14 de novembro de 2010

Sobrevivendo ao câncer, ou melhor: a 4 tumores

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Uma das lutas de uma socialite do Rio de Janeiro
é estimular as mulheres a se examinarem
e as vítimas do câncer a conhecerem todos os seus direitos

Falar que tudo na TV “não presta” é um tremendo exagero. Sapeando com o controle remoto, paramos (meu marido e eu) no canal GNT, que exibia a reprise do programa Marília Gabriela Entrevista, com a socialite Gisella Amaral. O pouco que sabia de Gisella é que ela é esposa do empresário Ricardo Amaral, dono de casas de shows no Rio de Janeiro e que todos os anos organiza a notória “Feijoada do Amaral”, conforme via nas inúmeras revistas que sempre houve na casa da minha Vovó Antonieta.

Falei para o meu marido: “Para, para, para! Deixe aí, neste canal! Esta daí é a Gisella Amaral, esposa do... Como é mesmo o nome dele? Ah! Ricardo...”. Farney, em silêncio, meio sem entender a minha tremenda excitação e curiosidade, porque, menino do interior que sempre foi, não cresceu lendo as revistas que eu li nem sabendo das futilidades que eu sei!... Expliquei, então, o pouco que sabia de Gisella e seu marido famoso e ficamos atentos, ouvindo a tal entrevista.

De repente, a jornalista Marília Gabi Gabriela perguntou à socialite sobre o seu câncer: “Foram quatro tumores, né?”. O quê?!? Saltei no sofá. Gisella Amaral teve quatro cânceres de uma só vez? Acompanhamos o resto da entrevista a partir daquele ponto até o final. Pelo que assisti no programa e me lembro agora, há sete anos, Gisella foi diagnosticada com quatro tumores em um dos seios (se não me engano). Ou melhor: nos Estados Unidos, o diagnóstico, dado numa quinta-feira, foi de apenas um tumor maligno. Ao chegar ao Brasil, na segunda-feira, outro médico descobriu mais três.

Marília Gabriela perguntou sobre o impacto dessa notícia para a socialite. Ela garantiu: “Nenhum”. A jornalista ficou ressabiada com a resposta, como se não acreditasse nela. Gisella Amaral explicou: “Sou uma pessoa muito, muito religiosa. Eu tenho fé. E, para quem tem fé, uma notícia dessas não tem um valor negativo”. E acrescentou: “Rick [como ela chama o marido Ricardo] me xingou de ‘irresponsável’, devido a minha reação tranquila. Mas, isso não tem nada a ver com irresponsabilidade. Eu tenho fé”.

A socialite contou, então, à apresentadora que foi à Catedral de São Patrick, em Nova York, nos Estados Unidos, e na capela atrás do altar-mor, onde fica uma imagem de Nossa Senhora de Nova York, agradeceu. Sim: ela agradeceu o fato de que a doença tivesse acontecido com ela, e não com os filhos nem com as netinhas.

Em seguida, deslindou à Marília Gabriela seu engajamento em entidades e movimentos de luta contra o câncer, citou alguns dos direitos que as vítimas da doença têm (e que não são divulgados, como: isenção de impostos como o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), a gratuidade no transporte público, etc.) e deu dois sites para as pessoas se aprofundarem nessas informações: www.inca.gov.br e www.oncoguia.org.br. Depois, argumentou com a jornalista que a evolução do câncer no organismo da pessoa está totalmente ligada ao seu emocional.

Há anos, como ela própria afirmou, Gisella Amaral é voluntária. Em um de seus trabalhos em um hospital nos Estados Unidos, acompanhou de perto, na área onde ficam as crianças vítimas de câncer, incluindo meninas e meninos de outros países, que quando suas mães tinham que retornar a seu país de origem – afinal, precisavam visitar o marido, os outros filhos, etc. -, bem, as crianças que ficavam no hospital, a fim de continuar o tratamento, de repente, pioravam o seu quadro, devido à ausência da mãe: era como se elas se sentissem “abandonadas” e, aí, a doença avançava.

Gisella assegurou: “O que eu falo sobre o câncer não é ‘teoria’, é fruto da minha própria experiência. A mulher que se descobre com um câncer de mama, como eu, deve ter como primeira atitude não se deixar abater. Ela tem que ser mais forte do que a doença”. E continuou: “Primeiro, ela tem que assumir, falar o nome: CÂNCER, e não ‘C A’ ou ‘Aquela Doença’. É CÂNCER. E colocar-se para cima, determinada a superá-la. Como eu disse, o emocional é tudo. Se a mulher se entristece, a doença toma conta. É tudo o que o câncer quer: a vítima para baixo, abatida”.

Não sei qual a religião de Marília Gabriela. Nem sei se tem uma. É que adoro ver a cara de espanto que ela e outras celebridades-entrevistadoras-hipercultas fazem diante de alguém com tanta disposição para crer em Deus e acreditar em milagres, quanto a socialite Gisella Amaral. E eu vi (posso até estar enganada, mas a mim pareceu deste modo) a cara de perplexidade da jornalista: “Como assim, descobrir que tem quatro tumores e rezar para Nossa Senhora de Nova York ‘agradecendo’?...”.

Eu acredito em Gisella Amaral. E mais gostoso do que saber da maneira corajosa com que enfrentou o câncer (ou os cânceres), foi conhecer a maneira linda como ela vive – engajada em tantas causas sociais e em serviços voluntários, quando poderia estar em casa, desfrutando a boa-vida que os empreendimentos do marido poderiam lhe proporcionar.

Anos atrás, quando eu via Gisella de braço dado com Ricardo, o “Rick”, nas tantas revistas que eu folheava na casa da Vovó Antonieta, jamais poderia imaginar que, por trás daqueles penteados glamourosos, daqueles olhos bem marcados pelo lápis e o delineador preto, havia uma mulher de religiosidade mais vigorosa do que seu aspecto exuberante e com um senso de solidariedade mais bonito do que o mais caro dos vestidos que o seu marido lhe poderia presentear.

Foi ao chão a imagem que eu fazia dela. E eu ADORO quando isso acontece.

Gisella Amaral: quando eu “crescer”, quero ser uma mulher vibrante e solidária, igualzinho a você! Que Deus a abençoe. Você, sua família e todas as pessoas que cruzarem o seu caminho e a quem você estender a sua mão bonita, de dedos compridos cheios de anéis. Uma mão preciosa e tão generosa. Saúde e Paz!!


Imagem: Cartaz soviético de 1930 com propaganda sobre o Cuidado com a Saúde dos Seios. Parte da inscrição diz: "Você está cuidando de seus seios?".

~Ana Paula~A Católica
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