24 de agosto de 2010

Idosos que se recusam a crescer

Muitos insistem em permanecer brotos,
não obstante o tempo passe, voe...
Tudo, tudo, tudo - tudo mesmo - que acontece tem um porquê. Isso não refuta o acaso. Mesmo aquilo que ocorre acidentalmente - mesmo aquilo - tem um porquê. Estou certa de que não sou a única no mundo que se analisa, sofre com os próprios defeitos e reconhece: "Não consigo mudar nisto" ou "Não consigo ser diferente".

Com isso em vista, fico me perguntando se, quando uma pessoa é repetidas vezes acometida por um infortúnio, ele não quer "ensinar-lhe" algo. Fico me perguntando se o contratempo não seria um recado da Vida, do tipo: "Você vai ter que amadurecer por bem ou por mal!".

Digo essas linhas acima, porque muita gente na chamada "meia idade" e até pessoas mais velhas, que já ostentam de 65 a 80 velinhas no bolo de aniversário, agem como se fossem a mais verde das criaturas. Se já é desagradável assistir a uma criança dando birra, imagine a um adulto. Pois, infelizmente, adultos assim existem, para desconsolo dos filhos e de quem mais tenha que conviver com eles.

Minha avó Antonieta uma vez me disse: "Não é porque tem cabelo branco que é santo". Ela tem razão.

Este texto não pretende ser um ataque às pessoas idosas, mas uma crítica aos idosos que agem como crianças, que se recusam a amadurecer. Que usam os cabelos brancos e as rugas para cometerem abusos de todo tipo, incluindo falta de educação. Noutro dia, uma senhora foi descortês comigo e emendou como desculpa: "Sabe como é... Eu estou na terceira idade". Pois eu emendei: "É mesmo? Pois por estar na terceira idade é que a senhora devia dar o exemplo...".

Não vou citar aqui os N casos que vivenciei de idosos malcriados. Idosos que deviam ter usado as primaveras a mais para agirem com menos egoísmo, ansiedade e mesquinhez. Quero apenas refletir por que alguns deles, de repente, começam a viver um monte de reveses e de acidentes (incluindo físicos) um atrás do outro. Não. Eu não qualifico as vicissitudes como um castigo da ira divina. De modo algum. Como Padre Léo (saudoso e exímio palestrante) afirmou uma vez: Se Deus é bom, Dele só pode vir bondade.

Vou me explicar: li em uma das biografias da espanhola Santa Teresa de Jesus (não confundir com a Teresa do Menino Jesus, a francesa) que uma vez ela teve uma visão do Inferno e garantiu que nada, nenhum sofrimento nesta Terra se compara àquele lugar.

Pois então. Às vezes, é preferível passarmos de cabeça erguida, mas com obediência e humildade, por uma provação - como uma perda material, a morte de um ente querido ou uma doença grave - do que nos revoltarmos e acabarmos lá... Nos quintos. Fico pensando, então, se um idoso que é acometido de um infortúnio atrás do outro, se todos esses contratempos, especialmente na área da saúde, não seriam como que "a última chance" de ele, finalmente, crescer e agir como gente grande. Afinal, o sofrimento bem vivido educa. Fortalece.

Eu espero do fundo do meu coração que todos os idosos, não só do Brasil, mas em todo o mundo, conhecidos ou desconhecidos meus, que estejam ou não no leito de um hospital, que todos eles - por Misericórdia Divina - aprendam alguma coisa com o que estão passando.

Que amoleçam o coração e perdoem desafetos, desculpem a ingratidão de um filho, esqueçam o que o marido ou a esposa fizeram de ruim. Meu Deus dos Céus: eu acredito em Santa Teresa. O que passamos aqui na Terra é "fichinha" perto do que aguarda, nos quintos, todos aqueles que, apesar dos muitos anos de vida, não aprenderam a Relevar.

Convido você a ensinar a algum idoso que conheça, e também a rezar com ele, a seguinte oração:

Oração da Terceira Idade
(Orações de Poder II, Raboni editora)

Senhor, ensina-me a envelhecer.
Convence-me de que a comunidade
não é injusta comigo,
se me vai tirando a responsabilidade;
se já não me pede parecer;
se chamou a outros para ocuparem meu posto...

Tira-me a ufania de minha experiência passada,
do sentimento de achar-me indispensável.

Senhor, que eu veja, neste gradual desapego das coisas,
somente a lei do tempo,
e considere esta substituição nos trabalhos
como uma das manifestações mais interessantes da vida
que se renova sob o impulso da Tua providência.

Faze, Senhor, que eu seja ainda últil ao mundo,
contribuindo com meu otimismo e minha oração
à alegria e ao entusiasmo daqueles
que têm agora a responsabilidade;
vivendo em contato humilde e sereno com o mundo que muda,
sem me lamentar pelo passado que já se foi,
fazendo de meus sofrimentos um obséquio a Deus
e uma obra de reparação.

Que minha saída do campo da atividade seja simples e natural
como um sereno pôr-do-sol.

Perdoe-me se só nesta hora de tranquilidade
caí na conta do quanto me amaste e ajudaste.
Que ao menos agora veja com clareza
e com íntima convicção,
o destino feliz que me preparaste
e para o qual me orientaste
desde o primeiro dia de minha vida.

Senhor, ensina-me a envelhecer assim. Amém.


Fotografia de Peter Griffin

~Ana Paula~A Católica
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