25 de setembro de 2010

Como entender se ele (o pretendente) gosta ou não de você

Uma amiga, lá dos idos do milênio passado, não queria ver
que era sistematicamente desprezada.
Como é difícil a gente aceitar que, às vezes, não é bem-me-quer,
mas “mal-me-quer” mesmo

Obsession. Ontem vi na TV um deputado que tem como Projeto de Lei a instituição de uma multa às brasileiras e brasileiros que insistirem em colocar entre uma frase e outra um dialeto inglês. Ok. Mas uma língua como a inglesa confere mesmo uma certa sofisticação, uma suavização que caem bem à ideia que tentamos transmitir pelo meio mais falível (realmente falível) como é a palavra.

Então, obsession. Olhe só: se eu colocasse obsessão ficaria pesado. O ão é realmente pesado. Ão. Então, obsession. É isso, por exemplo, o que uma amiga minha sente pelo cara que não quer mais ser o seu namorado. E porque é minha amiga, por que não um eufemismo?

Desde Abril, eu ouço a mesma história. Ela me liga Sábado sim, outro não e... Sente, que lá vem história. Se ela gravasse a sua própria voz e apertasse um play ao telefone, eu ouviria com amor e carinho, mas dá um stress o jeito com que ela conta que ele não a procura nos finais de semana, que só se veem às Segundas-Feiras etc. etc. como se fosse a última sobre o relacionamento dos dois... Ai, que canseira. Só para recapitular, eis a seguir uma sinopse.

No ano passado, essa minha amiga conheceu esse cara. Numa boate, ele falou a frase que a cativou e a vem mantendo atada a ele: "Eu amo você, (...). Quero ter um filho com você". Pronto. Sabe quando alguém, por desconhecimento de causa, diz a coisa certa para a pessoa certa? Minha amiga até hoje acredita naquelas palavras. Palavras que foram desmentidas ainda no ano passado, quando: a) ela passou o Natal sozinha; b) ela passou o réveillon sozinha e c) ela passou a passar todos - todos - os finais de semana sozinha.

Gosh! É tão claro: se uma pessoa não procura você é porque não quer a sua companhia. Qual a dificuldade em ela entender isso?

"Estou apaixonada pela entidade dele", ela me disse, "Ela é realmente linda. É cor-de-rosa e eu a amo". Entidade é como se fosse o anjo da guarda de uma pessoa, na linguagem do grupo de estudo científico que minha amiga frequenta. Já ouvi muitas histórias sobre os motivos que levam uma pessoa a não largar outra, mas essa é realmente demais! Eu a imagino no programa da Sílvia Poppovic, dizendo: "Eu o amo, porque amo o anjo da guarda dele". Daria tudo para ouvir a explicação das psicólogas, que costumam ir ao programa (que era exibido todas as tardes, pelo canal de TV Band).

Obsession. Vira e mexe, ela me diz: "Não vou desistir dele". Vira e mexe, ela me diz: "Fui ao escritório dele e deixei uma carta sobre a mesa, onde eu dizia: '(...), você tem medo do compromisso, mas não podemos fugir do amor'".

Já perdi a paciência e xinguei o namorado dela: "Ele é um cocô". Amiga, peço-lhe desculpas por isso, mas ele é realmente um cocô, em português mesmo, porque em inglês parece xixi (shit). "É apenas uma fase, a empresa dele está passando por dificuldades financeiras (que outro problema uma empresa teria?, eu me pergunto), logo, logo ele vai entender que eu o amo".

Cara amiga, ele já entendeu e já lhe disse mais de uma vez: "Leave me alone". Ai, o inglês é mais chique até para as despedidas!... Mas, gosto da verdade e, para conferir veracidade ao caso, o que ele disse foi "Não gosto de você" mesmo. Em língua pátria. E pensar que minha amiga, até hoje, não entendeu.


Imagem: La Simplicité, Jean-Baptiste Greuze (1759)

~Ana Paula~A Católica
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