23 de novembro de 2010

Saudades do Primeiro Presidente Católico dos EUA

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Por motivos não bem explicados, há 47 anos, John Kennedy deixava em prantos
uma esposa, dois filhos, parentes e toda uma nação

No momento em que escrevo este Post, meu marido e eu assistimos ao especial do History Channel (excelente canal de TV a cabo) sobre os tiros que mataram John Fitzgerald Kennedy (1917-1963) há exatamente 47 anos e um dia atrás. O primeiro presidente católico dos Estados Unidos.

Os primeiros a confirmarem a tragédia, que ocorreu em 22 de novembro, foram justamente dois padres que estiveram no hospital (na cidade de Dallas, no Texas), onde ministraram a Unção dos Enfermos no paciente. Na verdade, de acordo com o documentário, Kennedy já havia chegado morto à unidade.

Você e eu conhecemos a história: durante a visita oficial ao estado norte-americano, em um passeio em carro aberto junto à esposa - a futura Jackie O. - e o governador do Texas John Connally e sua mulher, Nellie, o presidente foi baleado. Um tiro lhe acertou a cabeça e outro, as costas, alcançando a sua garganta (não sei a ordem deles). Pedaços de seu cérebro caíram no colo de Jackie que, num reflexo, chegou a caminhar de joelhos sobre o porta-malas do carro oficial, que continuava o trajeto, a fim de recolher massa encefálica.

O escritor Eduardo Bueno foi convidado pelo canal para apresentar o documentário. Ele encerra o seu papel dizendo algo com o qual concordei: nenhuma cena de ficção pode rivalizar com a força das imagens reais, captadas seja pela imprensa - as equipes de TV -, seja pelo alfaiate Abraham Zapruder - responsável pelos famosos takes do assassinato, feitos com uma câmera de 8 milímetros (conforme encontrei na Internet, comum nos anos 1950 em "festas de família, eventos especiais ou férias").

A revista (brasileira) Veja descreve o valor desse registro amador: "São apenas 26 segundos de imagens, mas elas mostram o presidente levando as mãos ao peito após ser atingido pelo primeiro tiro e, instantes depois, um movimento brusco da cabeça de Kennedy, atingida pela segunda bala".

Estamos em um mundo de banalização da violência - e, embora eu não lance mão de pesquisas para assegurar isto, acredito que filmes e vídeo games contribuem para o atual estado das coisas. Um mundo em que matar alguém - já crescido ou ainda no útero - não choca tanto quanto a extinção de uma espécie de anfíbio.

Todavia, uma vida interrompida diante da TV e sendo esta vida a de uma pessoa de grande visibilidade e admiração estremece-nos sempre. Ainda que não tenhamos vivido aquilo; ainda que nem sequer tenhamos nascido na época dos eventos; ainda que John Kennedy não tenha sido o presidente da nossa nação.

O documentário não faz retrospectiva de carreira ou de vida do 1º presidente católico dos EUA: apenas reúne as cenas disponíveis em torno do infortúnio...

... Como um discurso que ele fez durante o café da manhã que tomou naquele dia (o último), na cidade de Fort Worth, onde foi presenteado com chapéu e botas de cowboy (que se recusou a pôr); a chegada de avião a Dallas com a esposa, onde ela foi recebida com um buquê de rosas vermelhas; a carreata fatídica; o desconcerto dos repórteres da TV norte-americana ao noticiarem o incidente e, em seguida, ao confirmarem a sua morte e muitas entrevistas com a população, chocada, pelas ruas do país.

Há também várias imagens do (até hoje) suspeito número 1 do crime: Lee Harvey Oswald, de 24 anos, que trabalhava em um depósito que ficava no prédio de onde os tiros teriam partido. O atentado contra a vida do suspeito também ocorreu diante das câmeras, em 24 de novembro, por Jack Ruby, dono de um cabaré. As razões que o levaram a matar Lee Oswald não foram esclarecidas.

E como corta o coração rever as cenas de Jackie O. toda de preto, com um véu da mesma cor cobrindo-lhe o rosto, de mãos dadas com os dois filhos do casal: Caroline e John John, criancinhas.

É a própria consternação não só da esposa que perdia o homem que amava, mas da cidadã que se despedia, como seus compatriotas, de um presidente, cujos "programas econômicos lançaram o país no maior crescimento sustentado desde a Segunda Guerra Mundial", segundo li na Internet. E ainda: cujo "governo viu (...) o início de uma nova esperança tanto de direitos iguais entre americanos quanto de paz mundial".

Tudo acabou as 12h30 daquele 22 de novembro de 1963. Depois de horas de angústia e da posse de Lyndon Johnson como novo chefe de Estado, um avião retornava à capital Washington, ainda conforme o documentário do History Channel, com "um corpo, um novo presidente e a viúva".

Quero encerrar este Post com uma oração que Robert (1925-1968), colaborador do irmão John Kennedy, trazia no bolso de seu paletó quando (também) foi assassinado. Na ocasião, ele era candidato à Presidência dos Estados Unidos:

Em Tuas mãos,
ó Deus, eu me abandono.
Vira e revira esta argila,
como o barro na mão do oleiro.
Dá-lhe forma e depois, se quiseres,
esmigalha-a, como se esmigalhou
a vida de John, meu irmão.
Manda, ordena,
"Que queres que eu faça?".
Elogiado e humilhado, perseguido,
incompreendido e caluniado,
consolado, sofredor, inútil para tudo,
não me resta senão dizer
a exemplo de Tua Mãe:
"Faça-se em mim segundo
a Tua Palavra".

Dá-me o amor por excelência,
o amor da cruz;
não o da cruz heroica que poderia
nutrir o amor-próprio;
mas o da cruz vulgar,
que carrego com repugnância,
daquela que se encontra cada dia
na contradição, no esquecimento,
no insucesso, nos falsos juízos,
na frieza, nas recusas
e nos desprezos dos outros,
no mal-estar e nos defeitos do corpo,
nas trevas da mente e na aridez,
no silêncio do coração.
Então somente Tu saberá que Te amo,
embora eu mesmo nada saiba.
Mas isso basta.


Fotografia: John Kennedy e os irmãos Robert e Ted (no meio; ele morreu de câncer em 2009). Data não revelada. Por Cecil William Stoughton (1920-2008)

~Ana Paula~A Católica
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