25 de novembro de 2010

Por que muitos amores não duram?

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Poucas coisas na vida me enternecem mais do que isto:
a atração entre um homem e uma mulher
e, particularmente, a sua duração. Por anos e anos...

Joguei fora minha primeira carta de amor. Tinha 12 anos. O nome dele era João Bosco (se não me falha a memória). Ops. A carta, na verdade, era dele: eu era a destinatária. Memorizei a sua letra e o conteúdo. Nunca lhe respondi. Não sabia o que dizer. Nunca soube. Até hoje não sei. Eu não o amava. Mas, não queria dizer. Também não o encorajei a mais nada. Guardei o silêncio. E a vida inteira agi assim.

Meu jeito de romper as ilusões alheias é... Guardar o silêncio. Nunca consegui ser direta ou rude. Apenas, silenciosa.

Há algo que acho sagrado e misterioso. A atração entre um homem e uma mulher. Não estou falando do desejo sexual somente, mas daquele visgo que faz um homem e uma mulher se olharem, um dia, de um jeito diferente e quererem passar o maior tempo possível juntos. Se tudo correr bem - e nenhum deles já tiver assumido um compromisso com alguém antes - ficarão juntos.

O engraçado é que, para mim, o mais bonito nas histórias de amor - tão lindamente retratadas no cinema - não são o seu início. E sim, o seu andamento. Sobretudo quando ele ocorre há décadas. Dessa forma, é enternecedor não um jovem casal adolescente, mas aquele que vejo, que sinto, nos shoppings, na praia, nos restaurantes. Aquele casal que divide o mesmo teto por muito tempo. Isso me emociona.

Estava no consultório da minha ginecologista, diante das revistas dispostas na grande mesa de vidro no centro da sala de espera. Peguei uma Caras e fui folheando como gosto, como oriental: de trás para frente. Desde que chegou ao mercado editorial brasileiro, em 1993, a revista tem uma coluna de... Psicologia (se é que posso chamá-la assim)...

... É que sempre psicólogos ou psicanalistas escrevem naquele espaço.

Ai, que pena! Que pena: bem na hora em que eu estava entretida na leitura de uma delas, minha médica foi à sala me chamar para a consulta. Consegui ler até aqui: a colunista dizia que os pais, ao criarem os seus filhos, estão focados apenas na formação intelectual deles, investem tudo o que podem para que estudem nas melhores escolas e conquistem a propalada independência financeira e, se possível, até a riqueza.

Entretanto, não orientam os filhos para que sejam bem-sucedidos em uma outra área importante, que não só é negligenciada como, possivelmente, é a razão nº 1 ou nº 2 de os divãs dos analistas estarem abarrotados: a dos Relacionamentos. A colunista argumentava que neste mundo em que vivemos - que eu chamo de materialista -, os pais não preparam os seus filhos para se relacionarem com o sexo oposto, dentro de um casamento.

Minha leitura parou ali. Fiquei com aquilo girando na mente e, a exemplo de Nossa Senhora, "que conservava (...) as palavras, meditando-as no seu coração" (Lc 2, 19), guardei silêncio. Até agora, pois divido o que li aqui, com você.

Fiquei pensando por que os pais não priorizam o futuro amoroso da vida dos filhos, instruindo-os a como lidar com as diferenças, a como ceder, a como ajudar o outro a crescer. Fiquei pensando se encontrar uma pessoa que combine com você, casar-se com ela e manter essa relação por muitos e muitos anos, deixou de ser prioridade. Fiquei pensando também se os pais não educam os filhos para isso, simplesmente, porque não sabem fazê-lo. Porque não aprenderam e estão no seu segundo ou terceiro divórcio. (Ou em um casamento de fachada.)

Noutro dia, conversando com Mamãe Gali, observei: "É... Vai chegar um tempo em que um casal, casadinho no civil e no religioso, dividindo o mesmo teto por 15 ou 30 anos, vai ser 'uma aberração', 'uma raridade', ou algo que só existe em alguma ilha distante no oceano Pacífico ou no sul da América do Sul...".

Não sei propor fórmulas mágicas. Nem a solução para o fim das separações em massa que andam ocorrendo. Sei que tive a felicidade não só de ser (e ainda hoje ser) preparada pelos meus pais para me relacionar bem com o meu marido, como de ser católica. E, por ser católica, acompanhar a TV Canção Nova e aprender com o exemplo dos missionários daquela comunidade a valorizar o matrimônio, a sua durabilidade e a família.

Continuo silenciosa como a menina de 12 anos que não deixei de ser. Meu marido nunca me escreveu uma carta tão linda quanto a que recebi de João Bosco. Contudo, foi o Farney que Deus escolheu para mim. Está para acontecer no mundo um fenômeno tão bonito quanto o da atração entre um homem e uma mulher. Há algo de misterioso no visgo que me prende ao meu amor. Misterioso e sagrado. No que depender de mim, e do que aprendi, será também... Eterno.

Imagem de Petr Kratochvil

~Ana Paula~A Católica
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