22 de novembro de 2010

Aprendendo a sofrer com CECÍLIA

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Hoje é dia de Santa Cecília e não posso deixar de mencionar isso n'A Católica!

1º) Porque AMO música e muitas, muitas mesmo, alegrias na minha vida, eu devo aos músicos, que ela especialmente protege! (Na seção Menu. Sirva-se!, há a categoria Música Popular, com crônicas sobre artistas e suas criações.)

2º) Porque ela me faz lembrar de uma colega do colégio que tinha seu nome. Papai Tuti me apresentou os Beatles, mas foi a doce Cecília, gamada no Paul McCartney (que há pouco fez shows aqui no Brasil), que me incitou a amá-los.

Cá estou na casa dos meus pais, portanto, sem minha biblioteca católica, minhas hagiografias e meus livros de orações. O que eu escrever aqui será "apenas de cabeça". Prometo a você que, tão logo eu chegue em casa, selecionarei uma linda oração a Santa Cecília e a digitarei no final deste Post... Combinado?*

Por ora, escrevo sobre algo que me marcou a respeito dessa santa, martirizada no século III e que tem a música associada a seu nome... Eis algumas razões disso: uns dizem que ela estudou música sacra, outros que aprendeu harpa (embora as imagens quase sempre a retratem tocando um órgão!) e há os que relatam que, durante a festa de seu casamento, ficou atenta à música que ouvia em seu próprio coração, a qual dedicava a Deus. Existe ainda a versão de que, enquanto se dirigia a suas núpcias, Cecília - que convenceu o noivo Valeriano da importância da sua virgindade - teria ouvido uma sinfonia de anjos.

Os escritos do monge beneditino Anselm Grün foram os que mais me tocaram o coração a respeito da santa - assassinada pela simples razão de ser cristã, como muitos outros mártires, conforme relatei no Post sobre Santa Luzia. Pelo que inferi da leitura do seu excelente livro 50 Santos (Edições Loyola, 2005), o monge nos incentiva a aprender com Cecília a musicar as nossas emoções. Por exemplo: a tristeza, em si, não é ruim, desde que eu me decida a vivê-la "até a última gota" e a embalá-la com uma canção que me ajude a superá-la. Bonito isso, não?

Não sei se com você é (ou era) assim: quando eu ficava "para baixo", preocupada ou arrasada mesmo com alguma questão, eu "fugia" de ouvir músicas tristes, com medo de que elas me arrastassem ainda mais para o mar da melancolia. Porém, com Santa Cecília e a interpretação de sua legenda (conferir ABCatólica) pelo monge Anselm Grün, aprendi que muito pelo contrário: devemos sim assumir a disposição do nosso espírito e, com a ajuda de uma canção que o reflita, ou seja, que o reverbere e traduza, transformá-la em outra coisa.

É uma mensagem e tanta para a nossa época, onde as capas de revista estampam artistas com a manchete: "Fulana de Tal na melhor fase da sua vida", como se as celebridades e nós, consumidores voluntários ou não de notícias sobre elas, tivéssemos a obrigação de ser felizes e alegres o tempo inteiro. Como se a angústia fosse proibida. Tem gente que, na menor baixa, pede ao psiquiatra que lhe receite um remedinho para deixá-la "mais animada", mais "para cima" (!!).

Ouvir um Fado, um Bolero, um Samba-Canção, um Tango...
... Ao embalar a minha dor com esses ritmos, vou assumindo-a e, ao mesmo tempo, me despedindo dela.

Noutro dia, me peguei ouvindo um CD inteirinho com os sucessos da cantora brasileira Maysa (1936-1977), cujo refrão mais famoso diz: "Meu mundo caiu...". Aparentemente, isso aumentava o meu sofrimento, mas o efeito da música foi justamente o avesso: eu mergulhei no mar do pesar, tranquilamente, sem forçar choro ou desespero, e me emergi dele aliviada. Recuperada. Assumir, e não negar, nossos sentimentos é o caminho da cura.

Fico por aqui. Não tenhamos medo de fazer como o poetinha Vinícius de Moraes nos aconselhava: "Ninguém tem nada de bom sem sofrer"! Ou:

Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou,
Pra quem sofreu, ai

Saúde e Paz!! Santa Cecília, Rogai por Nós!

*Conforme prometido, aqui está a oração...
... Vamos rezar juntos?

Ó gloriosa Santa Cecília, apóstola da caridade e espelho da pureza.
Por aquela fé esclarecida,
com que afrontastes os enganosos deleites do mundo pagão,
alcançai-nos o amoroso conhecimento das verdades cristãs,
para que conformemos a nossa vida com a santa lei de Deus e da Igreja.

Revesti-nos de inviolável confiança na misericórdia de Deus,
pelos merecimentos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Dilatai o nosso coração, para que, abrasados do amor de Deus,
não nos desviemos jamais da salvação eterna.

Gloriosa padroeira nossa, que os vossos exemplos de fé e de virtude
sejam para todos nós, um brado de alerta,
para que estejamos sempre atentos à vontade de Deus,
na prosperidade como nas provações,
no caminho do céu e na salvação eterna.


Fotografia dos tubos de órgão por Petr Kratochvil
Imagem de Santa Cecília, por Circle of Ambrosius Benson (1495-1550)

Ana Paula~A Católica
Importante:

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junto ao Escritório de Direitos Autorais (EDA)
da Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro (BRASIL).

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