10 de outubro de 2010

Amando Jesus INTENSAMENTE

Em Meditando com Pecadores e Pecadoras do Evangelho, o autor nos incentiva
a "manifestar amor [a Jesus] do jeito que sabemos fazê-lo, sem preconceitos".
É justamente isso que o pequeno órfão faz no tocante Marcelino Pão e Vinho

Comecei ontem a rever (pela terceira vez) o excelente, maravilhoso, incrível fime Marcelino Pão e Vinho (1955). Coloquei o DVD para que meu priminho inteligentíssimo Gabriel Augusto - que vive em São Paulo - pudesse conhecer sua história. Apesar de tão novinho, recém-completados 7 anos, meu temor de que achasse o filme chato (já que é em preto-e-branco) não se atestou.

Gabriel ficou paradinho no sofá, diante da TV, acompanhando com interesse as estripulias de Marcelino. Aprendeu até uma palavra nova: traquinas. Marcelino é traquinas.

Chorei quando assisti a esse filme pela primeira vez. Não. O que me encantou mesmo não foi o fofíssimo ator que interpreta o papel de Marcelino, nem o seu enorme desejo de conhecer a mãe (já que a personagem é órfã, criada por 12 religiosos franciscanos). O que me enterneceu às lágrimas foi Jesus Cristo, que tem uma participação toda especial no longa-metragem. Não entrarei em detalhes, porque caso você não tenha assistido, não serei eu quem estragará essa doce, maravilhosa surpresa. Sim: Jesus em pessoa está no filme.

Tentarei expor o meu encantamento sem "entregar o ouro", como se diz.

Imagem: Reprodução-Internet
Marcelino Pão e Vinho ensinou-me - antes que minhas leituras de obras católicas e as próprias missas na igreja pudessem fazê-lo tão expressivamente - que Jesus Cristo nos aceita como somos. Ele estende a mão para receber com alegria e gratidão TUDO, QUALQUER COISA que lhe oferecemos com o nosso amor. Gosto tanto deste Jesus Cristo que só espera ser amado!... Que quer ser amado do jeito que conseguimos amá-lo.

E Marcelino faz isto: ama Jesus com intensidade e do seu jeito de criança. E por isso agrada Nosso Redentor em cheio.

Seu gesto lembra o de Maria de Betânia (Jo 12, 1-8) ou o da "mulher pecadora" (Lc 7, 36-50), que não economizaram (literalmente) na demonstração de afeto a Cristo. Tenho uma baita inveja das duas, que não só ouviram da própria boca do Mestre palavras de salvação, como puderam demonstrar-Lhe seu amor, perfumando-O, enxugando-Lhe os pés com os cabelos e beijando-Lhe.

Maria adquiriu "uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande preço" e a pecadora levou "um vaso de alabastro cheio de perfume". Alabastro, segundo o dicionário, é uma espécie de mármore branco, translúcido, pouco duro e suscetível de um belo polido. Vê-se que o investimento das duas foi não apenas emocional, mas também pecuniário. Em Meditando com Pecadores e Pecadoras do Evangelho (Paulus, 2003)*, José Bortolini pondera, a respeito da "pecadora":

É mais uma daquelas pessoas que não conseguem se dar pela metade; entregam tudo e entregam-se completamente. Em cada gesto de entrega é a vida por inteiro que se torna dom. Jesus também é assim e gosta de pessoas assim.

Uma vez ouvi uma ótima palestra do Monsenhor Jonas Abib, fundador da comunidade Canção Nova. Ele instava a audiência a louvar Nosso Senhor de qualquer maneira, em qualquer circunstância. Mesmo que estejamos "sem vontade de louvar". O padre explicava que ainda assim era importante pôr-se em oração, que Jesus Cristo entenderia a nossa "má vontade". Que a força desse momento residiria justamente nisto: em sermos nós mesmos e nos darmos ao diálogo com Deus com a verdade do que estávamos vivendo.

Que lindo!...

Como isso vem de encontro ao filme do menino Marcelino, que se deu a Jesus com o que tinha, do jeito que tinha. Ele oferecia e fazia TUDO O QUE ESTAVA A SEU ALCANCE, À MÃO para agradar Nosso Salvador. E atingiu o seu objetivo. Marcelino, Maria de Betânia e a mulher pecadora foram intensos na sua gratidão pela presença de Nosso Senhor, na manifestação do seu amor a Ele.

Antes de qualquer outra coisa, antes da sabedoria, da segurança, da profunda devoção, de não faltar a nenhuma missa aos domingos, tudo o que mais almejo, como cristã, como católica, é ser verdadeira no diálogo com Cristo.

Almejo não ter vergonha de contar-Lhe e entregar-Lhe tudo o que há em meu coração - até mesmo a preguiça, a sujeira. E assim, dando-Lhe até o que não presta, restará só o que presta - a simplicidade, a singeleza, a essência, o pão, o vinho, o cobertor. Jesus: ensina-me a amá-Lo assim!...

P.S.*Esse livro já mereceu uma Resenha do Blog A Católica: Sou pecadora SIM e com orgulho!.


Ilustração de Frits Ahlefeldt (Click The Image)

~Ana Paula~A Católica
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