24 de novembro de 2010

Quando a gente NÃO SABE revidar um desaforo

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Não adianta "treinar diante do espelho":
tem hora que o Espírito Santo não nos inspira algo para dizer a alguém

Tenho uma mania... Conversar sozinha! Você "sofre" disso também? Como alguém que joga xadrez ou dominó consigo mesmo (nos momentos de treino ou de tédio), vou travando diálogos infindáveis de mim para comigo. Claro, eu sou eu e o meu outro eu "dialoga comigo", como se fosse uma outra pessoa - no caso, alguém com quem tenho alguma questão não resolvida.

Já "debati" com faxineira, com ex-colega de trabalho, com parentes, com... Tanta gente! Uma vez, entrei no banheiro da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), quando a unidade ficava na Rua Curitiba, no centro de BH, falando sozinha. E exaltada! Não é que eu não havia notado a existência de um ser, uma estudante (ou secretária, não sei), usando um dos vasos (sanitários)? Eu lá, erguendo os braços diante do espelho e outra pessoa ouvindo tudo!...

Faço isso (ou fazia, porque estou seriamente empenhada em me livrar desta mania), bem, como os atores fazem antes de estrearem uma nova peça no teatro: eu ensaio algumas falas, alguns diálogos antes de me encontrar com alguém a quem eu tenho "poucas e boas" para falar ou de quem eu acho que vou ouvir "poucas e boas". Raramente (raramente mesmo) as coisas se dão como eu imaginei ou ensaiei... C'est la vie!

Pondo a questão em pratos limpos - como dizemos aqui no Brasil:

a) Eu acho o máximo aquele tipo de pessoa que sempre tem uma boa resposta na ponta da língua! Gente que não leva desaforo para casa, que sabe se safar de comentários maliciosos.

Por exemplo: ao nos mudarmos para o nosso novo lar, espie só o diálogo que se deu entre um morador do nosso novo prédio e João Batista (o "Bola"), um dos funcionários da empresa de mudança que meu marido contratou:

- Que absurdo, usar o elevador para transportar móveis! O elevador é dos moradores!
- E quem está se mudando não é morador não? Não tem o direito de usar o elevador também?

Uau. O cara da empresa de mudança respondeu na lata! E o que é melhor: com paciência ou sem insolência. Ele foi educado, curto e grosso. Acho esta habilidade de dar boas respostas a "gente malvada"... Um luxo! O "vizinho reclamão" ficou sem argumento algum para rebater. (Tome, distraído!)

b) Reconheço que, de tanto treinar comigo mesma, acabei desenvolvendo um pouquinho esta capacidade de revidar comentários maldosos. CONTUDO, o que eu queria mesmo... Era não elaborar e não falar absolutamente NADA! Ou seja: simplesmente viver, ser, agir...
... Tranquilamente. Sem o receio ou a (triste) expectativa de que alguém que eu espero - ou menos espero - venha para cima de mim com alguma frase que me atormente ou magoe. É horrível viver desta forma: na retaguarda, pronta para se defender de qualquer ataque alheio!...

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ENTÃO, cara(o) internauta: lembrei-me Dela! Dela! Não sabe? A Bíblia Sagrada. Quem tem um exemplar em casa, e não se dá ao luxo de lê-lo, de meditá-lo, perde uma oportunidade preciosa. Acredite em mim: está tudo lá. Ei: você tem medo ou preguiça de se aproximar da Palavra de Deus? No stress. Acontece. Dê uma olhadinha neste Post d'A Católica, que talvez encorage você a procurá-La com maior frequência.

Retomando: lembrei-me daquela passagem dos evangelhos - mais exatamente, dos Evangelhos de São Lucas e de São Mateus - que fala sobre a atuação do Espírito Santo. Acompanhe estes trechos:

"Quando, porém, vos levarem às sinagogas, perante os magistrados e as autoridades, não vos preocupeis com o que haveis de falar em vossa defesa, porque o Espírito Santo vos inspirará naquela hora o que deveis dizer" (Lc 12, 11-12).

"Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas. Cuidai-vos dos homens. Eles vos levarão aos seus tribunais e açoitar-vos-ão com varas nas suas sinagogas. Sereis por minha causa levados diante dos governadores e dos reis: servireis assim de testemunho para eles e para os pagãos. Quando fordes presos, não vos preocupeis nem pela maneira com que haveis de falar, nem pelo que haveis de dizer: naquele momento ser-vos-á inspirado o que haveis de dizer. Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de vosso Pai que falará em vós" (Mt 10, 16-20).

Gosto de atualizar as leituras bíblicas. Aliás, é o que o método do Monsenhor Jonas Abib nos propõe como 5º passo na leitura diária do capítulo bíblico que fazemos: "Como posso colocar isso em prática na minha vida?".

Resposta: no meu dia a dia, dificilmente eu serei perseguida pura e simplesmente por professar a fé católica, a fé no Filho de Deus. Porém, o encardido, como Padre Léo chamava o diabo, pode sim usar de situações e até mesmo de pessoas (que não estão equilibradas) para me tentar, me tirar do sério, abalar a minha harmonia, me enfezar...

... Assim, nessa hora, diante daquele tipo de gente que adora fazer comentários de duplo sentido, para ver se "a carapuça nos serve", para nos atingir e até nos desmoralizar na frente de terceiros, a fim de nos deixar sem graça, mal mesmo, bem, o que o católico e o cristão devem fazer é... Confiar em Deus. Difícil, né? Mas Deus é fiel - o que também aprendi acompanhando a programação da TV Canção Nova, da comunidade que o Monsenhor Jonas Abib fundou...

... Pode ser também, cara(o) internauta, que situações deste gênero - lidar com gente que nos afronta através de palavras - servem para treinarmos a nossa humildade. SE, por exemplo, em um confronto com um parente que sempre fala algo desagradável para me expor perante os outros, eu não sou inspirada quanto ao que devo dizer em resposta a ele (ou a ela), muito provavelmente, aquele constrangimento pelo qual eu estiver passando servirá para eu domar a minha raiva, o meu orgulho, a minha altivez, a minha arrogância.

Sim: aos nossos próprios olhos, nós é quem somos os educados, os agradáveis, os solícitos...

... Entretanto, aos olhos de Deus (e também dos outros) não somos nada disso, e sim a pretensão encarnada! Portanto, ficar sem saber o que dizer, quando não conseguimos revidar um desaforo, às vezes pode ser bom para nos fazer entender o nosso devido lugar, o lugar que devemos almejar: ser os pequenos, os últimos, porque isso agrada a Deus! Fico por aqui. Saúde e Paz!!


Imagem de Kosta Kostov

~Ana Paula~A Católica
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