1 de novembro de 2010

Se a morte não tem remédio... Vamos morrer BEM então!

Esse é o retrato que Monet (1840-1926) pintou de sua amada, Camille, morta.
Portamo-nos, muitas vezes, como imortais,
olvidando que o nosso dia de Camille também virá. Com certeza.

Sabe qual a legenda completa da pintura acima, Camille Monet no Seu Leito de Morte, 1879, de acordo com o livro Claude Monet (Taschen, 2005)?

[O pintor impressionista] Monet pinta a sua mulher morta à luz do dia que nasce. Se não é um retrato mortuário clássico, feito para conservar os traços de um rosto amado, este quadro é testemunho íntimo de uma perda terrível.

Não sei se você notou, mas no alto do Blog A Católica, bem abaixo da descrição, há um Link: Os Mortos.* Fiz questão de compilar algumas orações, porque tenho um Carinho Grande pelas almas e me empenho em orar por todas elas. Algumas me são mais especiais. E o dolorido é que a quantidade de "almas que me são especiais" cresce com o passar dos anos. O que significa que os Céus - ou o Purgatório - estão ficando cheios de gente... Que amo. E que aqui, na Terra, vejo-me cada vez mais... Sozinha.

Por isso, quando Christoph Heinrich, autor de Claude Monet, escreveu na legenda do quadro que ele "é testemunho íntimo de uma perda terrível", concebo como foi pungente aquele amanhecer sem o sorriso e o calor do corpo da companheira Camille, que deixou o artista francês aos 32 anos de idade. Entretanto, mais difícil, creio eu, foi o alvorecer seguinte, quando nem mesmo com o corpo frio da amada, Monet pôde contar.

A morte é mais doída depois do velório, do enterro, quando a "nossa ficha cai" de que todas aquelas flores, aqueles abraços, aquele caixão, aquela terra sobre ele, aqueles homens uniformizados passando o cimento por cima, o livro de visitas que nos é entregue, que tudo isso mais a conta que chega depois com os custos das exéquias não foram um filme que vimos na TV nem nossa imaginação: aconteceu mesmo. Nosso amor... Se foi.

Acho tão bonito, ainda que em todas as Santas Missas eles sejam lembrados, a Igreja Católica Apostólica Romana reservar um dia em especial para celebrar Todos os Fiéis Defuntos - e esse dia é amanhã, 2 de novembro, terça-feira. Mas, além de eu rezar pela Mãe-Ita, pelo Vovô João Câncio, pelo Vovô Jaime, pelo Vovô Raul, pela Georgia e tantos outros... Hoje mesmo, já comecei a refletir sobre a minha própria morte.

É que todos nós que temos uma crença, seguimos uma religião e, particularmente, somos católicos, encaramos com certa tranquilidade esta realidade: um dia - muito longe ou muito perto - não estaremos mais aqui. E toda esta nossa tranqueira (como dizia Padre Léo), nossas roupas, sapatos, joias, CDs, móveis caros, livros preferidos, documentos, perfumes, carrinhos ou carrões, eletrodomésticos, contas bancárias, torta de chocolate... Tudo ficará para trás. Com os herdeiros. Para o bem - ou para o mal....

Fotografia de Petr Kratochvil

Com isso em vista é que Santo Ambrósio (340-397), lembrado na Liturgia das Horas (conjunto de orações para cada dia do ano e para cada hora do dia), providencialmente expõe:

Tenhamos o costume quotidiano e a disposição interior de morrer, a fim de que, por meio dessa separação, nossa alma aprenda a separar-se dos desejos do corpo; e, como que situada no alto, aonde as paixões terrenas não possam chegar e prendê-la estreitamente, acolha a imagem da morte para não incorrer na pena da morte.

Uma vez, li na revista Caras (!!) que o escritor brasileiro mais mundialmente conhecido, Paulo Coelho, vive com isto em mente: "Um dia, vou morrer". Conforme a reportagem, o autor carioca pensa todos os dias nessa verdade - o que faz com que viva cada dia como se fosse o último. Santo Ambrósio continua:

Cristo, se quisesse, poderia não ter morrido. Não julgou, porém, dever fugir da morte como coisa inútil nem que nos salvaria melhor, evitando a morte. Com efeito, sua morte é a vida de todos... Não se deve fugir da morte, que o Filho de Deus não rejeitou, e da qual não fugiu.

Aprendi com Padre Léo que os monges - não me lembro de qual ordem, talvez beneditinos - se cumprimentam assim: Carpe Diem! Ao que o outro responde: Memento Mori! Traduzindo: "Aproveite o dia!". E a resposta: "Lembre-se: um dia você vai morrer!". Por isso, e retomando o que afirmei linhas atrás, o Dia de Finados, além dos entes queridos que se foram, me faz pensar muito, muito mesmo, na hora da minha partida para a eternidade.

