raios e não dá mais para voltar atrás nem pensar o contrário: amanheceu. Um novo dia. Um novo começo. Hora de trabalhar:

Tecendo a manhã


Fotografia de Anna Cervova

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

Paulo Leminski:
Paranaense (1944-1989). Adorava tecer poemas curtinhos, de poucas linhas, mas que diziam TUDO. Também, um dos meus Favoritos de Todos os Tempos. Até agora, já o citei em ao menos 2 Posts d'A Católica: Fazer cara feia não vai resolver os nossos problemas e Eu encontro prazer no trabalho braçal!. Se é do Leminski, eu degusto, aprovo e... Pronto.

podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano

eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano

Carlos Drummond de Andrade:
Até que enfim, um Mineiro!
E não é de trabalhar em mina, não. Mineiro, aqui no Brasil, é principalmente alguém que nasceu no meu estado: as Minas Gerais! Poeta Sublime. Parte considerável da crítica o tem como o Maior Poeta Brasileiro do Século XX. Embora não seja o meu favorito, assino embaixo. O poema a seguir me toca às lágrimas, sempre que o leio. Vai entender!... Cala fundo em mim:

Confidência do Itabirano

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Durval;
este coro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa....
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

Raul de Leoni:
Um dos meus novos amores poéticos! Expliquei como aconteceu meu 1º amor por esse artista fluminense no Post A árdua ventura de nos aceitar do jeitinho que somos. O poema a seguir foi amor à 2ª vista. E esse amor prossegue até hoje: à 3ª, à 4ª, à 5ª vistas... Eu amo Raul de Leoni! Ah: Carlos Drummond de Andrade era admirador seu.

Eugenia

Nascemos um para o outro, dessa argila
De que são feitas as criaturas raras;
Tens legendas pagãs nas carnes claras
E eu tenho a alma dos faunos na pupila...

Às belezas heroicas te comparas
E em mim a chama olímpica cintila.
Gritam em nós todas as nobres taras
Daquela grécia esplêndida e tranquila...

É tanta a glória que nos encaminha
Em nosso amor de seleção, profundo,
Que (ouço ao longe o oráculo de Elêusis),

Se um dia eu fosse teu e fosses minha,
O nosso amor conceberia um mundo
E do teu ventre nasceriam deuses...

Adélia Prado:
Mais uma Mineira: não de Itabira, mas de Divinópolis, cidade que adoro visitar e onde Minha Amada Mamãe Gali nasceu. Descobri Adélia preparando-me para o vestibular - conjunto de testes que a maioria dos estudantes têm que fazer, aqui no Brasil, para ingressar em uma universidade.

O poema a seguir foi o 1º dela que me cativou. E friso: minha história com essa poeta (ou poetisa, como preferir) está só começando. Católica fervorosa, Adélia Prado sempre fala de Deus e das coisas Dele em seus versos. Se Deus Quiser, escreverei um Post só dela e para ela!... Em breve: aqui, n'A Católica!

Impressionista

Fotografia de Petr Kratochvil

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.


É isso (tudo). That's All, Folks! Espero que tenha apreciado os meus 14 Primeiros Amores Literários!... Até o Próximo Post. Saúde e Paz para você e Sua Família!!


Imagem no início do Post: Cupido de Bastianow - Domínio Público

~Ana Paula~A Católica

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