6 de outubro de 2010

Graças a Deus: nós temos memória!!

Perfumes, canções, fotografias...
Tudo desculpa para acionar um grande, imenso presente de Nosso Senhor para nós:
a habilidade de Relembrar e Ser Feliz Alguns Instantes Mais!

Não sei se é assim com você também. Quando a coisa fica feia para o meu lado, recorro à memória. Se discuto com o meu marido, lembro daquele instante em que nos conhecemos, nossa primeira conversa, os jantares que dividimos num dos "bandejões" do campus da Federal (Universidade Federal de Minas Gerais). Está tudo tão vivo em mim. Minha memória é tão "brilhante" - não no sentido de excelente, mas no sentido de viva -, que chego a sentir o cheiro do perfume que ele usava.

Enquanto essas lembranças de quando nos conhecemos forem brilhantes para mim, sempre o amarei, porque recorro à fonte, à causa primeira e me apaixono de novo por aquele rapazinho de 22 anos - hoje, ele tem 32.

A propósito, tem uma canção linda* (estou falando de "memória", e não consigo mesmo lembrar qual é!), bem, acho que é do Padre André Luna, da comunidade Bethânia - um dos maiores compositores católicos na atualidade. A letra diz que quando a nossa fé fraqueja, basta nos recordarmos do dia da nossa conversão, daquele primeiro amor que sentimos por Jesus Cristo. Que pena eu não conseguir revelar o nome da música!...

Li uma vez que um cheiro é mais forte do que uma canção para nos reportar ao passado.

Tinha um creme da marca Monange chamado Corpo a Corpo (não sei se ainda existe). Era ruim - me desculpe, Monange! -, porque não tirava aquele aspecto de pele seca das minhas pernas, mas o perfume era tão bom!... Tempos atrás, não me lembro do local, senti aquele cheiro novamente. Uau. Regressei a 1989, aos meus 12 anos de idade, quando eu era gamadinha num carinha da escola, que tinha um apelido de legume. Não entendeu? É que o apelido dele remetia a um legume! Só não digo qual é: vai que ele lê estas linhas!!

Aromas ou canções, sei que quando o trem aperta para o meu lado, vou ao baú revirar algum evento que provocou uma sensação gostosa em mim. Eu fico paradinha, só me lembrando. Chego a sorrir. Às vezes, a gargalhar. Poucas vezes, choro. Poucas mesmo: não sou "anta", como diria Padre Léo, pra ficar recordando coisa ruim, uma situação que me magoou...

... Quero dizer...

... Em alguns momentos, sou "anta" SIM: quando me lembro, por exemplo, daquela vez em que alguém me maltratou ou soltou uma frase infeliz apenas para provocar, me tirar do sério. Então, a raiva volta com toda a força. E é preciso interromper esse fluxo da memória e rezar para o meu "algoz": vai que a minha vibração negativa provoque algum acidente, como uma queda dele de cara no chão!... Nunca se sabe.

Enfim: para o bem ou para o mal, a minha memória é brilhante. Eu realmente revivo as situações de tal forma, que, se o momento foi feliz, eu gargalho; se foi triste, eu torno a ficar irada. Mas estou certa de que com muita gente deve ser assim também. E enquanto a ciência, sobretudo os neurologistas, se desdobra para entender a capacidade humana de armazenar lembranças, sei que ela é um presente de Deus.

E como eu O agradeço por isso!...

Graças à memória, eu tenho a minha avó, Mãe-Ita, pertinho de mim! E sinto tanto pelos outros netos dela, mais novos do que eu, não terem este monte de recordações que tenho!... Porque quando uma pessoa é MARAVILHOSA, queremos que o maior número possível de gente a conheça e a ame também!!! Que triste ter tantos momentos dela para lembrar e não ter alguém para dizer: "Eu também lembro, Ana Paula!". São lembranças solitárias. Mas, não tem problema. Eu as divido com Deus.