Se, de acordo com as próprias Almas do Purgatório, Deus levará em conta a mínima maldade ou o ínfimo gesto de amor que tenhamos feito, como expus no Post Você pensa em COMO estará depois da sua morte?, é preciso urgentemente repensarmos alguns posicionamentos, algumas atitudes e, particularmente, algumas palavras que a gente vem proferindo ao longo dos anos.

Não é fácil mudar um comportamento.

Eu mesma tinha muito gosto em passar para frente e depois repercutir, qual comentarista de futebol na TV, as mazelas dos outros - com uma pitada de sal (e muita de riso). E confesso que vira e mexe ainda caio nesse ***dito hábito. Que gosto é este que muitas pessoas - incluindo eu mesma - têm de comentar a vida do próximo? Qual um alcoólatra que tem que fugir do botequim, a fim de não cair na tentação do 1º gole, incontáveis vezes, eu deixei de ir a um evento, a um aniversário, porque sabia que me encontraria com pessoas que, como eu, também se dão ao vício da fofoca. Então, eu não ia... Para não pecar.

Assim, antes mesmo de concluir a leitura de Conversando com as Almas do Purgatório (Ave-Maria, 1996), comecei a prestar a atenção nas situações que me levavam a pecar - é preciso evitá-las para não correr o risco de sofrer ainda mais no lado de lá, para onde iremos depois que morrermos.

Notei que a disposição de um telefone celular me fazia, na hora da raiva (sofro de CPPMS - Capacidade de Perder a Paciência num Milionésimo de Segundo), bem, a própria existência do aparelho, ali, pronto para ser usado, me levava a telefonar para meu marido, minha mãe ou minha irmã e esbravejar "impropérios".

Fotografia de Petr Kratochvil

Quantas vezes Mamãe Gali não me disse: "Ana Paula, depois daquele seu telefonema, meu dia acabou..."? Eu ficava arrasada. Se tivesse resistido à tentação de pegar no celular e contactar a minha mãe, quantas tristezas, pelos meus desabafos cheios de ira contra alguém ou algum fato, teriam sido evitadas!... É por isso que há quase um mês meu celular "quebrou" e o chip "sumiu". Foi a forma que encontrei de me (re)educar, a fim de parar de ligar para os outros, aporrinhando-os com os meus pesares...

... Nada disto - evitar festas; deixar de ter telefone por um tempo - vai suprimir tudo de ruim que eu tenho feito em 34 anos de vida. Pagarei por cada fofoca que fiz, cada injúria que (talvez) tenha proferido, por cada separação que provoquei, por cada discussão que aticei. Contudo, a percepção que venho desenvolvendo daquilo que me leva a pecar vai sim reduzir, Se Deus Quiser, as probabilidades de que novas faltas se somem a todas as que já tenho! E minhas penas - certamente, elas virão - serão abreviadas.

O meu lugar é o Céu - como canta o excelente palestrante, cantor e compositor da comunidade Canção Nova, Dunga. Porém, não tenho a ilusão de que irei para lá direto. As chances de eu dar uma passadinha ou uma passadona pelo Purgatório são imensas. E é por isso que hoje, a véspera, e amanhã, o Dia de Todos os Fiéis Defuntos, rezarei com todo o meu ardor, todo o meu carinho. Porque, num dia, também serei uma alma aflita, sedenta e à espera da sua oração. Paz e Bem! Ou, como dizia Padre Eustáquio: Saúde e Paz!!

Oração pelos Mortos
(Orações de todos os tempos da Igreja, Cléofas)

Deus nosso Pai, ouvi as nossas preces,
sede misericordioso para com todos os Vossos filhos
que chamastes deste mundo.
Dai-lhes a felicidade, a luz e a paz!
Que encontrem em Vosso olhar o perdão que sempre suplicaram.

Não permitais que sofram aqueles que creram em Vós.

Que as suas vidas não sejam tiradas, mas transformadas.
Concedei-lhes que, tendo participado da morte de Cristo,
participem igualmente de Sua ressurreição.
Fazei brilhar para eles aquele dia em que Jesus vai ressuscitar os mortos,
tornando o nosso pobre corpo semelhante ao Seu corpo glorioso.

Senhor, acolhei todos os nossos falecidos no banquete de Vosso reino.
Nós nos unimos a eles, esperando também, um dia,
saciar-nos eternamente da Vossa glória,
quando enxugardes toda a lágrima dos nossos olhos.

Então, contemplando-Vos como sois
seremos para sempre semelhantes a Vós
e cantaremos juntos sem cessar os Vossos louvores.

Tudo isso Vos pedimos por Jesus Cristo, Vosso Filho e Nosso Senhor
e unidos pelo mesmo Espírito Santo.

P.S. *Você acessa a página Os Mortos neste Link do Blog A Católica: Preces e Ladainha pelos Mortos.

P.S.2 Assista ao excelente cantor e compositor católico Dunga, em um show em Belo Horizonte (minha terra amada!), cantar que nosso lugar é O CÉU!! Vale a pena demais: a letra é incrível e o ritmo da música, contagiante!! Ouça e veja!

~Ana Paula~A Católica
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