13 de outubro de 2010

Por que insistimos em apontar o dedo para os outros?

Tio Sam apontava o dedo para dizer que o governo dos EUA
queria você para lutar na guerra.
Nós fazemos o mesmo para "sentenciar" quem presta e quem não presta.
Duvido que Nosso Senhor, que nos ordenou a fazer o contrário,
esteja contente com isso...

Quando comecei a ler a Bíblia, lá pelos idos de 2007... Ops. Deixe-me esclarecer: antes de conhecer o (excelente) método do Monsenhor Jonas Abib, eu apenas lia a Bíblia, sem meditá-la, como se fosse um livro qualquer. Retomando: quando comecei a tatear a Palavra de Deus, a me aproximar dela, uma das passagens que mais fundo calaram em mim é esta:

"Não julgueis, e não sereis julgados. Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos. Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu? Como ousas dizer a teu irmão: Deixa-me tirar a palha do teu olho, quando tens uma trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão" (Mt 7, 1-5).

Esse Ensinamento de Cristo (com E maiúsculo!) também aparece no Evangelho de São Lucas:

"Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também" (Lc 6, 36-38).

E ainda no Evangelho de São Marcos:

"Se alguém tem ouvidos para ouvir, que ouça. Ele prosseguiu: Atendei ao que ouvis: com a medida com que medirdes, vos medirão a vós, e ainda se vos acrescentará" (Mc 4, 23-24).

Na maioria das vezes, Jesus nos fala através de parábolas. Noutras, é bastante DIRETO. Não há espaço para duplo sentido: Ele disse o que disse mesmo. Nos três trechos acima, por exemplo, Nosso Senhor foi "curto e grosso". Foi direto ao ponto, sem rodeios, sem firulas, sem margem a uma interpretação dúbia.

Como, meu Deus, eu pergunto, nós, leitores da Bíblia, ousamos ignorar as Suas ordens??

No livrinho A Bíblia no meu dia-a-dia (Canção Nova e Loyola, 2007), Monsenhor Jonas nos incita a localizar em cada capítulo da Sagrada Escritura as Ordens de Deus. E recomenda: "Se são ordens, precisam ser cumpridas". O engraçado, inusitado ou bizarro mesmo é que nós não as cumprimos!

Falando sobre mim.

Frequentemente me pego apontando o meu dedo indicador para esta ou aquela pessoa e, como "juíza" (com direito a martelo, peruca de cachos brancos e tudo mais), vou proferindo sentenças: "Fulana não é 'fria'. O que ela faz com os pais é calculado. É maldade". Ou: "Beltrano não é 'engraçado'. As brincadeiras que ele faz são cruéis, são para ferir os outros". Ou ainda: "Sicrana me lembra aquela passagem da Bíblia, quando Jesus chama os fariseus de 'sepulcros caiados'".

Foi minha mãe quem chamou a minha atenção para isto: "Ana Paula, não se envolva, não julgue!...". Fiquei envergonhada.

Parece que quanto mais a gente quer ser Católica com C maiúsculo, quanto mais a gente lê a Bíblia, quanto mais saímos por aí com camisetas estampadas com imagens de Jesus Misericordioso e Nossa Senhora das Graças ou com colares de santos no pescoço, menos cristãos nos tornamos!!... Sério.

Muitas vezes me parece que meus pecados são diretamente proporcionais a minha enorme vontade de ser uma autêntica fiel, discípula, seguidora e amiga de Jesus Cristo. Não sei como sair dessa trama, a não ser pela confissão e a força da oração. E amiúde até mesmo esses dois remédios dão mostras de serem falhos...

Penso (embora continuamente me esqueça de pôr isto em prática) que, SE exercitássemos a Compaixão, não formaríamos tantos maus conceitos acerca dos outros. Se olhássemos para as pessoas como num espelho e nos víssemos refletidos nelas, talvez o nosso olhar seria mais de simpatia do que de antipatia.

Antes de formar um juízo repreensivo acerca de, por exemplo, alguém que resolveu "morar junto" sem se casar na Igreja, poderíamos nos perguntar:

"Será que eu, no lugar daquela pessoa, vivendo a situação que ela está enfrentando, não faria a mesmíssima coisa?" Ou: "Será que Deus, por acaso, não estaria mais feliz com ela, apesar do seu suposto 'mau passo', de sua fraqueza, do que comigo, uma cristã que tem uma trave na cara e esbraveja contra o cisquinho nos olhos daquele irmão, daquela irmã?"

Não nos esqueçamos: os fariseus e outros judeus se julgavam "bem quistos aos olhos do Criador", cumpridores de todas as leis e deveres, contudo eram as prostitutas, os cobradores de impostos e outros pecadores que agradavam a Deus e foi a respeito deles, que Nosso Salvador sentenciou:

"Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: - Meu filho, vai trabalhar hoje na vinha. Respondeu ele: - Não quero. Mas, em seguida, tocado de arrependimento, foi. Dirigindo-se depois ao outro, disse-lhe a mesma coisa. O filho respondeu: - Sim, pai! Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? O primeiro, responderam-lhe.

E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo: os publicanos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus! João veio a vós no caminho da justiça e não crestes nele. Os publicanos, porém, e as prostitutas creram nele. E vós, vendo isto, nem fostes tocados de arrependimento para crerdes nele" (Mt 21, 28-32).


Assim, caro internauta, antes de você e eu julgarmos alguém, primeiro, devemos nos colocar no lugar daquela pessoa e, em seguida, nos perguntar: "Será que não é justamente a ela, que eu critico tanto, que o Reino do Céu está reservado?". Quem somos nós para decidir quem está certo, quem está errado? O juízo é todo de Deus. Não nos compete. Calemos, portanto, sobre os defeitos alheios.

Convido você, um convite que vem com entusiasmo, com o meu coração, a rezar comigo esta belíssima Oração. Nossa Senhora Aparecida, Rogai por Nós!

A Graça de Respeitar-nos
(Orações de todos os tempos da Igreja, Cléofas)

Jesus Cristo, Senhor e irmão nosso.
Põe um cadeado na porta do nosso coração
para não pensar mal de ninguém,
não julgar precipitadamente, não sentir mal,
para não supor, nem interpretar mal,
para não invadir o santuário sagrado das intenções.

Senhor Jesus, laço unificante de nossa fraternidade.
Põe um selo de silêncio em nossa boca
para fechar a passagem a toda murmuração ou comentário desfavorável,
para guardar ciosamente até o túmulo as confidências que recebemos
ou as irregularidades que observamos,
sabendo que a primeira e mais concreta maneira de amar é guardar silêncio.

Semeia em nossas entranhas fibras de teias
para reverenciar-nos uns aos outros como faríamos Contigo mesmo.
E dá-nos, ao mesmo tempo, a exata sabedoria
para juntar convenientemente essa cortesia com a confiança fraterna.

Senhor Jesus Cristo, dá-nos a graça de respeitar-nos. Assim seja.


Imagem: Tio Sam precisa de VOCÊ! (1916-1917), James Montgomery Flagg - material de recrutamento norte-americano para a I Guerra Mundial (1914-1918)

~Ana Paula~A Católica
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