Graças à memória, eu penso no Vovô João, esposo da Mãe-Ita. Ele nos deixou em 28 de abril do ano passado. "Joia, Joia?" - era assim que nos cumprimentava. Não herdamos nada de material dele. "Vocês ficaram com as recordações sentimentais", meu marido acertadamente pontuou. É que meu avô era avô "postiço": segundo marido da Mãe-Ita. Todos os seus bens ficaram com os parentes dele. Nós, "filhas" e "netos", ficamos com as fotografias, as missivas, os recados de amor para minha avó e os cartões de Natal.

Quando a Saudade do meu avô materno aperta, vou aos bilhetinhos que ele deixava para minha avó. Ao lê-los - todos de próprio punho, em papéis brancos ou de embrulhar pão -, é como se ele ainda estivesse vivo. Sei que invado a sua intimidade com a Mãe-Ita, mas eu realmente preciso disso. Eu preciso me lembrar dos meus avós; eu preciso sentir um pouquinho que ainda estão vivos. Eu preciso mesmo disso. É essencial!

Além de uma memória brilhante, Deus me presenteou com a capacidade de sonhar e me lembrar dos sonhos no dia seguinte. (Ei: não quero parecer uma "convencida". Ao enumerar as habilidades da minha mente, estou apenas explicando para você como isso é tão bom para mim!... E acredito de verdade que não sou a única a vivenciar tudo isso.)

Já sonhei que conversava com o Vovô João umas 15 vezes - anotei até a 8ª.

Num desses sonhos, estávamos os dois em um restaurante. Ele, de pé diante de mim, com uma bandeja onde trazia seu prato de comida. Então me disse: "Ana Paula, não fique assim. Aqui na Terra é triste mesmo. Lá, onde estou, é bem melhor!...". Foram exatamente essas as suas palavras.

Igualzinho se dá com meu avô paterno. Com Vovô Raul, que faleceu em 19 de abril deste ano, já sonhei três ou quatro vezes. No mais recente sonho, ele estava de pé, de óculos escuros, ao lado da Vovó Antonieta, diante do portão da casa deles, aqui em Belo Horizonte. Os dois estavam no lado de fora da casa. Vovô Raul não me falou nada. Apenas aparecia ereto, firme.

Para encerrar este Post, transcrevo para você a letra de uma música interpretada por Marisa Monte, que está no excelente CD Universo ao Meu Redor, de 2006. Tem tudo a ver com o que lhe contei hoje!!

Agradeço a Deus pela destreza humana de se lembrar e, especialmente, de aprender com o passado. Aliás, se o que passou não servisse para mais nada, além de nos deliciar novamente, a memória já teria uma Bela Razão de Ser, concorda? Nos Tornar, um instante a mais, Felizes. De Novo. E De Novo. E uma vez mais. Enquanto a vida durar... Obrigada, Senhor, pela memória, a habilidade de recordar. De trazer tudo de volta ao coração!

Dentro de cada pessoa
Tem um cantinho escondido
Decorado de saudade

Um lugar pro coração pousar
Um endereço que frequente sem morar

Ali na esquina do sonho com a razão
No centro do peito, no largo da ilusão

Coração não tem barreira, não
Desce a ladeira, perde o freio devagar

Eu quero ver cachoeira desabar
Montanha, roleta russa, felicidade

Posso me perder pela cidade
Fazer o circo pegar fogo de verdade
Mas tenho meu canto cativo pra voltar

Eu posso até mudar
Mas aonde quer que eu vá
O meu cantinho há de ir

Dentro...

P.S. Quero agradecer neste Post as observações e palavras maravilhosas da minha Prima Querida e eterna Dama-de-Honra Larissa Cristina. Também, ao Almas Castelos, pela gentileza dos comentários em Posts d'A Católica e por ser meu terceiro seguidor.

P.S.2 A canção*, na verdade, é de outro excelente músico católico, Márcio Todeschini, e chama-se Um lugar. Eis o refrão:

És meu tudo, és minha força,
Tu tens o poder ressuscitar
Dentro em mim aquele primeiro Amor.

És meu tudo, sim eu te amo!
Não posso me esquecer...
Não vou desviar o meu olhar de Ti, Senhor.


Imagem: Fond Memories, Raimundo Madrazo (1841-1920)

~Ana Paula~A Católica
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